Da Roda de Conversa Leitura do Mundo: a Dialogicidade em Ação
Palavras-chave:
Rodas, conversa, Paulo, Freire, Leitura, mundo, PIBIDResumo
O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) é uma política pública que tem como um de seus objetivos primários sanar lacunas na formação teórico-prática de futuros educadores, oportunizando aos seus bolsistas o primeiro contato com a prática docente, integrando-os no cotidiano das escolas públicas. O subprojeto do curso de Licenciatura em História da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), atua com alunos de níveis fundamental e médio em três escolas públicas na cidade de Jaguarão-RS. A natureza operacional do projeto, caracterizada por ciclos interventivos, demanda de seus bolsistas a elaboração de propostas pedagógicas em um contexto de tempo limitado para diagnóstico, tornando necessária a utilização de instrumentos investigativos rápidos e com potencial para explorar a posição dos educandos enquanto produtores de saber, bem como seu repertório sociocultural e leitura do mundo. Ao afirmar que a leitura do mundo precede a leitura da palavra (1989), Paulo Freire demonstrava que o processo pedagógico deveria ter como ponto de partida o reconhecimento dos educandos enquanto sujeitos cognoscentes. É papel do educador empreender uma investigação do universo vocabular e de leitura do mundo dos educandos, visando gerar substrato material para a elaboração de situações problematizadoras. Deste contexto, as Rodas de conversas emergem como uma ferramenta de grande pertinência. Se trata de um método dialógico marcado pela horizontalidade, a partir dele, a sala de aula é reconfigurada para descaracterizar a posição de autoridade do educador frente aos educandos. É uma ferramenta baseada na ressonância coletiva, que objetiva ressaltar a autonomia dos participantes. Este trabalho é um relato de experiência referente ao planejamento e aplicação de rodas de conversas em escolas públicas da cidade de Jaguarão por bolsistas do PIBID, demonstrando o potencial deste método enquanto instrumento para exploração de leituras do mundo. O termo roda de conversa é utilizado para caracterizar qualquer intervenção baseada na construção dialógica, constituindo uma ferramenta utilizada em diversos contextos e para diferentes finalidades. Em nossa prática, utilizamos a ferramenta buscando aproximá-la do conceito de círculo de cultura, conforme sintetizado por Carlos Rodrigues Brandão no Dicionário Paulo Freire (2000). Trazendo para a sala de aula as práticas grupais de uso comunitário, o educador ocupa no círculo de cultura o papel de um coordenador do diálogo, operando como um ouvinte disposto a se relacionar com os saberes solidários construídos pelo grupo. É um instrumento pedagógico, onde cada participante atua ensinando e aprendendo. A partir deste conceito, planejamos intervenções em roda que tinham como objetivo primário a imersão dos bolsistas, de forma participativa, na consciência do mundo dos educandos. A revisão bibliográfica apontou que é costumeiro que a roda de conversa ocorra balizada por um questionário, porém, optamos por não orientar a prática a partir de um questionário fechado. Acreditamos que subordinar a prática às questões constituídas a priori representaria, em última instância, a negação de seu caráter dialógico. Optamos por aplicar os conceitos freirianos de construção dialógica de forma que o diálogo fosse elevado à diretriz da experiência, deixando de ser mera ferramenta metodológica. Optamos portanto pela formulação de um documento com perguntas norteadoras, com a consciência de que a experiência dialógica deveria transpor a baliza documental, evitando transformar a intervenção em uma experiência pedagógica típica da educação bancária. As rodas foram realizadas em turmas, de níveis fundamental e médio, de três escolas públicas de Jaguarão. Cada roda de conversa foi única, moduladas pelas formas originais de saberes, representativos das experiências individuais de cada grupo. A partir das experiências nas rodas de conversa, os bolsistas do PIBID (Subprojeto História) buscaram extrair temas geradores, conceito freiriano que pode ser definido como um eixo epistemológico constituído a partir das experiências concretas dos educandos. Os temas geradores serviram como ponto de partida para intervenções pedagógicas, atuando como elementos norteadores para uma leitura crítica da realidade. Embora a práxis educativa fundamentada nos temas norteadores esteja em curso no momento da formulação deste trabalho, a experiência prática evidenciou a eficácia das rodas de conversa como instrumento diagnóstico do universo discente. Como exemplo citamos a roda de conversa realizada com alunos do 7° ano do ensino fundamental em uma escola periférica do município de Jaguarão. Esta prática permitiu a elaboração de temas geradores que possibilitaram a realização de intervenções pedagógicas mais inclusivas, construídas a partir dos relatos dos educandos. Constituindo, desta maneira, a roda de conversa como uma ferramenta pertinente para a construção de intervenções pedagógicas de maneira ágil.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Da Roda de Conversa Leitura do Mundo: a Dialogicidade em Ação. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120623. Acesso em: 10 jun. 2026.