Projeto Receita para o Futuro: Engenharia Ambiental e Sanitária + Extensão na Formação Discente
Palavras-chave:
Logística, reversa, contaminação, hídrica, educação, ambientalResumo
A crescente presença de fármacos em corpos hídricos, decorrente do alto consumo de medicamentos e do descarte incorreto de produtos não utilizados, representa uma preocupação ambiental significativa. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305/2010, prevê a logística reversa como um mecanismo para viabilizar o retorno desses resíduos, garantindo uma destinação final ambientalmente adequada. Neste contexto, farmácias se destacam como pontos de contato direto com o consumidor final, mas a falta de conhecimento da população sobre seu papel na logística reversa permanece um obstáculo. Diante disso, o Projeto de Extensão Receita para o Futuro: Sensibilização sobre a Logística Reversa no Descarte Responsável de Medicamentos foi desenvolvido com o objetivo de promover informações sobre os direitos da população e a prática adequada do descarte de medicamentos na comunidade, de acordo com as diretrizes da PNRS. Este trabalho relata uma experiência discente de aplicação de ação extensionista durante a Semana do Meio Ambiente. As atividades foram desenvolvidas no auditório do Instituto Municipal de Educação Augusta Maria de Lima Marques, no Município de Caçapava do Sul RS, para alunos de diversos anos do Ensino Fundamental e Médio de escolas da região e seus respectivos professores. A metodologia da atividade partiu da elaboração de um roteiro detalhado, visando incluir um momento formativo com uma explicação inicial sobre a natureza dos medicamentos como moléculas de atividade biológica, e os processos envolvidos em sua metabolização e excreção, dando enfoque nas rotas de entrada no meio ambiente, sendo destacado que parte dessas substâncias é eliminada na urina e nas fezes, podendo contaminar a água e o solo. Em seguida, foram apresentadas as consequências da contaminação ambiental por fármacos, mencionando casos como a morte de urubus após contato com diclofenaco descartado indevidamente, além do aumento de relatos de doenças metabólicas em animais aquáticos. A atividade prosseguiu com a demonstração de que o tratamento de água convencional não é suficiente para remover os fármacos. Para tornar essa informação mais clara, foi realizada uma dinâmica com sistemas visuais e olfativos em galões de 5 L água, sendo: i) sistema água, solo e sedimentos, representando a água captada antes do tratamento; ii) sistema com água contendo um pouco de amaciante, representando o fator visual claro porém com fator olfativo presente para avivar memória afetiva de conforto e limpeza; e iii) sistema de água e fármaco dissolvido, visando representar um sistema aquoso incolor e inodoro. Os sistemas foram disponibilizados ao público para análise sensorial e observacional, permitindo que os alunos avaliassem suas características e elaborassem suas próprias interpretações. Após realizada esta etapa, a plateia foi questionada e por meio de votação elegeu a ordem de potabilidade dos sistemas, relatando que o sistema iii seria mais potável que o sistema ii e, por fim, o sistema i. A partir destas observações, foi revelado ao público que o sistema iii continha uma mistura com água e fármaco, reforçando a ameaça dos fármacos invisíveis e a importância do descarte correto. Também foi realizada uma explicação sobre cada um dos sistemas e sua relação com os processos utilizados nas Estações de Tratamento de Água, sendo ressaltado que a cloração pode reagir com os resíduos de medicamentos, formando subprodutos ainda mais tóxicos. Na sequência, a PNRS e o Decreto nº 10.388/2020, que trata especificamente da logística reversa para medicamentos vencidos ou em desuso, foram apresentados. Para reforçar as informações, finalizou-se com uma dinâmica interativa de separação de resíduos, na qual os participantes puderam classificar cartões com diferentes tipos de resíduos em recipientes distintos. Foram distribuídos cartões com figuras dos resíduos para os alunos, e os voluntários então fizeram a coleta em caixas devidamente identificadas. A atividade foi corrigida coletivamente, sendo solicitado aos alunos que batessem palmas se a destinação estivesse correta, o que permitiu a explicação sobre o que é reciclável, não reciclável e o que representa risco ambiental ou biológico. Por fim, foram fornecidas orientações claras sobre como realizar o descarte adequado de medicamentos, cartelas e caixinhas, enfatizando a necessidade de levá-los a pontos de coleta. A atividade permitiu ao discente do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária visualizar as possibilidades de atuação dentro da Educação Ambiental, demonstrando que o papel do engenheiro vai além da visão do profissional focado apenas em projetos e dimensionamentos de estruturas.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Projeto Receita para o Futuro: Engenharia Ambiental e Sanitária + Extensão na Formação Discente. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121039. Acesso em: 17 abr. 2026.