Tecnologias Bim na Execução de Projetos Industriais Aplicada na Engenharia Química

Autores

  • Julio Henrique Cardoso de Freitas
  • Alexandre Arruda

Palavras-chave:

Modelagem, tridimensional, layout, planta, dimensionamento, equipamentos, instrumentação, processos, análise, riscos, Blender

Resumo

As tecnologias de Modelagem da Informação da Construção (BIM) vêm se consolidando no mercado e ampliando seu alcance para além da arquitetura e da construção, com aplicações cada vez mais frequentes tanto nas etapas de projeto conceitual, básico e detalhamento como durante a construção e a operação. Em paralelo, soluções comerciais têm evoluído e incorporado recursos de automação e, mais recentemente, funcionalidades baseadas em inteligência artificial. Nesse cenário, o Blender aplicativo gratuito e de código aberto para modelagem tridimensional desponta como alternativa versátil também no contexto da engenharia de processos, oferecendo precisão métrica, sistema de unidades configurável, biblioteca de objetos e ampla possibilidade de automação via atalhos e scripts. Embora o mercado conte com plataformas proprietárias consolidadas, a adoção do Blender em ambiente acadêmico têm se mostrado particularmente promissora por conciliar baixo custo, curva de aprendizado favorável e resultados visuais de alta qualidade. Um projeto industrial, sob metodologias tradicionais, percorre um ciclo de vida composto por iniciação, organização (planejamento), execução e encerramento, cada fase com objetivos e entregas específicas. Na execução, os níveis de projeto conceitual, básico e de detalhamento abrangem o dimensionamento de equipamentos, a definição do layout da planta e a localização dos principais itens de processo. Inserido nesse fluxo, o Blender tem sido empregado para construir modelos 3D de equipamentos e estabelecer suas interligações por tubulações, permitindo antecipar decisões que influenciam diretamente o desempenho técnico e os custos do empreendimento. A interface de trabalho, organizada em áreas de visualização, propriedades e gerenciador de objetos, aliada ao uso de primitivas (cubo, esfera, cilindro, plano etc.) e às operações de transformação e extrusão, viabiliza a construção rápida de geometrias com fidelidade dimensional. Além disso, a ferramenta de medição, o controle de escala e a aplicação de materiais (metálicos, concreto, pintura) enriquecem a comunicação entre as disciplinas de processo, mecânica e instrumentação. Na experiência conduzida no curso de Engenharia Química, foram modeladas unidades industriais completas, incluindo tubulações e equipamentos como torres de destilação, bombas, reatores, fornos, vasos e trocadores de calor, bem como instrumentos de processo, válvulas de controle, válvulas de segurança e sensores primários. O uso da ferramenta de medição possibilitou posicionar equipamentos, conferir afastamentos e estimar comprimentos de linhas com agilidade, fornecendo condições essenciais para o dimensionamento de sistemas de bombeamento e compressão. Dessa forma, o cálculo de perdas de carga e a seleção de válvulas de controle puderam ser refinados com base em comprimentos realistas de tubulação e em percursos efetivos entre bocais e trechos de linha, aumentando a confiabilidade dos resultados. A representação visual também auxiliou na definição do layout, reduzindo retrabalho por interferências e facilitando a verificação de acessos de operação e manutenção. Além dos ganhos diretamente relacionados ao projeto, o modelo 3D mostrou-se um apoio valioso às análises de segurança. Em atividades de Análise Preliminar de Risco (APR) e em Estudos de Perigos e Operabilidade (HAZOP), a visualização tridimensional favoreceu a identificação de conflitos de layout, a verificação de distanciamentos recomendados entre equipamentos e a avaliação de rotas de circulação, emergência e manutenção. O suporte visual contribuiu para discussões mais objetivas entre docentes e discentes, facilitou o registro de decisões e deu transparência às justificativas técnicas adotadas. Em síntese, a integração entre modelagem 3D e práticas de engenharia de processo fortaleceu a qualidade das entregas nas etapas conceitual e básica, preparando terreno mais sólido para o detalhamento. Para além do benefício econômico associado à adoção de uma ferramenta gratuita, destaca-se seu potencial didático para desenvolver competências em modelagem, visão espacial e tomada de decisão fundamentada em evidências visuais. A experiência acumulada tem motivado a criação de disciplinas eletivas e minicursos dedicados ao seu ensino, consolidando o Blender como ferramenta de apoio à etapa de execução em projetos industriais no curso de Engenharia Química e fortalecendo a formação dos estudantes frente às demandas contemporâneas da engenharia.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Tecnologias Bim na Execução de Projetos Industriais Aplicada na Engenharia Química. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120866. Acesso em: 15 maio. 2026.