Cicatrização por Segunda Intenção de Ferida com Ruptura do Tendão Extensor Digital Longo em Potro

Autores

  • Carolina Correa
  • Marina Duarte Bastos
  • Elise Messa Camargo
  • Maria Eduarda Zwan
  • Claudia Acosta Duarte

Palavras-chave:

Ferida, tendão, potro

Resumo

Os equinos detêm de um temperamento ágil, o que os torna vulneráveis a acidentes, podendo ocorrer devido a instalações inadequadas e práticas de manejo inconvenientes, resultando frequentemente em lesões, principalmente nos membros, com possíveis limitações em sua biomecânica musculoesquelética. Entre as principais afecções envolvendo os membros distais, a ruptura traumática dos tendões extensores digitais é bastante comum. Os sinais clínicos são principalmente a perda da capacidade de extensão das falanges e déficit de propriocepção, levando o animal a fazer uma hiperflexão exacerbada da articulação metatarsofalangeana. Essas lacerações tendíneas tem um prognóstico reservado, e dependendo da extensão da lesão, podem ocorrer complicações como osteomielites, comprometimento de fluxo venoso por compressão e até mesmo avulsão do casco. Nesses casos, inúmeros tratamentos podem ser instituídos, como cirúrgico ou conservativo. A escolha do tratamento depende principalmente do tempo da evolução da ruptura, gravidade da laceração ou quantidade de estruturas envolvidas. O objetivo desse estudo é de relatar a terapia utilizada na reabilitação de um potro com ruptura completa do tendão extensor digital longo do membro pélvico esquerdo. Foi encaminhado para Clínica Médica de equinos El Corralero, localizada na cidade de Santo Ângelo - RS, um potro de seis meses apresentando ruptura completa no tendão extensor digital longo (TEDL) do membro pélvico esquerdo, com evolução de 72 horas. Na inspeção estática o animal apresentava dificuldade de apoiar o membro, áreas de tecido com presença de necrose, supuração, edema na região lacerada e exposição óssea. Na inspeção dinâmica havia hiperflexão da articulação metatarsofalangeana, resultando em uma instabilidade de apoio do membro. Como exames complementares foram instituídos o ultrassom para avaliação do TEDL, radiografia digital avaliando comprometimento do periósteo por possíveis infecções secundárias, além de coleta em swab (meio Stuart) para avaliação microbiológica. A ferida foi, inicialmente, tricotomizada e limpa com cloreto de sódio 0,9% no lavador de feridas Kruuse®, em virtude da adequada pressão de fluídos que o mesmo proporciona para pele e tecidos moles nos equinos. As áreas de tecido necrótico foram desbridadas de forma cirúrgica, incluindo os cotos expostos do tendão. A ferida não apresentava viabilidade para promoção de sutura e, em v para virtude de todas as características apresentadas, optou-se então, pelo manejo por segunda intenção. No primeiro dia após o manejo inicial da ferida, a mesma foi fechada com penso curativo, utilizando alginato de cálcio em gel, gaze não aderente, evitando agressão local nos tecidos, gaze queijo e bandagem coesiva evitando pressão excessiva, permitindo que o tecido viável prolifere. Além disso, optou-se pela colocação de ferradura modificada com extensão dorsal, de onde partiu um elástico, sendo fixado a uma peiteira improvisada para o tamanho do paciente, com a intenção de manter a função extensora durante o processo de cicatrização do tendão. Como protocolo medicamentoso foi utilizado Meloxicam Gel® na dose de 1,8 mg/kg VO (via oral) SID (uma vez ao dia) durante 5 dias, Firocoxib Gel® na dose de 0,1 mg/kg VO SID durante 10 dias e Doxiciclina pasta na dose de 10 mg/kg VO BID (duas vezes ao dia) durante 10 dias. A peiteira foi removida junto da ferradura modificada no 40º dia de tratamento, quando não se observou mais a hiperflexão do membro, passando assim para um casqueamento e ferrageamento corretivo, pensado na melhora da biomecânica do animal. O reestabelecimento da função do membro acometido e a completa epitelização cutânea ocorreu em 65 dias, quando o mesmo recebeu alta clínica. Segundo a literatura, o manejo por segunda intenção de uma ferida deve levar em consideração o tempo de evolução (contaminadas e infectadas, com mais de 12 horas de evolução), assim como no caso mencionado, havendo um resultado satisfatório, porém um tempo de recuperação mais prolongado quando comparado a cicatrização por primeira intenção. É sabido que os tendões possuem capacidade regenerativa por meio de proliferação celular do tecido conjuntivo que os envolvem, sendo assim, a capacidade de cicatrização ocorre mesmo sem a tenorrafia. Um adjuvante de extrema importância nos casos de ruptura do TEDL, quando a ferida receberá manejo por segunda intenção é a ferradura modificada com o extensor, pois este modelo de fisioterapia auxilia a extensão do membro, evitando o atrito da hiperlexão ocasionada pela ruptura. Além disso, torna-se menos oneroso quando comparada a outras técnicas de imobilização. Mediante o caso relatado, conclui-se que a cicatrização por segunda intenção na ruptura do TEDL quando não houver viabilidade do emprego de sutura, é eficaz quando associada a técnicas de fisioterapia, como, a ferradura modificada com extensor, o que permitiu que o animal reestabelecesse suas funções locomotoras fisiológicas.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Cicatrização por Segunda Intenção de Ferida com Ruptura do Tendão Extensor Digital Longo em Potro. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121099. Acesso em: 16 abr. 2026.