Os Diários de Bordo no Pibid Como Ferramentas de Reflexão e Registro das Práticas Pedagógicas

Autores

  • Fabielly Scolari Vieira
  • Luciano Martins Sena
  • Yasmin da Rosa Vezzaro
  • Carla Beatriz Spohr
  • Marli Spat Taha

Palavras-chave:

Formação, docente, Escrita, reflexiva, PIBID

Resumo

A formação inicial de professores exige mais do que a simples apropriação de conteúdos específicos e metodologias de ensino; demanda também o desenvolvimento de uma postura reflexiva, crítica e autônoma diante dos desafios que emergem no cotidiano escolar. Nesse cenário, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) se destaca como política pública fundamental, ao inserir licenciandos em experiências práticas desde os primeiros anos da graduação, promovendo a articulação entre teoria e prática e aproximando-os da realidade da escola básica. Entre os instrumentos utilizados nesse processo, os diários de bordo dos bolsistas configuram-se como ferramentas centrais para o registro sistemático de experiências, expectativas, dificuldades e conquistas, permitindo que o percurso formativo seja acompanhado e constantemente reavaliado. Este trabalho, desenvolvido no âmbito do PIBID, busca analisar a importância dos diários de bordo como instrumentos de registro e reflexão na formação inicial docente. O estudo se apoia em pressupostos da aprendizagem significativa e em referenciais da didática reflexiva, entendendo que o ato de escrever sobre a prática não se limita a descrever fatos, mas constitui uma oportunidade de ressignificação das experiências vividas, possibilitando ao futuro professor elaborar interpretações, questionamentos e novas perspectivas. Os bolsistas foram orientados a manter registros regulares de suas vivências nas escolas, relatando não apenas as atividades realizadas, mas também suas impressões, sentimentos, expectativas e percepções sobre os desafios enfrentados e as potencialidades observadas no processo de ensino-aprendizagem. Metodologicamente, o trabalho organiza-se em torno da leitura e análise dos registros produzidos, que foram sistematizados em três grandes eixos: desafios, expectativas e potencialidades. O eixo dos desafios contempla anotações sobre as dificuldades relacionadas à infraestrutura, à gestão do tempo, à participação dos estudantes e à própria insegurança dos licenciandos diante de situações inesperadas. O eixo das expectativas evidencia os anseios dos bolsistas quanto à sua futura atuação docente, revelando tanto inseguranças quanto desejos de transformação. Já o eixo das potencialidades destaca elementos positivos vivenciados no processo, como a receptividade de professores supervisores, a colaboração entre pares e o entusiasmo dos estudantes em determinadas atividades. Os resultados parciais indicam que os diários de bordo funcionam como um processo avaliativo contínuo e como um espaço de diálogo consigo mesmo e com o coletivo do programa. A escrita reflexiva permitiu aos bolsistas identificar padrões recorrentes em suas práticas, perceber avanços pessoais e coletivos, e desenvolver maior clareza sobre o papel do professor em contextos reais. Além disso, os registros mostraram-se relevantes para os coordenadores e supervisores, ao possibilitar uma visão mais detalhada das experiências dos licenciandos, oferecendo subsídios para ajustes no acompanhamento pedagógico. A análise preliminar também aponta que os diários favorecem a construção de um juízo crítico sobre a prática docente, estimulando a autonomia intelectual e a capacidade de fundamentar decisões pedagógicas. Conclui-se que os diários de bordo representam muito mais do que simples relatórios de atividades: constituem instrumentos formativos potentes, capazes de promover a reflexão crítica, a autoavaliação e a ressignificação da prática. Ao registrar os desafios, expectativas e potencialidades do cotidiano escolar, os bolsistas constroem um percurso formativo mais consciente, no qual a escrita se torna espaço de diálogo, memória e elaboração de novos sentidos para a docência. Nesse sentido, a experiência em andamento no PIBID reafirma a importância de práticas de registro reflexivo no processo de formação inicial, apontando os diários de bordo como ferramentas indispensáveis para consolidar a identidade docente em construção e para fortalecer a qualidade da formação de professores no Brasil.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Os Diários de Bordo no Pibid Como Ferramentas de Reflexão e Registro das Práticas Pedagógicas. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120927. Acesso em: 15 maio. 2026.