Inclusão de crianças com autismo no ensino regular por meio de abordagens multissensoriais
Palavras-chave:
Estimulação, sensorial, Práticas, pedagógicas, Educação, inclusivaResumo
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurológica que impacta o desenvolvimento e se caracteriza pela presença de comportamentos repetitivos e estereotipados, exigindo atenção individualizada. A inclusão escolar fundamenta-se no planejamento de estratégias que promovam o acesso, a permanência e a aprendizagem de todos os alunos, e a abordagem multissensorial surge como um recurso valioso ao combinar estímulos visuais, táteis, auditivos, olfativos e gustativos, promovendo experiências significativas e maior compreensão dos conteúdos abordados em sala de aula. Assim, este estudo visa investigar como o uso de abordagens multissensoriais pode contribuir para a inclusão de crianças com TEA no ensino regular, considerando as características do transtorno e suas implicações no contexto escolar, explorando os princípios da educação inclusiva e o papel do Atendimento Educacional Especializado (AEE), bem como a implementação dessas estratégias adaptadas às necessidades desses alunos, analisando os impactos na participação em sala de aula e obtendo a percepção de profissionais quanto à eficácia das práticas utilizadas. Para investigar o potencial dessas metodologias na inclusão de crianças com TEA, realizou-se uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, composta por duas etapas: a aplicação de uma atividade multissensorial, denominada Arte com sal, e a coleta da percepção de uma professora do AEE. A atividade foi realizada com um aluno de 6 anos com TEA, em uma escola municipal de Bagé, Rio Grande do Sul, utilizando materiais como cola líquida, sal, papel A4, tintas coloridas, água e pincel. Durante a proposta, que teve duração de 30 minutos, foram observados o comportamento, a interação e a atenção do estudante. Simultaneamente, foram elaboradas quatro perguntas abertas para a docente, abordando se atividades com diferentes materiais beneficiam alunos com TEA, se estimulam a atenção e a participação, quais dificuldades são comuns nesse tipo de prática e quais cuidados considera fundamentais para garantir resultados positivos. Observou-se que o estudante permaneceu concentrado, demonstrou autonomia ao manusear os materiais e entusiasmo ao explorar as cores, evidenciando que a proposta despertou curiosidade e prazer, além de contribuir para a participação ativa no processo. A análise das respostas da professora apontou que atividades com diferentes materiais promovem o desenvolvimento da atenção, da criatividade e da interação de alunos com TEA, por proporcionarem experiências prazerosas e fora das atividades rotineiras. Contudo, a docente ressaltou que o excesso de estímulos sensoriais pode gerar distrações, o que exige adaptações e uma mediação mais cuidadosa para que as atividades sejam eficazes e inclusivas. Conclui-se que as abordagens multissensoriais potencializam notavelmente o engajamento, a autonomia e a atenção, fortalecendo a inclusão e o prazer ao aprender. Constatou-se a necessidade de planejamento por parte do professor para enfrentar empecilhos relacionados à diversidade de respostas sensoriais, considerando as particularidades de cada aluno. Ademais, destaca-se a importância de uma formação docente contínua, que forneça subsídios teóricos e práticos para lidar com as especificidades do TEA, bem como o suporte do AEE como aliado fundamental para uma inclusão satisfatória. Espera-se que esta investigação contribua para ampliar reflexões sobre procedimentos didáticos mais sensíveis e intencionais, capazes de valorizar as diferenças e reconhecer as potencialidades de cada estudante como parte essencial do processo de ensino e aprendizagem.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Inclusão de crianças com autismo no ensino regular por meio de abordagens multissensoriais. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120824. Acesso em: 15 maio. 2026.