Supermercado Didático: Matemática em Ação
Palavras-chave:
Matemática, cotidiano, Ludicidade, Jogo, didáticoResumo
A matemática está presente nas atividades cotidianas, especialmente em situações que envolvem o uso e o manuseio do dinheiro. Essa atividade teve início a partir de um episódio real vivenciado por uma aluna do 6º ano, que, ao realizar uma compra em um supermercado, recebeu o troco em moedas e, ao ser questionada pela operadora do caixa se o valor estava correto, respondeu que sim, embora não soubesse contá-lo. O caso foi relatado pela professora regente de Matemática e atual supervisora dos pibidianos, na escola Téo Vaz Obino, que considerou inadmissível que estudantes do Ensino Fundamental não dominassem uma habilidade básica como contar dinheiro. A partir dessa inquietação, foi sugerido ao grupo do PIBID a criação de uma proposta prática para desenvolver a educação financeira entre os alunos, unindo ludicidade e aprendizagem significativa. Com esse objetivo, desenvolveu-se um jogo didático baseado em um supermercado simulado, que possibilitasse aos alunos exercitarem operações matemáticas aplicadas ao uso do dinheiro. O espaço foi organizado em setores, como padaria, hortifruti, mercearia e açougue. Também foram confeccionadas cédulas e moedas fictícias, simulando o dinheiro real. Antes da aplicação do jogo, foi realizado um pré-teste com quatro problemas que envolviam valores a pagar e troco a receber, onde se detectou uma grande dificuldade em relação à compreensão e manuseio de dinheiro. No pré-teste, dos alunos do 6º ano, dos 16 alunos, 6 estudantes tiraram zero, refletindo a falta de familiaridade com o uso do dinheiro. No 7º ano, a situação foi ainda pior com metade da turma tirando zero. A necessidade de um incentivo à aprendizagem dos conceitos relacionados ao valor das moedas e cédulas ficou evidente, servindo como base para o desenvolvimento da atividade. A primeira aplicação do jogo ocorreu em uma turma do 7º ano, dividida em grupos. Cada grupo recebeu R$80,00 fictícios e uma receita com itens a serem comprados. Um dos grupos assumiu o papel de caixa, sendo responsável pelos cálculos e devolução do troco. No entanto, observou-se grande dificuldade dos alunos em se concentrarem, calcular corretamente os valores e conferir o troco, além de desinteresse por parte da turma. Esses resultados indicaram que a estratégia precisaria ser revisada. A atividade foi, então, adaptada e aplicada em uma turma do 6º ano. A dinâmica foi individual: cada aluno recebeu R$100,00 fictícios e deveria realizar até duas compras. A pibidiana, atuou como operadora de caixa, entregava trocos incorretos propositalmente para testar a atenção dos estudantes. Embora a turma do 6º ano tenha demonstrado maior envolvimento e interesse, a maioria ainda teve dificuldades em identificar o erro. Após a aplicação do jogo e da observação das dificuldades, foi realizado o pós-teste que indicou uma evolução perceptível em relação ao pré-teste. Embora a maioria dos alunos ainda tenham encontrado dificuldades, a maior participação e a capacidade de atenção dos estudantes aumentaram. A evolução foi visível no fato de que alguns alunos conseguiram identificar os erros no troco e solicitaram correções, o que não ocorreu no pré-teste. Isso demonstrou que, embora o processo ainda esteja em andamento, a atividade contribuiu de maneira positiva para a aprendizagem dos conceitos financeiros. Pesquisas recentes corroboram a eficácia de abordagens lúdicas no ensino de educação financeira. Oliveira e Oliveira (2024), por exemplo, defendem que sequências didáticas e métodos lúdicos são essenciais para o ensino de conceitos financeiros, pois promovem um ambiente de aprendizagem mais envolvente e eficaz. A pesquisa de Vieira (2023) ressalta a importância de incluir atividades práticas e lúdicas para o desenvolvimento do pensamento crítico em educação financeira, alinhando-se à proposta do jogo do supermercado simulado. Diante dos resultados obtidos, será feita uma análise mais detalhada do jogo, com o objetivo de aprimorá-lo e sanear as fragilidades no conhecimento, relacionadas ao manuseio de dinheiro. O jogo será aplicado novamente para buscar superar dificuldades e reforçar a aprendizagem financeira, destacando a importância de práticas que desenvolvem habilidades matemáticas do cotidiano. A experiência com o supermercado simulado se mostrou uma estratégia eficaz e com grande potencial educativo, pois alia ludicidade, contexto real e resolução de problemas, como defendido por Freitas (2023) ao afirmar que metodologias lúdicas e sequências didáticas são essenciais para o ensino de conceitos financeiros, pois permitem maior envolvimento dos alunos e favorecem a aprendizagem significativa em situações cotidianas. Além disso, a aplicação do jogo nos anos seguintes, incluindo 8º e 9º ano, permitirá continuar o processo de melhoria do ensino, buscando sanar possíveis falhas e dificuldades no manuseio do dinheiro e preparando os alunos para o uso consciente e responsável de suas finanças pessoais.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Supermercado Didático: Matemática em Ação. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120817. Acesso em: 14 maio. 2026.