Futsal Feminino na Escola: Um Caminho para Equidade de Gênero no Ensino Fundamental
Palavras-chave:
Inclusão, Educação, Física, Escolar, Equidade, Gênero, Formação, professoresResumo
O futsal é uma das práticas esportivas mais difundidas no Brasil e, nas escolas, ocupa posição central no cotidiano dos estudantes, configurando-se como um espaço privilegiado de socialização e desenvolvimento corporal. Contudo, historicamente, a manifestação de cultura corporal é marcada por barreiras relacionadas às desigualdades de gênero que limitam a participação das meninas e reforçam estereótipos que vinculam determinadas práticas esportivas ao universo masculino. Essa realidade tem contribuído para a manutenção de um cenário no qual o acesso das alunas às práticas corporais permanece restrito, gerando receio, vergonha e ausência de representatividade. Nesse contexto, o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência, Subprojeto Educação Física, desenvolveu uma ação de reflexão sobre a inclusão das meninas no futsal escolar, entendendo o esporte como direito de todos e todas e como campo de disputas simbólicas capaz de produzir também exclusões. O presente trabalho, portanto, teve como objetivo relatar as ações realizadas sobre a tematização do Futsal Feminino na cultura corporal potencializando a promoção da equidade no contexto da maior escola da rede pública municipal de Uruguaiana/RS. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência. Participaram destas ações quinze estudantes do Ensino Fundamental, um professor, um gestor, dois bolsistas de iniciação à docência em EF do PIBID. A iniciativa emergiu da necessidade de enfrentar desigualdades históricas enraizadas no cotidiano escolar, que ainda naturalizam a presença masculina como dominante em modalidades como o futsal, relegando às meninas uma posição secundária ou mesmo de exclusão nas suas práticas. Para alcançar esses objetivos, foram utilizadas metodologias qualitativas de caráter exploratório, com destaque para a observação participante, o registro sistemático em diários de campo e a realização de diálogos com professores, alunas e membros da equipe gestora. Essas ferramentas de investigação permitiram uma leitura aprofundada das dinâmicas escolares, evidenciando a complexidade das relações que se estabelecem em torno do esporte educacional e revelando tensões entre tradição e transformação. A observação participante possibilitou acompanhar as aulas de Educação Física e os momentos de prática esportiva no cotidiano escolar, identificando situações de exclusão, disputas por espaço físico e estratégias de resistência protagonizadas pelas estudantes. Os registros em diário de campo se mostraram fundamentais para sistematizar impressões, organizar evidências e construir análises mais consistentes acerca das vivências observadas. Já os diálogos com a comunidade escolar abriram espaço para compreender como professores e gestores interpretam as desigualdades de gênero no esporte, além de escutar diretamente às percepções das alunas, que manifestaram tanto interesse pela prática quanto inseguranças diante da baixa representatividade feminina na modalidade. Os resultados demonstraram que, apesar de persistir uma cultura esportiva fortemente masculinizada, há um movimento crescente de interesse das meninas pelo futsal e uma abertura progressiva da escola para implementar medidas inclusivas. Entre as iniciativas destacam-se a organização de práticas em horários específicos para alunas, a criação de espaços de diálogo sobre preconceitos de gênero e a valorização das experiências das estudantes em sala de aula. Essas ações, ainda que iniciais, constituem passos significativos na construção de um ambiente escolar mais equitativo, que reconhece a diversidade e rompe com a lógica de exclusão historicamente associada ao esporte. Além disso, a experiência evidenciou que a atuação do PIBID transcende a dimensão técnica da docência, promovendo a aproximação entre teoria e prática e contribuindo para a formação de professores críticos, reflexivos e comprometidos com a justiça social. Ao colocar em prática estratégias de escuta, diálogo e valorização das demandas da comunidade escolar, os bolsistas puderam compreender que ensinar Educação Física implica também assumir responsabilidade ética e política diante das desigualdades presentes na sociedade. Conclui-se que o futsal escolar, quando tratado como espaço de inclusão, pode se tornar um instrumento de democratização do acesso às práticas corporais, fortalecendo a participação das alunas e ampliando seu protagonismo no ambiente esportivo. A experiência relatada aponta que mudanças culturais não ocorrem de maneira imediata, mas são possíveis a partir de ações pedagógicas planejadas, da escuta das estudantes e do compromisso coletivo com a equidade. Assim, o trabalho desenvolvido reforça que a formação docente, pautada pela reflexão crítica sobre a realidade escolar, estimula professores em formação inicial a reconhecerem a relevância do esporte como ferramenta de transformação social. Ao aproximar universidade e escola, teoria e prática, o projeto possibilitou um processo forDownloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Futsal Feminino na Escola: Um Caminho para Equidade de Gênero no Ensino Fundamental. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120766. Acesso em: 15 maio. 2026.