Conhecimento cultural caseiro: o unto de banha de porco
Palavras-chave:
medicina, caseira, uso, banha, porco, conhecimento, ancestralResumo
A medicina caseira utiliza o termo "unto" para se referir a produtos à base de óleos vegetais ou outros elementos naturais aplicados topicamente para tratar diversas condições adversas da pele como ressecamento, queimaduras e ferimentos em geral. A banha de porco, tradicionalmente utilizada como unto em medicina caseira, na forma de pomadas e unguentos, é valorizada por pessoas que residem na campanha ou zonas rurais por suas propriedades cicatrizantes e nutritivas, pois é facilmente absorvida pela pele. Algumas pessoas usam a banha para aliviar dores musculares, aplicando-a diretamente na pele. Instigada durante o componente curricular Diversidade Cultural e Etnociência, do Curso de Ciências da Natureza Licenciatura, do campus Caçapava do Sul, da Universidade Federal do Pampa, a buscar algo usado ancestralmente por minha família, lembrei da utilização da banha de porco como unguento. Busquei informações sobre a utilização do unto em minha família paterna. Meu avô, de origem italiana e trabalhador rural, falecido em 2013, aos 81 anos, utilizava esse unguento para machucados, dores no corpo, rachaduras nos pés. O hábito de usar o unto à base de banha de porco passou para meu pai no qual me indicou uma receita de como prepará-lo. Usa-se como ingrediente uma porção de gordura do porco, aquela do espinhaço, colocando-a em um vidro médio com um litro de álcool. Coloca-se a banha do porco no vidro e depois adiciona-se o álcool, deixando essa infusão por uns 20/30 dias antes de usar. Uma recomendação importante da receita é não lavar o pedaço de gordura. Esta utilização familiar, mesmo sem saber comprovadamente as propriedades benéficas da banha do porco, ajudou na cicatrização de machucados, queimaduras no corpo de pessoas da família, o que faz continuar a tradição de usá-la para fins medicinais. Aprofundando a pesquisa sobre esses "untos", descobri que existem estudos científicos que investigam os ácidos graxos presentes na banha suína e seus efeitos na saúde humana. Esses ácidos graxos podem ter propriedades anti-inflamatórias, cicatrizantes, antifúngicas, entre outras, dependendo dos ingredientes utilizados (Silva, 2018). A banha de porco é uma fonte natural de vitamina D, vitamina E antioxidantes, nutrientes essenciais para o bom funcionamento do organismo, contribuindo para manter a saúde óssea, imunológica e para a proteção das células contra os radicais livres. Ela também pode ser usada como hidratante da pele, ajudando-a mantê-la com aparência saudável, e para tratamento de problemas respiratórios, quando misturada com cânfora ou folhas de eucalipto e aplicada no peito para alívio em casos de bronquite, asma e resfriados, funcionando como um tipo de expectorante caseiro. Ela é rica em gorduras e contém ácidos graxos que podem ter benefícios para a saúde, como a redução do colesterol LDL e o aumento do colesterol HDL, além de contribuir para a saúde cardiovascular. A gordura suína, quando proveniente de animais alimentados adequadamente e consumida de forma equilibrada, pode oferecer benefícios à saúde cardiovascular. É sabido que a banha de porco tem uma história rica em uso em medicina caseira, especialmente para cicatrização e como fonte de nutrientes. É um recurso tradicional eficaz em alguns contextos, especialmente como hidratante e anti-inflamatório leve, mas deve ser usada com cautela e conhecimento. Mesmo sabendo que a banha de porco ajuda na cicatrização da pele é preciso ter cautela no seu uso, pois trata-se de um medicamento antigo, produzido a partir de infusões, quando não se tinha pesquisa sobre sua eficácia. Pessoas mais antigas mantêm esse conhecimento transmitido pelas famílias ou de uns para os outros quando necessário em uma emergência de saúde. SILVA, L. G. et al. Ácidos graxos em banha suína e seus efeitos sobre a saúde humana. Ciência Rural, 2018.Downloads
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Publicado
2025-11-03
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Conhecimento cultural caseiro: o unto de banha de porco. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120401. Acesso em: 14 abr. 2026.