A IMPLEMENTAÇÃO DE UM CLUBE DE CIÊNCIAS COMO AÇÃO EXTENSIONISTA NO ENSINO BÁSICO

Autores

  • Priscila Ramos de Souza
  • Carla Beatriz Spohr
  • Eliade Ferreira Lima
  • Tatiana Horst de Oliveira Fioravanti

Palavras-chave:

Clube, Ciências, Ensino, Extensão, Escolar

Resumo

A integração entre a experimentação, elementos lúdicos, metodologias ativas e a valorização do contexto sociocultural configura-se como um instrumento relevante para a promoção da cultura científica, o fortalecimento do letramento científico e a formação cidadã crítica, comprometida com a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável. Partindo dessa perspectiva, este trabalho relata as ações de implementação de um Clube de Ciências em uma escola pública da comunidade ribeirinha de Uruguaiana (RS), constituindo-se como uma ação extensionista desenvolvida por bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) do curso de Ciências da Natureza Licenciatura da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). A escola atende majoritariamente filhos de catadores, pescadores, costureiras e outros trabalhadores informais, enfrentando desafios socioambientais significativos, como enchentes recorrentes, poluição das águas e acúmulo de resíduos sólidos nas ruas. Esses fatores influenciam diretamente a vida escolar e reforçam a necessidade de práticas educativas que articulem ciência, cidadania e sustentabilidade. Nesse contexto, o Clube de Ciências busca oferecer um espaço de aprendizagem não formal capaz de despertar a curiosidade, o pensamento crítico e a consciência ambiental, aproximando o conhecimento científico da realidade vivenciada pelos estudantes e incentivando ações transformadoras na comunidade. O planejamento metodológico foi inspirado nas orientações de Mancuso, Lima e Bandeira (1996), que destacam os clubes de ciências como ambientes privilegiados para integrar teoria e prática, desenvolver habilidades investigativas e promover a interdisciplinaridade, articulando diferentes áreas do conhecimento de forma criativa e contextualizada. A proposta também dialoga com princípios das metodologias ativas, nas quais o aluno assume papel central no processo de aprendizagem, participando da tomada de decisões, definição de temas e execução das atividades. Estruturado para atender alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e também do Ensino Médio, o Clube realiza encontros quinzenais de 45 minutos no laboratório de ciências e em outros espaços escolares, contemplando momentos expositivos, experimentais e reflexivos. As etapas iniciais envolveram a elaboração de um plano de ação, regulamento interno e roteiro de apresentação, que estabeleceram objetivos gerais e específicos, regras de participação, responsabilidades e estratégias de comunicação. A campanha de divulgação contou com cartazes temáticos e a criação do personagem Prof. Dr. Fulano Cobalto, um cientista caricatural pensado para atrair os estudantes e, ao mesmo tempo, desconstruir estereótipos sobre cientistas, aproximando a figura do pesquisador da realidade dos alunos. No evento inaugural, o personagem conduziu o jogo Caça ao Tesouro, no qual os participantes solucionaram charadas que os levaram às peças de um quebra-cabeça; ao final, a montagem revelou a identidade visual provisória do Clube. Paralelamente, aplicou-se uma carta de intenções para registrar as expectativas dos participantes, acolher sugestões para o nome oficial e reunir desenhos que servirão de base para a criação colaborativa do logotipo definitivo. Os alunos do 3º ano do Ensino Médio foram convidados a atuar como mentores e agentes multiplicadores, apoiando a mediação das atividades, orientando colegas mais jovens e incentivando a permanência no Clube, favorecendo, dessa forma, o protagonismo da turma de formandos. Como resultados parciais, observou-se alta adesão dos estudantes, interesse pelas temáticas propostas e formação de grupos voltados à pesquisa, experimentação e divulgação científica. As perspectivas futuras incluem a realização de oficinas temáticas sobre astronomia, química experimental, ecologia local e sustentabilidade, além de saídas de campo para observação do meio ambiente, análise de impactos ambientais e proposição de soluções para problemas da comunidade. Projetos práticos como horta escolar, compostagem e ações de reciclagem estão previstos, reforçando o compromisso com a educação ambiental e o protagonismo juvenil.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

A IMPLEMENTAÇÃO DE UM CLUBE DE CIÊNCIAS COMO AÇÃO EXTENSIONISTA NO ENSINO BÁSICO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120716. Acesso em: 15 maio. 2026.