Microrganismos Invisíveis e Hábitos Visíveis na Promoção da Saúde: Higiene e Primeira Infância.
Palavras-chave:
Hábitos, higiene, Desenvolvimento, infantil, Prevenção, doençasResumo
A primeira infância compreende o período desde a concepção até os seis anos de vida. Fisiologicamente, devido a explosão de conexões sinápticas, mielinização, crescimento dendrítico e aumento do volume da substância branca e cinzenta resultantes da alta demanda metabólica, o cérebro atinge cerca de 90% do tamanho de um cérebro adulto nos primeiros 5 anos de vida. Nesse período, as crianças se encontram altamente receptivas à estímulos e experiências que desde o primeiro contato se tornam fundamentais para a consolidação de habilidades cognitivas, sociais e emocionais, sendo ideal para realização de ações de educação em saúde. Frente a esse cenário, o presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de acadêmicos de Medicina em uma atividade de educação em saúde realizada no âmbito do Programa Saúde na Escola (PSE), a partir de uma solicitação de uma Escola Municipal de Educação Infantil em parceria com a Estratégia de Saúde da Família (ESF), no município de Uruguaiana, em junho de 2025. A atividade foi direcionada a alunos de 5 anos, de quatro turmas do Pré-escolar II do ensino infantil, fase marcada por grandes saltos de desenvolvimento e amadurecimento cerebral, expressos no refinamento de movimentos, formação do caráter e fortalecimento da base de aprendizagem e socialização. O objetivo da atividade foi promover, de forma lúdica e interativa, a conscientização das crianças da pré-escola sobre a importância da higiene pessoal, estimulando a reflexão sobre práticas adequadas, demonstrando como os microrganismos se espalham e evidenciando o papel do sabão na sua remoção, a fim de incentivar hábitos saudáveis e prevenir doenças. No que se refere à metodologia, trata-se de um relato de experiência vinculado ao componente curricular Saúde Coletiva IV, integrante do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Medicina da Universidade Federal do Pampa da região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, orientado pelo princípio da curricularização da extensão. Para a construção da ação, inicialmente, foi realizada uma roda de conversa entre os membros do grupo e a escola para definir um tema recorrente entre a faixa etária escolhida. Optou-se por abordar higiene pessoal como forma de prevenção de doenças. A dinâmica proposta incluiu a entrega de duas plaquinhas distintas, sendo uma verde e outra vermelha, para que os alunos sinalizassem se as afirmações que estavam sendo lidas eram verdadeiras ou falsas, gerando um ambiente descontraído, considerando os aspectos biopsicossociais. As afirmativas serviram de disparadores para a explicação de cada um dos tópicos e incentivaram as crianças a compartilharem suas experiências e construírem junto aos acadêmicos os conceitos e práticas essenciais de higiene pessoal. Relatos pessoais de como escovavam os dentes, o que faziam quando ficavam resfriadas, quantas vezes tomavam banho e lavavam as mãos tornaram o ambiente leve para o compartilhamento de experiências por todos e exemplificaram como o tema é algo pertinente e de interesse dessa faixa etária. Ao término da primeira dinâmica, os acadêmicos exemplificaram como doenças comuns do inverno, como gripe e resfriados, são transmitidos facilmente de uma pessoa para outra e como o simples hábito de lavar as mãos pode prevenir a infecção. Utilizando glitter para simbolizar o germes, os acadêmicos cumprimentaram com apertos de mão cada um dos alunos, que se tornaram infectados, posteriormente em um recipiente com água foi colocado um pouco de glitter, seguido por detergente que dissipa o glitter pela quebra da tensão superficial da água, o que deixou as crianças ainda mais engajadas em assumir o compromisso de manter hábitos saudáveis de higiene. Quanto às dificuldades vivenciadas, constatou-se que devido a empolgação em participar, muitas vezes os alunos falavam ao mesmo tempo e interrompiam a explicação para contar experiências vividas em casa ou conhecimentos aprendidos em sala de aula. Posteriormente, se foi contornando essa situação, ao organizar quem falaria em cada momento sem interrupção, e que todos escutassem. Além disso, ao final foram muito afetivos com os acadêmicos. A experiência evidenciou a relevância do uso do lúdico como estratégia de promoção da saúde com essa faixa etária, favorecendo o desenvolvimento de hábitos saudáveis de higiene desde a primeira infância no contexto da educação infantil, como forma de ofertar além da informação, agência para que essas crianças disseminem o conhecimento aprendido com seus familiares, amigos e comunidade em geral. Conclui-se que a atividade atingiu seus objetivos ao ofertar um espaço lúdico e divertido na construção do saber sobre higiene e prevenção de doenças, levando todos os envolvidos à reflexão e ao compartilhamento de experiências. Iniciativas como essa fortalecem a formação em Medicina na promoção da saúde desde a infância e contribuem ao Programa Saúde na Escola, fortalecendo a interrelação entre ensino, serviço e comunidade.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Microrganismos Invisíveis e Hábitos Visíveis na Promoção da Saúde: Higiene e Primeira Infância. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120979. Acesso em: 17 abr. 2026.