Formação Docente no Ensino Superior: Experiências e Aprendizados no Estágio da Pós-graduação
Palavras-chave:
formação, professores, estágio, docência, prática, docenteResumo
A formação para a docência no ensino superior deve articular teoria e prática, sendo o estágio de docência orientada um momento essencial desse processo. Por meio dele, os futuros docentes vivenciam a prática em sala de aula, desenvolvem habilidades pedagógicas e refletem sobre os desafios do ensino superior. O presente estudo visa apresentar as atividades do estágio de docência orientada realizado no componente curricular de Introdução à Pesquisa, no 1º semestre de 2025. Optou-se pela abordagem qualitativa, fundamentada na pesquisa participante (Silveira; Córdova, 2009) e no relato de experiência (Mussi; Flores; Almeida, 2021). A pesquisa participante caracteriza-se pela imersão do pesquisador na realidade investigada. A análise foi construída a partir da observação participante, registros de campo e reflexões elaboradas ao longo da prática docente. Diante do exposto, o componente curricular de Introdução à Pesquisa visava compreender as bases que fundamentam o pensamento científico e suas diferentes abordagens. Apesar da oferta como componente curricular, também foi disponibilizado como extensão para interessados no tema do curso, incluindo estrangeiros. A carga horária total das atividades de estágio realizadas foi de 32 horas-aula, distribuídas em: estudo dos fundamentos e metodologias da pesquisa científica, acompanhamento de pesquisas em andamento com feedbacks personalizados, bem como a organização e divulgação de resultados por meio de publicações estáticas e audiovisuais em rede social, visando à difusão do conhecimento junto à comunidade acadêmica. Ao todo, foram registradas 108 inscrições, provenientes de diversos municípios e estados brasileiros, além de participantes de outros países, incluindo Uruguai, Moçambique, Angola, Argentina, Portugal, Peru e Colômbia. Destaca-se a diversidade tanto nos perfis dos candidatos quanto nas áreas do conhecimento representadas, o que tornou o processo de seleção de quem participaria no formato de extensão ainda mais desafiador. A meta estipulada foi a de selecionar 20 participantes da extensão, além daqueles que cursaram como componente (14 alunos inicialmente), divididos em grupos colaborativos, com o objetivo de transformar as investigações desenvolvidas ao longo do curso em trabalhos a serem submetidos a eventos acadêmicos, bem como à divulgação dos resultados no perfil do Instagram @conectapesquisa. O estágio revelou que muitos discentes tinham pouco contato com a pesquisa e a escrita acadêmica, demonstrando dúvidas quanto aos tipos de pesquisa e aos elementos essenciais de um texto acadêmico. Alguns participantes optaram pelo curso por interesse pela obtenção de horas em disciplinas eletivas, outros por estarem em fase de elaboração do TCC, para a superação de lacunas deixadas pela formação acadêmica em relação à pesquisa ou pelo desejo de se preparar melhor para o ingresso na pós-graduação. Outros, já inseridos na pós-graduação, buscavam aprofundar seus conhecimentos e aprimorar suas noções de pesquisa. As aulas, realizadas via Google Meet, foram organizadas de forma acessível a todos, utilizando como base um modelo de pré-projeto estruturado em template, permitindo que os participantes compreendessem, na prática, as etapas fundamentais do processo de pesquisa acadêmica. Durante o desenvolvimento do estágio, uma das principais aprendizagens foi compreender a complexidade do trabalho coletivo em pesquisas acadêmicas. Foi possível observar que um dos fatores que contribuiu para as desistências de vários discentes logo no início do semestre foi a divergência entre os interesses individuais e os objetivos em torno da proposta colaborativa. Antes das desistências, um dos desafios foi a comunicação e a adaptação às diferentes propostas de pesquisa, bem como às múltiplas áreas do conhecimento, níveis de formação e contextos geográficos. Ao mesmo tempo, a diversidade do público da turma enriqueceu o curso e motivou reflexões sobre como garantir a participação efetiva de todos. O estágio oportunizou uma reflexão sobre os diferentes papéis que um docente pode assumir ao longo da carreira. Embora o estagiário já atue como professor em sala de aula presencial com turmas de Ensino Médio, foi possível perceber que ser docente no ensino superior exige outras habilidades, que muitas vezes precisa atuar como um mentor. Não se trata apenas de ensinar conteúdo definido por um currículo, mas de acompanhar de perto a formação dos discentes, orientar, avaliar e incentivar os alunos a pensarem de forma crítica e autônoma. No ensino a distância, essa responsabilidade aumenta, pois é necessário buscar novas práticas pedagógicas, metodologias mais dinâmicas e formas de avaliação que realmente façam sentido para quem está do outro lado da tela. O estágio contribui profundamente para a formação como pesquisador e professor, já que foi um período que fortaleceu a prática, aprimorou a comunicação e reafirmou o compromisso com a educação de qualidade.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Formação Docente no Ensino Superior: Experiências e Aprendizados no Estágio da Pós-graduação. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120595. Acesso em: 10 jun. 2026.