Enem em Movimento: Uma Proposta de intensivão a Partir da Realidade da Comunidade Escolar
Palavras-chave:
Educação, Física, Jogos, Educativos, InterdisciplinaridadeResumo
A Educação Física no Ensino Médio, embora respaldada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que orienta para a formação integral e a valorização da diversidade de práticas corporais, ainda apresenta em muitas escolas uma configuração tradicional, centrada no modelo esportivizado, que privilegia o rendimento físico, a competição e a reprodução de técnicas. Esse formato, muitas vezes distante da realidade e dos interesses dos jovens, acaba contribuindo para o desinteresse dos estudantes e para sua baixa participação nas aulas, o que compromete o potencial da disciplina em promover aprendizagens significativas, críticas e inclusivas. Em uma escola estadual de Ensino Médio, localizada em Uruguaiana/RS, esse quadro se mostra ainda mais desafiador em razão de aspectos estruturais e sociais: o número reduzido de alunos matriculados no Ensino Médio (apenas 23), a necessidade de unir turmas do Ensino Fundamental e Médio em algumas disciplinas, as dificuldades de aprendizagem em conteúdos básicos, como Língua Portuguesa e Matemática, e a baixa frequência discente. Esses elementos refletem desigualdades educacionais que se intensificam em contextos periféricos e impactam diretamente a motivação e o desempenho escolar. Frente a essa realidade, a gestão escolar, em diálogo com professores e bolsistas universitários, buscou estratégias para fortalecer os vínculos dos alunos com a escola, ampliar sua permanência e tornar o processo de ensino-aprendizagem mais atrativo. Nesse contexto, foi idealizado e implementado o projeto Intensivão do ENEM em Movimento, concebido como uma proposta pedagógica inovadora que integrou conteúdos das diferentes áreas de conhecimento com práticas corporais e jogos educativos, aproximando os estudantes dos conteúdos exigidos pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de forma lúdica, cooperativa e contextualizada. A metodologia adotada fundamentou-se na pesquisa-ação, por permitir a articulação entre teoria e prática e a participação ativa dos sujeitos envolvidos no processo educativo, o que possibilitou observar a realidade, identificar os problemas, planejar coletivamente as atividades, implementá-las de maneira criativa e avaliá-las de forma contínua. As intervenções ocorreram entre maio e julho, em encontros semanais conduzidos pelo professor de Educação Física e por bolsistas de licenciatura, que assumiram funções de planejamento, observação e mediação pedagógica. O desenvolvimento das práticas foi organizado em diferentes etapas: um circuito de estações que integrou conteúdos escolares com desafios motores, estimulando a interdisciplinaridade; jogos pedagógicos, como Bingo do ENEM, Show do Milhão e Passa ou Repassa, adaptados para revisão de conteúdos; atividades em grupo que promoveram cooperação, respeito e empatia; além do protagonismo estudantil, assegurado pela participação dos alunos na escolha e avaliação das atividades. A experiência demonstrou que a introdução de práticas lúdicas e metodologias ativas favoreceu um maior engajamento dos estudantes, que se mostraram mais motivados, participativos e interessados nas aulas, ainda que as condições estruturais limitadas da escola tenham exigido adaptações constantes. As rodas de conversa e os momentos de avaliação indicaram que os alunos passaram a se sentir mais valorizados, fortaleceram vínculos entre si e com a instituição, e desenvolveram competências socioemocionais importantes, como autonomia, responsabilidade e cooperação. A utilização dos jogos e desafios possibilitou, ao mesmo tempo, a revisão de conteúdos centrais do ENEM e a ressignificação da Educação Física como espaço de construção coletiva do conhecimento. Do ponto de vista pedagógico, o projeto oportunizou aos professores a reflexão crítica sobre suas práticas, permitindo ajustes contínuos em diálogo com os estudantes, em consonância com uma perspectiva dialógica e emancipatória da educação. Ainda que a baixa frequência estudantil tenha se mantido como obstáculo, a experiência contribuiu para pensar estratégias mais criativas e inclusivas para enfrentar esse desafio, reforçando o compromisso da escola com a permanência e a aprendizagem dos alunos. Conclui-se que a integração entre conteúdos escolares e práticas corporais lúdicas constitui uma estratégia eficaz para revisar de forma significativa os conteúdos exigidos no ENEM, estimular a participação ativa, promover aprendizagens interdisciplinares e fortalecer vínculos com a comunidade escolar, reafirmando o papel da Educação Física como componente curricular essencial ao desenvolvimento integral do estudante e à construção de uma escola mais democrática, motivada e alinhada às demandas contemporâneas da educação básica.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Enem em Movimento: Uma Proposta de intensivão a Partir da Realidade da Comunidade Escolar. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120693. Acesso em: 15 maio. 2026.