Música e Matemática em Conexão: Um Relato de Experiência Interdisciplinar no Ensino Médio
Palavras-chave:
interdisciplinaridade, aprendizagem, significativa, raciocínio, lógicoResumo
A música, presente na vida humana em diferentes contextos sociais e culturais, tem se mostrado uma importante aliada no desenvolvimento cognitivo e emocional. Nesse contexto, tanto o conhecimento matemático quanto o musical adquirem maior profundidade e relevância à medida que essas conexões se intensificam e se diversificam. Este trabalho relata a experiência de um músico participante do projeto Acordes da Matemática, desenvolvido em uma escola pública de Ensino Médio da cidade de Itaqui RS, no âmbito do estágio curricular de uma estudante de Licenciatura em Matemática. A proposta teve como objetivo aproximar conceitos matemáticos e musicais, explorando as interseções entre percepção sensorial e raciocínio lógico por meio de práticas realizadas com o uso do violão. A metodologia consistiu em uma sequência de aulas aplicadas em três turmas do 2º ano do Ensino Médio, nas quais foram abordados conteúdos relacionados a frequências sonoras, escalas naturais e cromáticas, intervalos e acordes. As demonstrações musicais, aliadas a explicações matemáticas, possibilitaram aos alunos visualizar relações entre cálculos de frações, potências e frequências, bem como compreender a estrutura de acordes maiores e menores, associando-os às sensações de alegria e tristeza. Além disso, foram utilizadas músicas contrastantes para reforçar a percepção de como diferentes combinações de notas resultam em distintas expressões emocionais. A articulação entre esses dois campos do saber, considerando suas convergências e distinções, pode contribuir para a ampliação da rede de significados construída pelos alunos. O ato de conhecer envolve, em alguma medida, a compreensão dos sentidos atribuídos aos conteúdos, os quais não são fixos ou imutáveis, mas se constituem a partir das relações que estabelecemos entre diferentes elementos. Os resultados observados indicaram que a integração da música ao ensino de matemática despertou maior interesse e participação dos estudantes, facilitou a compreensão de conceitos abstratos e permitiu vivências mais intuitivas do conteúdo. Embora as interações tenham variado entre as turmas, constatou-se que a visualização prática dos cálculos e a utilização do violão como recurso didático ampliaram o engajamento e a aprendizagem. A experiência mostrou que a interdisciplinaridade entre música e matemática contribui para a formação integral do aluno, promovendo tanto o desenvolvimento lógico quanto a expressão criativa, e destacando a importância de metodologias inovadoras no processo de ensino-aprendizagem. Conclui-se que a música, por sua natureza acessível e universal, é uma ferramenta pedagógica para tornar a matemática mais atrativa, significativa e próxima da realidade dos estudantes, possibilitando conexões que ultrapassam as fronteiras disciplinares e fortalecem a educação de forma integrada. A inserção do instrumento musical nas explanações do professor configura-se como um recurso didático que reforça a abordagem teórica, uma vez que o instrumento possibilita uma demonstração mais atrativa e concreta dos conceitos. Além disso, evidencia-se a viabilidade de se aprender a execução instrumental integrando a matemática como elemento estruturante do ensino da teoria musical. A compreensão do funcionamento de um instrumento demanda o entendimento de suas escalas e intervalos tópicos frequentemente trabalhados por meio de conceitos matemáticos, como "meio tom", "um tom e meio" e "dois tons". Tais expressões fazem parte do léxico cotidiano dos músicos, que muitas vezes as utilizam de forma intuitiva, sem necessariamente recorrer às definições matemáticas que lhes dão fundamento.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Música e Matemática em Conexão: Um Relato de Experiência Interdisciplinar no Ensino Médio. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120576. Acesso em: 10 jun. 2026.