Avaliação Diagnóstica e Ensino de Funções: Uma Proposta com a Sequência Didática Interativa

Autores

  • Vinicius Machado
  • Anderson Luís Jeske Bihain
  • Guilherme Goergen

Palavras-chave:

Sequência, Didática, Interativa, Avaliação, Diagnóstica, Inovação, Pedagógica

Resumo

Diante do desafio de alinhar a educação matemática às novas formas de aprender, práticas pedagógicas inovadoras como a Sequência Didática Interativa (SDI) são fundamentais para criar dinâmicas mais interativas. Neste cenário, a transição da Educação Básica para o Ensino Superior representa um momento crítico, especialmente nos cursos de ciências exatas, onde é comum que estudantes ingressantes apresentem lacunas significativas em tópicos fundamentais, como no estudo de funções. Dentre as abordagens para lidar com esse problema, destaca-se a Sequência Didática Interativa (SDI), uma proposta metodológica que, utilizada como ferramenta para elaboração de uma Avaliação Diagnóstica, se torna uma prática inovadora para o ensino e aprendizagem, capaz de identificar dificuldades específicas e, no final, equiparar todos os alunos por meio do diálogo. Diferente das avaliações tradicionais, que se limitam a mapear erros de forma estática, esta abordagem transforma o diagnóstico em um processo ativo e colaborativo. O presente trabalho tem como objetivo principal investigar a eficácia da SDI em um contexto educacional matemático, visando a elaboração de uma sequência didática que promova as habilidades de dialogação e resolução de problemas. Para isso, foi utilizado o Círculo Hermenêutico-Dialético (CHD) como mecanismo para gerar um consenso sobre o assunto, com a prática baseada no método de pesquisa qualitativa, que valoriza a interação direta do pesquisador e prioriza a análise do processo. A pesquisa foi efetuada com 20 alunos ingressantes no curso de licenciatura em matemática na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus Bagé, no componente curricular Teoria Elementar das Funções com duração de duas aulas e teve como enfoque revelar o nível de conhecimento dos alunos sobre funções. A aplicação da SDI foi estruturada em quatro etapas sequenciais, começando com um diagnóstico individual onde os alunos receberam um questionário dividido em autoavaliação e conhecimentos específicos de função do primeiro grau. Os dados desta etapa expuseram um claro descompasso: embora 19 dos 20 alunos afirmassem ter estudado funções no Ensino Médio, apenas 11 se sentiam confiantes para resolver problemas. A autoavaliação de conhecimento foi predominantemente baixa, com 9 se classificando como "Regular", 6 como "Ruim" e 2 como "Muito ruim", percepção corroborada pelo baixo desempenho conceitual, indicando que a autoavaliação é um indicador pouco confiável para o planejamento pedagógico. Em continuidade, a próxima etapa foi baseada na criação de grupos no qual os alunos, após se juntarem, escolheram um representante. Esta etapa focou no debate entre os alunos, para que os mesmos entrassem em um consenso e escolhessem qual a melhor resposta que se encaixa no questionário que foi novamente disponibilizado, porém apenas um por grupo. Aqui, observou-se o poder do CHD como mecanismo de filtragem cognitiva, pois os comentários debatidos no coletivo, que apresentavam um certo nível de conhecimento, sobrepuseram as respostas individuais mais frágeis. O diálogo forçou os alunos a justificarem seus raciocínios, permitindo que as ideias mais coerentes prevalecessem, construindo uma compreensão coletiva superior às partes individuais. Após todos os grupos completarem o novo questionário, os líderes saíram de seus respectivos grupos para criar um novo, em que deveram levar todos os conceitos debatidos para que pudessem novamente responder o questionário, desta vez carregando o conhecimento coletado, assim, gerando uma síntese de ideias gerais da turma. Neste processo, a SDI também revelou importantes aspectos afetivos e sociais, como a notável "relutância dos alunos em ser o líder do grupo", um comportamento atribuído à vergonha, falta de confiança ou "medo de representar os argumentos gerais de forma incoerente". Essa observação não foi um mero obstáculo, mas um dado diagnóstico crucial sobre o estado emocional dos ingressantes. De acordo com a SDI, foi possível concluir que seu uso como ferramenta para avaliação diagnóstica atingiu o propósito desejado, mesmo que algumas dificuldades fossem apontadas, como por exemplo, a necessidade dos alunos em comparecerem no horário correto. Ainda assim, a prática apresentou limitações, pois algumas concepções equivocadas persistiram até as etapas finais, o que demonstra que o processo dialógico é dependente do conhecimento latente no grupo e reforça a importância da mediação do professor na etapa final de socialização. Por fim, é visível que, por mais que uma parte dos alunos apresente conhecimento de certos fundamentos, é necessário reforçar os argumentos com um estudo dirigido pelo professor responsável para que haja um melhor engajamento da turma em atividades posteriores que se aprofundem mais neste tema, e que, a partir deste nivelamento, todos os alunos estarão em maior pé de igualdade perante ao estudo de funções do primeiro grau.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Avaliação Diagnóstica e Ensino de Funções: Uma Proposta com a Sequência Didática Interativa. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120571. Acesso em: 10 jun. 2026.