Vivências na Educação Física Escolar: Observação, Intervenção e a Busca por Uma Abordagem Inclusiva
Palavras-chave:
Educação, Física, Escolar, Práticas, Pedagógicas, Formação, DocenteResumo
A Educação Física (EF) escolar tem papel fundamental na formação integral dos estudantes, pois além de promover o desenvolvimento motor, contribui para dimensões cognitivas, afetivas e sociais do processo educativo. Contudo, pesquisas e observações em diferentes contextos apontam que esse componente curricular ainda se encontra fortemente marcado por práticas tradicionais, restritas ao esporte competitivo e ao rendimento físico. Essa abordagem, embora valorize habilidades específicas, tende a reforçar desigualdades e excluir alunos que não se enquadram no padrão de desempenho esperado. Nesse cenário, torna-se necessário refletir sobre as abordagens pedagógicas que contemplem a diversidade dos corpos, interesses e ritmos de aprendizagem, reconhecendo a escola como espaço de inclusão, diálogo e convivência democrática. A busca por uma prática pedagógica mais inclusiva na EF passa pela superação de modelos hegemônicos e seletivos, e pela valorização de estratégias que estimulem a cooperação, a autonomia e o respeito às diferenças. Ao criar condições para que todos os estudantes participem ativamente das aulas, independentemente de suas habilidades motoras, a disciplina pode se consolidar como um campo de experiências significativas, fortalecendo o senso de pertencimento e ampliando as possibilidades de aprendizagem. É nesse horizonte que se insere o presente trabalho, desenvolvido no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), a partir de observações e intervenções realizadas em uma escola pública da rede estadual de Uruguaiana-RS. O estudo teve como objetivo compreender de que forma fatores sociais, emocionais e estruturais interferem no processo de ensino-aprendizagem e compreender os desafios enfrentados no cotidiano escolar, a fim de propor alternativas que favoreçam uma abordagem inclusiva, e contribuam para práticas mais democráticas e acolhedoras. Nesta perspectiva, o presente trabalho apresenta as experiências vivenciadas no âmbito PIBID, contando como aporte metodológico com a observação participante, intervenção pedagógica e reflexão sobre a prática da EF escolar. Inicialmente, foi realizado um diagnóstico do contexto escolar, analisando as condições do espaço físico, a estrutura organizacional e as demandas pedagógicas específicas. Essa etapa foi fundamental para subsidiar ações práticas, como a revitalização de mesas no pátio com a pintura de tabuleiros de xadrez, proporcionando aos alunos uma atividade lúdica, intelectual e socializadora, capaz de integrar estudantes com diferentes interesses e habilidades. Paralelamente, a observação das aulas evidenciou que a EF ainda se mantém fortemente pautada em práticas tradicionais de caráter esportivizado, centradas em modalidades coletivas conduzidas de maneira tecnicista e competitiva. Tal configuração acaba por excluir aqueles alunos que não possuem as mesmas habilidades motoras, muitas vezes transformando dificuldades em situações de insegurança e exclusão, além de desconsiderar a diversidade de corpos, ritmos e interesses que compõem a comunidade escolar. Essa realidade, associada à limitação do espaço físico e à carência de recursos, mostrou-se como um dos principais entraves para o engajamento dos estudantes, resultando em desinteresse e baixa participação. A experiência prática revelou ainda que a intervenção pedagógica exige flexibilidade, criatividade e constante adaptação frente a imprevistos, como questões logísticas e condições climáticas, o que reafirma a importância da formação continuada de professores. O diálogo com referenciais teóricos, especialmente com Paulo Freire e com a abordagem desenvolvimentista, reforçou a necessidade de repensar as metodologias, investindo em abordagens críticas da EF, com práticas diversificadas, ativas e participativas, capazes de ampliar o repertório de experiências corporais e promover a inclusão. Ainda, destaca-se a relevância da gestão democrática do ensino, na qual os alunos são chamados a participar da escolha dos conteúdos e da organização das atividades, construindo assim um espaço pedagógico mais engajador e acolhedor. Os resultados demonstram que iniciativas simples, como a criação de novos espaços de convivência e interação ou a proposição de modalidades alternativas e menos competitivas, como corridas de revezamento com desafios e circuito de habilidades mistas, podem gerar impactos positivos no processo de integração e pertencimento dos estudantes. Conclui-se que a EF escolar, ao ser planejada de maneira crítica, inclusiva e democrática, tem o potencial de superar práticas excludentes e contribuir para a formação integral dos alunos. Dessa forma, o PIBID revelou-se um espaço formativo essencial não apenas para os estudantes da educação básica, mas também para os licenciandos, que puderam articular teoria e prática, desenvolver a sensibilidade pedagógica e fortalecer o compromisso com uma escola que valorize a diversidade, o respeito e a participação de todos.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Vivências na Educação Física Escolar: Observação, Intervenção e a Busca por Uma Abordagem Inclusiva. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120837. Acesso em: 15 maio. 2026.