Cuidado de Enfermagem à Criança com Doença de Hirschsprung: Relato de Experiência
Palavras-chave:
Doença, Hirschsprung, Processo, Enfermagem, PediátricaResumo
A Doença de Hirschsprung (DH) é uma anomalia congênita caracterizada pela ausência de células ganglionares nos plexos nervosos do intestino distal, resultando em peristalse ineficaz e consequente obstrução intestinal. A condição manifesta-se precocemente, desde o período neonatal, por meio de constipação crônica, distensão abdominal, vômitos biliosos e dificuldade de eliminação de mecônio, podendo evoluir para complicações graves como enterocolite e perfuração intestinal quando não tratada oportunamente. Embora rara, a DH representa um desafio para a equipe multiprofissional de saúde, sobretudo na pediatria, em razão de seu impacto sobre o crescimento, desenvolvimento e qualidade de vida da criança. Este estudo teve como objetivo relatar o cuidado de enfermagem realizado à uma criança de dois anos com DH internado na pediatria de uma hospital de grande porte. Trata-se de um relato de experiência de acadêmicas de enfermagem, a qual aconteceu durante as aulas práticas no setor de pediatria. Nele, foram analisados prontuários, prescrições médicas e de enfermagem, exames laboratoriais e de imagem, e desenvolvido o Processo de Enfermagem fundamentado na Teoria das Necessidades Humanas Básicas de Wanda Horta, a qual organiza a prática profissional a partir da identificação e atendimento integral das necessidades psicobiológicas, psicossociais e psicoespirituais do indivíduo. Diante desse quadro, o Processo de Enfermagem foi estruturado em cinco etapas interdependentes: avaliação de enfermagem, diagnóstico de enfermagem, planejamento de enfermagem, implementação de enfermagem e evolução de enfermagem. O paciente apresentava histórico de múltiplas cirurgias abdominais, incluindo colostomia, fechamento e reconstrução do trânsito intestinal, além de internações recorrentes por abdome agudo obstrutivo. Durante o período observado, evoluiu com dor abdominal intensa, distensão, náuseas, vômitos e diarreia aquosa, necessitando de novas intervenções cirúrgicas. Os exames complementares evidenciaram obstrução intestinal, fecaloma volumoso e sinais inflamatórios, condizentes com complicações associadas à doença e ao pós-operatório. A partir do levantamento das necessidades humanas básicas, foram priorizados os diagnósticos de enfermagem constipação funcional crônica e medo, ambos com impacto direto no bem-estar físico e emocional da criança. Como resultados esperados (NOC), estabeleceu-se a manutenção da eliminação intestinal eficaz e a redução da ansiedade, enquanto as intervenções de enfermagem (NIC) incluíram monitorização clínica rigorosa, analgesia, hidratação e equilíbrio hidroeletrolítico, cuidados com estomia e ferida operatória, prevenção de complicações como infecção e enterocolite, estímulo à mobilização precoce, uso de estratégias lúdicas no cuidado à criança, além de orientação e suporte à mãe no enfrentamento da condição crônica. O uso da teoria de Wanda Horta favoreceu a sistematização da assistência, permitindo que o cuidado não se restringisse à dimensão biológica da doença, mas contemplasse também os aspectos psicossociais e psicoespirituais, assegurando maior integralidade. Essa abordagem possibilitou à equipe de enfermagem direcionar suas ações de forma humanizada, segura e centrada na família, fortalecendo o vínculo terapêutico e reduzindo o sofrimento da criança durante a hospitalização. Além disso, a experiência contribuiu para a formação acadêmica ao integrar conteúdos de fisiologia, anatomia, semiologia e enfermagem pediátrica, proporcionando uma visão ampliada das necessidades de crianças com doenças crônicas complexas. Conclui-se que o manejo da Doença de Hirschsprung exige não apenas diagnóstico precoce e tratamento cirúrgico adequado, mas também um plano de cuidados de enfermagem estruturado, que utilize o Processo de Enfermagem como método científico de trabalho. A aplicação da teoria de Wanda Horta mostrou-se essencial para qualificar a tomada de decisão clínica, orientar o planejamento individualizado e potencializar os resultados do cuidado, reafirmando a importância da fundamentação teórica na prática profissional. O estudo evidencia que a enfermagem, ao atuar de forma sistematizada e humanizada, contribui para a segurança do paciente, para o fortalecimento do papel da família no cuidado e para a melhoria da experiência de hospitalização, consolidando sua relevância no contexto pediátrico e na assistência a condições crônicas raras.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Cuidado de Enfermagem à Criança com Doença de Hirschsprung: Relato de Experiência. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120541. Acesso em: 15 maio. 2026.