Yoga na Educação Infantil: Experiências Dentro do Pibid e a Formação Crítica de Futuros Professores
Palavras-chave:
Formação, professores, Yoga, Infantil, Educação, Física, EscolarResumo
A experiência de inserção escolar, vivenciada no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), subprojeto de Educação Física, desenvolvido na Escola Estadual Elisa Ferrari Valls, em Uruguaiana/RS, com turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental, oportunizou na compreensão da docência como prática social, crítica e transformadora, na qual o corpo e suas expressões são valorizados como elementos constitutivos da formação. Diante desse cenário, optar pela prática de yoga infantil como estratégia pedagógica, alinhada aos princípios da Educação Física crítica e a necessidade de promover experiências que articulem movimentos, emoções e consciência corporal. Mais do que uma técnica corporal, o yoga, quando adaptado ao universo lúdico das crianças, mostrou-se uma possibilidade educativa que favorece a atenção plena, o equilíbrio e a autopercepção, ao mesmo tempo em que fortalece vínculos e cria condições para aprendizagens coletivas. A perspectiva de Paulo Freire sustenta essa compreensão, ao apontar que a prática educativa deve estar fundamentada no diálogo, na escuta ativa e no reconhecimento das experiências dos sujeitos como ponto de partida para a construção do conhecimento. O desenvolvimento das práticas iniciou-se com a observação da realidade da escola e das manifestações naturais da cultura corporal dos alunos, que muitas vezes realizavam movimentos acrobáticos durante as aulas e nos intervalos. Essa leitura da realidade foi fundamental para planejar intervenções alinhadas aos interesses e necessidades dos alunos. Em um primeiro momento, foram realizadas brincadeiras e jogos integrativos com o intuito de criar vínculos, identificar as preferências das turmas, posteriormente foi desenvolvido as atividades de yoga infantil, planejadas coletivamente e adaptadas de forma criativa, apresentando posturas (ásanas) e exercícios de respiração (pranayamas) em linguagem acessível, lúdica e divertida. As atividades também incluiram momentos de relaxamento e silêncio desafiador, mas acolhidos com interesse pelos alunos. Aproximadamente 42 crianças, com idades entre 7 e 10 anos, participaram das atividades, incluindo estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que exigiu sensibilidade e adaptações por parte dos professores. O planejamento fundamentou-se na abordagem crítico-superadora (Coletivo de Autores, 1992), valorizando o diálogo entre cultura corporal, contexto escolar e desenvolvimento omnilateral. Os resultados revelaram que a prática de yoga, quando incorporada ao cotidiano da escola, contribui de maneira significativa para a gestão das emoções, o controle da ansiedade, a melhora da concentração e o fortalecimento da consciência corporal das crianças, foi possível analisar maior tranquilidade durante as aulas, disposição para experimentar novas posturas e conhecer os seus corpos. Alunos inicialmente resistentes a conteúdos diferentes do futebol e do vôlei passaram a engajar-se com interesse nas dinâmicas propostas, enquanto os estudantes com TEA demonstraram avanços perceptíveis em termos de atenção, autocontrole e interação com os colegas. A ludicidade foi elemento essencial para despertar a curiosidade e o foco, além de permitir que o yoga fosse vivenciado como uma experiência prazerosa e significativa, rompendo com a visão tecnicista que ainda predomina em parte da Educação Física escolar. Contudo, o diálogo constante com os estudantes mostrou-se de extrema importância para que se sentissem protagonistas do processo, sugerindo movimentos, propondo nomes para as posturas .A experiência permite concluir que o yoga infantil pode ocupar um lugar relevante no currículo da Educação Física, especialmente nos anos iniciais, por articular dimensões corporais, cognitivas e socioemocionais. A vivência no PIBID possibilita compreender que ensinar não se limita à transmissão de conteúdos, mas envolve a sensibilidade, criatividade e compromisso com a diversidade e peculiaridades dos alunos. Ao valorizar práticas corporais alternativas, como o yoga, a escola amplia seu repertório cultural e oferece condições para que as crianças desenvolvam autonomia, consciência crítica e bem-estar. Em termos formativos, a participação no programa reafirma a importância da escuta ativa, do planejamento colaborativo e da postura ética e reflexiva como pilares fundamentais na educação. Dessa forma, a experiência ajuda a fortalecer a identidade profissional do futuro professor/licenciando e reforça a importância das práticas pedagógicas críticas, inclusivas e inovadoras, sendo capazes de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e humanizada.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Yoga na Educação Infantil: Experiências Dentro do Pibid e a Formação Crítica de Futuros Professores. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120950. Acesso em: 17 abr. 2026.