Pibid Música/ Sustentabilidade nas Aulas de Música Vira Questão de Autoconhecimento

Autores

  • Flavia Olivella Oliveira
  • Igor Neto Paz
  • Sandra Mara Valim Barbosa Alves

Palavras-chave:

Educação, musical, arte, música

Resumo

No início da imersão junto ao PIBID, o maior desafio foi buscar em si mesmo uma figura capaz de dialogar com os alunos, oferecendo suporte, ideias e estímulos que realmente os tocassem, ao mesmo tempo em que se assumia a identidade de professor em formação. Observar os docentes da escola e perceber a dedicação de cada um, sobretudo no final do ano letivo e durante a reunião de conselho de classe, também se mostrou desafiador, mas, com o tempo, a ambientação ocorreu naturalmente: a professora orientadora apresentou as tarefas, os planejamentos e os encaminhamentos, permitindo que tudo tomasse forma. Toda vivência se transforma em aprendizado quando a observação está presente, e a experiência aqui relatada traduz expectativas, a busca pela construção da identidade docente e o enfrentamento da realidade da sala de aula, especialmente no que se refere à relação entre alunos e professores. A atividade que originou este relato esteve vinculada ao tema Sustentabilidade, em consonância com a proposta do simpósio Ciência, Comunidade e Sustentabilidade: Aquífero Guarani como elo transfronteiriço, e teve como ponto de partida a compreensão de quais músicas faziam parte do cotidiano dos estudantes, valorizando suas referências culturais. Amparados por Caroline Ponso, que ressalta como discutir o gosto musical dos alunos é enriquecedor e promove o reconhecimento da diversidade, foi possível ampliar o debate para reflexões sobre autoconhecimento e expressão subjetiva. As questões levantadas foram múltiplas: estariam os alunos dispostos a olhar para dentro de si? Desejam esse movimento? Qual a importância de falar sobre autoconhecimento em aulas de música? E como a escola acolhe essas reflexões? Acredita-se que o autoconhecimento é base para a transformação e para a tomada de decisões mais conscientes, e, nesse sentido, a atividade uniu a escuta musical à reflexão crítica, alinhando-se ao tema do simpósio e à proposta de formação integral. A partir de uma solicitação da escola, relacionada à mostra sobre sustentabilidade, foi necessário readequar o planejamento inicial que previa apenas a elaboração de playlists para incluir também reflexões mediadas pela escuta e análise de músicas selecionadas pelos próprios estudantes, com o objetivo de aprofundar a apreciação musical e incentivar a expressão de percepções pessoais e subjetivas. O trabalho desenvolveu-se em etapas: cada turma organizou uma playlist coletiva sem restrições de gênero, idioma ou estilo; em seguida, realizou-se a escuta compartilhada do repertório, permitindo a vivência coletiva das escolhas; e, por fim, os alunos registraram por escrito os motivos de suas escolhas, os significados atribuídos às músicas e os impactos emocionais da escuta. O planejamento foi fundamentado na BNCC (2017), que, no componente de Arte, destaca a apreciação musical como prática de escuta sensível, crítica e criativa, e foi desenvolvido em conformidade com as orientações da escola, ocorrendo majoritariamente na sala de artes, com apoio de celulares e caixa de som. O foco esteve na escuta ativa, sem julgamentos, tanto por parte dos estudantes quanto dos bolsistas do PIBID. Do ponto de vista teórico, Swanwick (2003) ressalta que a experiência musical é um espaço de construção de significados que perpassam dimensões estéticas e pessoais, permitindo ao sujeito se reconhecer por meio da música, enquanto Penna (2010) reforça que a educação musical deve contemplar a diversidade de repertórios e valorizar as identidades culturais dos alunos, numa perspectiva próxima à concepção de educação libertadora de Freire (1996), ao promover protagonismo estudantil e trazer vivências pessoais para o espaço escolar. Apesar de certa resistência inicial, uma vez que a atividade envolvia aspectos pessoais e, em alguns casos, sensíveis, o fato de os bolsistas estarem em início de docência e próximos à faixa etária dos alunos favoreceu a comunicação, contribuindo para criar um ambiente acolhedor e propício à participação, reforçando a potência da música como caminho para o diálogo, a reflexão e o autoconhecimento.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Pibid Música/ Sustentabilidade nas Aulas de Música Vira Questão de Autoconhecimento. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120656. Acesso em: 10 jun. 2026.