Relato de Estágio em Usina Termelétrica: Práticas de Gestão de Resíduos Sólidos na Engenharia Química

Autores

  • Lilian Rocha dos Santos
  • Maíra Lima Pereira
  • Maria Alejandra Liendo

Palavras-chave:

Gerenciamento, resíduos, sólidos, Legislação, Ambiental, Sustentabilidade

Resumo

O gerenciamento de resíduos sólidos constitui uma das principais estratégias para reduzir impactos ambientais e garantir a conformidade legal em empreendimentos industriais. No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305/2010, estabelece diretrizes essenciais, como a não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos. Além disso, o artigo 7º dessa legislação orienta que as empresas devem integrar a gestão de resíduos à sua rotina operacional, assegurando a proteção da saúde pública e do meio ambiente. Por outro lado, o estágio supervisionado, é uma etapa fundamental na formação acadêmica do estudante, uma vez que possibilita colocar em prática conhecimentos adquiridos ao longo do curso, ampliando a capacidade técnica e a percepção crítica sobre os desafios da sustentabilidade. Este relato descreve a experiência em uma usina termelétrica no sul do Brasil, no setor de Meio Ambiente, com foco no gerenciamento de resíduos sólidos. As atividades acompanharam todas as etapas do processo, desde a segregação até a destinação final. Inicialmente, os resíduos foram classificados em Classe I (perigosos) e Classe II (não perigosos), de acordo com normas ambientais aplicáveis. Essa segregação foi determinante para uma destinação correta, garantindo que materiais recicláveis e reutilizáveis não fossem comprometidos por resíduos perigosos. Os classificados como Classe II são subdivididos em IIA não inertes e IIB como inertes, dentro desse fluxo temos como exemplo madeiras classificadas como IIA as quais têm um aproveitamento industrial. Já papel, plástico e papelão são destinados às empresas parceiras de reciclagem, com o intuito de apoiar e valorizar a economia local e assim incentivar o desenvolvimento da comunidade. A rotina envolve vistoria em pontos de descarte, acompanhamento da troca de caçambas, pesagem e registro de resíduos na Central de Armazenamento, emissão do Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) via sistema da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM), além da solicitação de emissão das notas fiscais e comunicação constante com transportadoras e destinadoras licenciadas. Para essas atividades, foram utilizadas ferramentas digitais como planilhas de controle, softwares internos de logística e o próprio sistema eletrônico da FEPAM, assegurando rastreabilidade e legalidade em todas as etapas. Também foram desenvolvidas atividades complementares, como apoio na tabulação de dados sobre emissões atmosféricas, qualidade da água e tratamento de efluentes, além da participação em ações educativas, como a Semana do Meio Ambiente. Com a gestão implementada, aproximadamente 95% do total gerado foi reaproveitado, reduzindo significativamente o volume encaminhado a aterros. Essa experiência mostrou a importância da segregação correta, da rastreabilidade via MTR e da integração entre gerador, transportador e receptor favorecendo o desenvolvimento do saber técnico e a consolidação da responsabilidade ambiental de todos os envolvidos. A experiência evidenciou que a gestão de resíduos sólidos, além de ser uma exigência legal, é um instrumento de eficiência e sustentabilidade que permite reduzir riscos ambientais e otimizar o uso de recursos. O estágio reforçou a importância do papel do engenheiro químico na condução dessas práticas, integrando teoria e prática, legislação e técnica, e contribuindo para a formação profissional comprometida com o desenvolvimento sustentável. A atividade possibilitou o desenvolvimento de competências técnicas e socioambientais importantes para a atuação profissional.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Relato de Estágio em Usina Termelétrica: Práticas de Gestão de Resíduos Sólidos na Engenharia Química. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120651. Acesso em: 10 jun. 2026.