Uso de Inteligência Artificial em Projetos de Engenharia de Requisitos
Palavras-chave:
Monitoria, Resolução, Problemas, Engenharia, SoftwareResumo
O presente trabalho aborda um estudo sobre o uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) no contexto do ensino de Engenharia de Requisitos (ER). Considerando o crescente uso de IA em atividades acadêmicas e profissionais, torna-se relevante compreender os impactos positivos e negativos de sua adoção nesse campo específico. O objetivo do estudo é analisar como estudantes de graduação utilizaram a IA durante o desenvolvimento de projetos de ER, verificando frequência de uso, percepções sobre ética, impactos no aprendizado e desafios enfrentados. A problemática que motivou este estudo consiste em avaliar se o uso da IA contribui para a aprendizagem ou se pode gerar dependência e acomodação, comprometendo o desenvolvimento de habilidades críticas (Bernardino et al., 2024, Silva et al., 2025). O trabalho se baseia em uma pesquisa quantitativa e qualitativa, realizada a partir da aplicação de um Survey (Molleri et al., 2016) usando um questionário online como coleta de dados, realizado de forma assíncrona no componente curricular de Resolução de Problemas I (RP I) respondido por estudantes de diferentes grupos. A coleta de dados foi feita a partir de 23 questões distribuídas em cinco seções: perfil, uso de IA em geral, uso no projeto de ER, percepções sobre aprendizagem, e questões éticas e críticas. O formulário foi organizado incluindo perguntas fechadas (múltipla escolha e escalas de frequência) e perguntas abertas (descrição de exemplos de prompts, preocupações e sugestões). A análise foi conduzida a partir de estatísticas descritivas (frequência, média de idades, distribuição por grupo e sexo) e de uma avaliação das respostas abertas por meio de seus temas. Ao analisar os resultados, percebe-se que a IA esteve constantemente presente nas diferentes etapas do projeto de ER, sendo naturalmente usada pelos estudantes como uma ferramenta de apoio às suas produções. Sobre a percepção do uso da IA, nota-se que a maioria dos participantes relatou um aumento significativo na produtividade de suas tarefas, com avaliações que variaram entre razoável e extremamente produtivo, evidenciando a percepção de que o tempo gasto nas tarefas foi reduzido. Já em relação à qualidade os artefatos produzidos podem ser considerados positivos, visto que a maior concentração de respostas se deu na opção razoável, seguida por alguns apontamentos que indicaram qualidade bastante ou extremamente satisfatória, mas também há presença de uma minoria que classificou os resultados como fracos. Essas percepções diversificadas demonstra que, enquanto a produtividade foi quase unanimemente reconhecida como um aspecto fortalecido, a qualidade dos artefatos ainda gera divergências, podendo significar que embora as IA tenham facilidade em gerar uma grande quantidade de conteúdo, nem tudo produzido é confiável, assim como dito por Mellqvist e Mozelius (2024): embora muitos tenham considerado que a IA produziu requisitos de qualidade superior aos feitos manualmente, também reconheceram que a revisão humana era indispensável para garantir clareza e relevância. Outro ponto relatado foi que, mesmo quando desnecessário, ainda assim foi usado IA em tarefas mais simples devido a sua praticidade e produtividade, o que acabou reduzindo o esforço de raciocínio, trazendo a sensação de dependência sobre a ferramenta. Os resultados demonstram que a IA foi amplamente utilizada pelos estudantes e teve impacto positivo na compreensão de conceitos e ganhos de produtividade. Entretanto, surgiram preocupações com dependência e perda de autonomia intelectual, principalmente em tarefas mais simples. O resultado obtido através desta pesquisa remete a mesma problemática citada por Vieriu e Petrea (2025), em que é dito no tópico de discussões com base neste estudo, concluímos que a IA oferece benefícios significativos, como aprendizagem personalizada, melhores resultados educacionais e maior engajamento dos alunos. No entanto, também apresenta desafios, como dependência excessiva da tecnologia, diminuição do pensamento crítico e risco de fraude acadêmica" este fato bate com os resultados obtidos por meio da pesquisa de monitoria feita no componente curricular de RP I, dando embasamento aos dados adquiridos. A discussão revela que, embora a IA seja um recurso útil, sua utilização deve ser acompanhada de orientações pedagógicas claras para evitar que substitua etapas essenciais da aprendizagem prática. Além disso, postula-se a forma de uso ético da IA de forma didática. As sugestões dos estudantes indicam a importância de usar IA como ferramenta de apoio, não como substituto do aprendizado, mas como auxiliar do próprio, e de registrar de forma transparente quando essa tecnologia é utilizada em projetos acadêmicos.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Uso de Inteligência Artificial em Projetos de Engenharia de Requisitos. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120566. Acesso em: 14 maio. 2026.