Cinema e sociedade

Autores

  • Larissa Gonçalves Dos Santos
  • Eduardo Vieira da Silva

Palavras-chave:

Cinema, memória, ditadura

Resumo

Cinema é uma importante forma de arte, mas não se resume a isso. É também uma ferramenta de comunicação, expressão e de se registrar a história. No maior momento de censura do Brasil, o período da ditadura militar (1964-1985), foi imposta uma única política em que o contraditório era considerado crime. Apesar de tudo, o cinema se manteve forte, e mesmo sob ditadura, manteve seu propósito de dar voz aos sentimentos da sociedade e de um período tão brutal, durante o regime militar, a censura e a tortura se tornaram as ferramentas principais para controle público. Antes de ir as telas, os filmes precisavam ser analisados e aprovados pelo estado, temas como desigualdade social, sexualidade, crítica ao governo e tortura eram barrados. Ainda assim, foram usadas diversas formas para conseguir driblar a repressão, utilizando metáforas e simbolismos para expor suas opiniões, a violência do Estado e o desejo em comum da sociedade, a liberdade. Outras produções utilizavam do humor ou do absurdo como ferramentas. Este trabalho tem como objetivo analisar o papel do cinema brasileiro, com foco em suas atividades durante a ditadura militar. Buscamos entender como as produções da época retratavam a censura sofrida pela sociedade e também como um dos períodos mais sombrios da história do país se reflete nos dias atuais. A elaboração deste projeto surge como resultado de uma reflexão aprofundada realizada a partir de um seminário desenvolvido no componente curricular Sociologia da Comunicação, do Curso de Relações Públicas. Durante o seminário, os discentes exploraram o tema "Cinema Brasileiro e a Ditadura Militar", analisando como a produção cinematográfica tem sido utilizada como meio de resistência, denúncia e memória histórica em contextos de regimes autoritários. A partir desse debate, o projeto buscou ampliar a compreensão sobre as relações entre comunicação, cultura e política, evidenciando o papel do cinema na construção e contestação de narrativas sociais durante os períodos de repressão. especialmente no período da ditadura militar brasileira. O processo de pesquisa envolveu a leitura e análise de artigos científicos, reportagens, filmes e documentários que tratam da história do cinema e de sua função como instrumento de resistência e memória. A organização do conteúdo seguiu uma linha cronológica, desde os primeiros registros cinematográficos até a chamada retomada nos anos 1990, destacando movimentos como o Cinema Novo e o Cinema Marginal, bem como o impacto da Embrafilme nas produções nacionais. Durante a preparação do seminário, foram selecionadas obras audiovisuais emblemáticas, como Que Bom Te Ver Viva, O Que É Isso, Companheiro? e Ainda Estou Aqui, que contribuíram para aprofundar a discussão sobre a ditadura militar a partir de perspectivas sensíveis e críticas. A realização do seminário Cinema Brasileiro e a Ditadura Militar possibilitou uma compreensão mais sensível e aprofundada sobre como o cinema refletiu os impactos da repressão no Brasil. A construção cronológica do conteúdo ajudou a visualizar a transformação do cinema nacional ao longo das décadas, mostrando como ele se tornou um instrumento de resistência e de preservação da memória coletiva. Os filmes citados ao longo da apresentação contribuíram para ilustrar, mesmo que de forma breve, diferentes aspectos da ditadura militar. "Que Bom Te Ver Viva" exemplificou os impactos da repressão nas vivências de mulheres perseguidas pelo regime. O Que É Isso, Companheiro? foi usado como referência para abordar a atuação dos militantes políticos, enquanto "Ainda Estou Aqui" serviu como ponto de partida para pensar nas marcas deixadas pela ditadura nas gerações seguintes. Como resultado, foi possível perceber que o cinema brasileiro não apenas registrou um período difícil da nossa história, mas também segue contribuindo para que ele não seja esquecido. As obras analisadas mostraram que a arte tem força para provocar reflexão, gerar identificação e estimular o pensamento crítico, especialmente quando se trata de temas que ainda ecoam na sociedade atual.A história do cinema brasileiro mostra não só um avanço técnico e estético, mas também como ele sempre esteve ligado aos momentos históricos, sociais e políticos do país. O cinema, nesse sentido, não é só um reflexo do que vivemos, mas também uma forma de transformar a realidade e dar espaço para vozes que precisam ser ouvidas.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Cinema e sociedade. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120631. Acesso em: 11 jun. 2026.