O Que Tem de Química na Festa Junina?

Autores

  • Vitória Joaquina Tavares Resende
  • Marcia Firme
  • Ricardo Brião

Palavras-chave:

Ensino, Química, Contextualização, Experimentação

Resumo

Este trabalho foi desenvolvido diante da observação do crescente desinteresse dos estudantes pelo componente de Química no Ensino Médio, com isso surgiu a necessidade de buscar novas estratégias que aproximem o conteúdo escolar da realidade dos alunos. Nesse sentido, os bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência elaboraram uma atividade temática inspirada na cultura das festas juninas. A proposta surgiu considerando a época do ano em que estávamos vivenciando (os meses entre junho e julho) quando normalmente se comemoram festejos juninos. O trabalho busca demonstrar que a Química está inserida em aspectos culturais, sociais e ambientais, evidenciando sua relevância para além da sala de aula e reforçando a importância da contextualização no processo de ensino-aprendizagem. A atividade foi realizada com seis turmas de terceiros anos do Ensino Médio de uma escola pública estadual situada no Município de Bagé -RS da seguinte maneira: Primeiramente, foram levantados e estudados materiais sobre os temas que abordassem o contexto da química da festa junina, e após, foi preparado um material que posteriormente foi utilizado para apresentar aos alunos. Após o estudo dos determinados temas a atividade foi realizada. Iniciando com uma palestra intitulada A Química da Festa Junina, abordando a origem histórica das festas juninas e como ela chegou ao Brasil, a química presente nas comidas como: Milho, coco, bolos e bebidas típicas como o quentão. Dentro da temática das comidas típicas focou-se em falar sobre como o milho é um dos principais constituintes da mesa da festa junina, pois a partir deste temos a pipoca, a pamonha, o curau e a farinha de milho, alimentos todos muito utilizados. A química da pipoca por exemplo envolve vários processos, visto que para termos a pipoca a partir do milho precisamos de grãos específicos que devem possuir um teor ideal de umidade (cerca de 14-15%) e uma casca rígida (pericarpo). Assim, ao ser aquecido, a água dentro do grão se transforma em vapor. A pressão do vapor aumenta rapidamente dentro do grão e ocorre a gelatinização e explosão: Quando a temperatura atinge aproximadamente 180°C, a pressão interna é tão grande que a casca não aguenta mais e se rompe. O amido gelatinizado dentro do grão se expande rapidamente devido à descompressão do vapor, formando a estrutura porosa e crocante que conhecemos. O resfriamento rápido do amido expandido o solidifica nessa forma, e aí, temos a conhecida pipoca. Para finalizar a apresentação falamos sobre a química dos fogos de artifício, visto que antes de ser proibido, por questões de segurança, estes eram bastante utilizados, e com o intuito de abordar o contexto ambiental e fazer uma ligação com a atividade experimental que foi proposta na segunda parte da atividade estes foram inseridos. A segunda parte da atividade consiste em uma prática de laboratório, onde após assistirem a palestra os alunos foram divididos em grupos de até 12 pessoas e participaram da atividade prática no laboratório de Química, a atividade consistiu na realização de testes de chama, com o intuito que estes conseguissem relacionar o que observaram com o que foi discutido sobre os fogos de artifício na palestra. Após a prática experimental, houve um momento de diálogo coletivo, em que os estudantes compartilharam suas impressões e dúvidas. Para consolidar a aprendizagem, foi realizada uma atividade lúdica: o jogo da forca químico, utilizando palavras-chave mencionadas durante a abordagem da temática. A maior parte dos estudantes manifestou satisfação e envolvimento, apontando a atividade como atrativa e diferenciada em relação às aulas tradicionais. Neste contexto, a experiência demonstrou que o ensino de Química torna-se mais atrativo e significativo quando contextualizado com elementos culturais presentes no cotidiano dos alunos, como no caso da festa junina, em que os estudantes puderam perceber que a Química está inserida em diferentes dimensões da vida social, cultural e também ambiental.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

O Que Tem de Química na Festa Junina?. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120559. Acesso em: 14 maio. 2026.