Experiências Formativas: Intervenção Pedagógica Sobre a Crise Climática no Rio Grande do Sul

Autores

  • Caroline Oliveira
  • Simone Pujol Leite
  • Douglas Wilson Herte Da Silva
  • Wellington Santos
  • Mayra da Silva Cutruneo Ceschini

Palavras-chave:

PIBID, Educação, Ambiental, Formação, Docente

Resumo

A intensificação das mudanças climáticas no Rio Grande do Sul tem se revelado uma realidade alarmante, especialmente diante dos eventos extremos registrados em 2024. As enchentes que atingiram 478 dos 497 municípios do Estado evidenciam os impactos diretos da crise climática sobre a população, com alagamentos, deslizamentos de terra, destruição de moradias, prejuízos econômicos e interrupções em serviços essenciais como educação e saúde. Em São Gabriel, município da região da Campanha, os efeitos foram particularmente severos: escolas foram afetadas, famílias desabrigadas e a infraestrutura urbana sofreu danos significativos. Esses fenômenos estão diretamente relacionados ao agravamento do efeito estufa, impulsionado por práticas humanas como a queima de combustíveis fósseis, o desmatamento, a agricultura intensiva e o consumo excessivo de recursos naturais. A elevação da temperatura média global altera padrões de chuva, intensifica eventos extremos e compromete ecossistemas inteiros. No contexto regional, os desequilíbrios ambientais afetam tanto áreas urbanas quanto rurais, exigindo respostas urgentes e articuladas. Nesse cenário, a escola se configura como espaço estratégico para a formação cidadã e o enfrentamento da crise climática. Com o objetivo de fomentar a compreensão dos estudantes sobre os fenômenos que desencadeiam as mudanças climáticas, seus impactos na sociedade e nos ecossistemas (com ênfase no contexto do Rio Grande do Sul). Bem como, desenvolver propostas para enfrentar estes desafios, os bolsistas do Programa de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) propuseram uma intervenção pedagógica em uma escola-campo do Programa em São GabrielRS. Esta intervenção foi desenvolvida durante o mês de junho de 2025, com estudantes do 7º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente João Goulart. O trabalho foi desenvolvido em três momentos distintos. Na primeira etapa, utilizamos slides para apresentar e explicar o que são as mudanças climáticas, suas principais causas e consequências. Foi um momento de diálogo, no qual também debatemos sobre as enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul em 2024, que impactaram fortemente várias cidades do estado, trazendo perdas humanas e materiais. A partir dessa contextualização, os estudantes puderam relacionar o tema com acontecimentos próximos de sua realidade. Em seguida, os alunos foram convidados a construir cartazes ilustrativos que representassem ideias de soluções e atitudes capazes de reduzir os impactos ambientais, como a economia de água e energia, a separação correta do lixo, a preservação das áreas verdes e a valorização do transporte coletivo. Essa atividade possibilitou que os estudantes expressassem suas percepções de forma criativa e colaborativa, ao mesmo tempo, em que refletiam sobre como pequenas ações cotidianas podem contribuir para grandes mudanças. E, por fim, aplicamos um jogo didático (quiz) sobre mudanças climáticas, o que proporcionou um aprendizado mais dinâmico e interativo. Essa etapa incentivou a troca de ideias entre os estudantes e gerou entusiasmo, já que muitos participaram ativamente, demonstrando curiosidade e compartilhando exemplos de suas próprias vivências relacionadas ao tema. O jogo, além de consolidar os conhecimentos adquiridos, contribuiu para despertar o senso crítico e o engajamento coletivo, transformando o aprendizado em uma experiência leve, porém significativa. Durante as atividades, os alunos participaram, demonstraram curiosidades, relacionando os conteúdos discutidos com situações cotidianas, como o uso consciente da água em casa, a preocupação com os resíduos gerados e até mesmo relatos de familiares que foram diretamente afetados pelas enchentes de 2024. Essas trocas enriqueceram as atividades e mostraram que a educação ambiental, quando trabalhada de forma crítica e reflexiva, pode mobilizar os estudantes para a ação cidadã e responsável. É fundamental que os estudantes compreendam as interseções entre justiça social e justiça ambiental, reconhecendo que os impactos das mudanças climáticas afetam desigualmente diferentes grupos sociais. A formação docente é elemento central nesse processo, para os professores estarem capacitados para abordar questões ambientais com sensibilidade e profundidade. Isso reforça a importância do PIBID para a formação docente e o incentivo a projetos que aproximem a ciência, a universidade, a escola e a comunidade. Essa aproximação torna o conhecimento científico mais acessível e significativo, mostrando que a ciência não está distante da realidade dos alunos, mas sim presente em questões urgentes que afetam suas vidas. Dessa forma, concluímos que trabalhar o tema das mudanças climáticas em sala de aula não somente contribui para a construção de saberes acadêmicos, mas também para a formação de cidadãos críticos e conscientes, capazes de reconhecer sua responsabilidade diante da crise ambiental global.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Experiências Formativas: Intervenção Pedagógica Sobre a Crise Climática no Rio Grande do Sul. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120610. Acesso em: 10 jun. 2026.