Memórias Fotografadas: Uma abordagem sobre a Memória no Ensino de História através de Fotografias
Palavras-chave:
Ensino, História, Memória, FotografiasResumo
Este projeto foi desenvolvido no componente curricular Estágio Supervisionado I - Espaços não escolares, do 5° semestre, do Curso de História-Licenciatura do Campus Jaguarão, da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). A instituição, onde ocorreram as atividades de pesquisa e ensino, foi o Museu Visconde de Mauá, na cidade de Arroio Grande (Rio Grande do Sul). Além de museu, o espaço também funciona como arquivo de documentos históricos da cidade. Durante o período do estágio (2025/1), a supervisão na instituição foi realizada pelo Secretário de Cultura de Arroio Grande, o historiador Anderson Machado. O projeto tinha por objetivo ensinar o conceito de memória aos alunos do ensino fundamental, utilizando as fotografias do arquivo do Museu Visconde de Mauá como objetos de estudo. Devido ao efeito da fotografia registrar uma imagem é possível, através de questionamentos, navegar por diferentes períodos que constituíram o desenvolvimento da estrutura urbana da cidade ao longo de décadas (SILVA, 2020). Os registros fotográficos, possibilitam apresentar aos discentes, neste caso, do sexto e oitavo ano do Ensino Fundamental da escola particular construindo o saber, uma cidade que, muitas vezes, eles não chegaram a conhecer, mas que fez parte do cotidiano de gerações anteriores. As fotos, utilizadas como material didático, permitem um exercício de aceder a acontecimentos passados utilizando memórias pessoais, herdadas e coletivas, alcançando e reforçando sentimentos de identidade individual e coletiva/comunitária. Esta prática, favorece que os discentes possam comparar, entre si, memórias vividas de formas diferentes, identificando a diversidade de pontos de vistas e experiências em relação a um mesmo momento. O envolvimento de pais, avós e irmãos mais velhos, enriquece a experiência, a partir do momento que os discentes passam a conhecer memórias pelos olhos de pessoas que habitam e interagem com os espaços, registrados nas fotos, antes mesmo deles nascerem. As fotos, no que concerne às crianças e adolescentes, com seu imediatismo de apresentação de informações, facilita a manutenção do interesse em sua análise e busca de detalhes. Estas fontes imagéticas demonstram ser um recurso de grande utilidade na construção de conhecimento das novas gerações sobre o processo de transformação do espaço urbano onde vivem. Através das fotos. Estas fotos também serviram para familiarizar os discentes com os conceitos de Memória (POLAK, 1989), História (BURKE, 2001), Patrimônio (VELHO, 2006) e Identidade (CANABARRO, 2017) . A exposição, denominada Fotografando Memórias, foi realizada entre os dias 3 e 4 de julho de 2025. A atividade começou com a seleção de fotografias, consultadas e retiradas do arquivo da instituição. Esta opção teve como objetivo trabalhar sobre fotos com ruas e construções que já não existem mais na cidade ou que mudaram muito de aparência. Fotos com o início da construção de prédios que existem ainda hoje. Fotos que apresentam prédios com funções diferentes das que exercem atualmente. Fotos que registraram partes da cidade que recém começavam a ser ocupadas e que atualmente estão completamente integradas à malha urbana. Esta abordagem visou exemplificar que embora Arroio Grande seja uma cidade pequena, ela também sofreu transformações, ela também tem seu dinamismo, vivenciado por diferentes gerações e que todo este processo significa produção de memórias. As fotos selecionadas foram dispostas sobre as mesas expositoras do Museu. Cada pequeno grupo de fotos compunha uma pequena exposição sobre um período ou sobre uma temática (clubes, igreja, praças). Um desses conjuntos estava dedicado à história da comunidade afrodescendente da cidade. Ainda foi possível selecionar grupos de fotos sobre as festas do município, algumas delas que não são mais realizadas, como a Festa do Arroz e a escolha da Garota do Pontal. Da mesma forma, foi exposto um conjunto com fotos sobre o carnaval de Arroio Grande, exposto junto a itens carnavalescos, como máscaras, fantasias e instrumentos musicais. Também houve uma seção da exposição dedicada aos retratos, que eram as fotos mais antigas, algumas do final do século XIX e outras do início do século XX. Nesta, foi possível comentar sobre as roupas, penteados, poses e objetos, bem como identificar personalidades importantes que tinham condições econômicas de se fazerem fotografar. Após uma rápida explanação, explicando os objetivos da exposição e a importância da Memória, História e Patrimônio na vida das pessoas e como elas contribuem para a construção de nossas identidades individuais e coletivas, foi permitido que os visitantes circulassem livremente conhecendo cada um dos conjuntos. A exposição tratou-se de um mergulho profundo nas memórias e no cotidiano de Arroio Grande, tendo as fotografias do acervo do Museu Visconde de Mauá como guias do passado e do presente dos seus visitantes.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Memórias Fotografadas: Uma abordagem sobre a Memória no Ensino de História através de Fotografias. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120861. Acesso em: 15 maio. 2026.