Educação ambiental como prática cultural em escolas públicas de Jaguarão: formação crítica, cidadania e pertencimento
Palavras-chave:
Práticas, pedagógicas, vulnerabilidade, socioambiental, desigualdade, socialResumo
O município de Jaguarão, localizado no extremo sul do Rio Grande do Sul, apresenta vulnerabilidades históricas que impactam diretamente a vida de sua população, especialmente das comunidades em maior vulnerabilidade social. Nesse sentido, entre os principais desafios identificam-se a precariedade do saneamento básico, a recorrência de inundações, a degradação ambiental e a ausência de políticas públicas estruturantes que assegurem condições adequadas de moradia e convivência social. Consequentemente, tais desigualdades repercutem na saúde, na segurança e no cotidiano escolar, influenciando os processos educativos. Diante desse cenário, a escola pública deve ser compreendida como espaço de ensino formal, cultural e social, atuando como locus de produção simbólica, construção de vínculos comunitários e resistência coletiva. Mesmo diante de limitações materiais e curriculares, a escola se reinventa e transforma práticas culturais em experiências formativas capazes de mobilizar estudantes, docentes e famílias em torno de projetos comuns. Portanto, é nesse contexto que a presente pesquisa se insere, tendo como foco as práticas pedagógicas de educação ambiental em escolas públicas de Jaguarão. O objetivo consiste em compreender de que maneira tais práticas se configuram, inclusive como processos culturais que articulam conhecimento científico, saberes locais e experiências cotidianas, contribuindo para a formação crítica e cidadã em territórios marcados por desigualdades socioambientais. A investigação adotou abordagem qualitativa, exploratória e interpretativa, estruturada em quatro etapas: análise documental dos Projetos Político-Pedagógicos (PPP), observação participante, entrevistas semiestruturadas com docentes e gestores e análise de conteúdo. Essa configuração metodológica, portanto, objetivou mapear os documentos oficiais e compreender como as práticas se manifestam no cotidiano escolar e nos significados atribuídos por professores e estudantes às ações de educação ambiental. Na etapa concluída, relativa à análise dos PPPs, observou-se que a educação ambiental é apresentada de forma fragmentada e, em muitos casos, periférica em relação às demais áreas do currículo. Predominantemente, a temática está associada a atividades comemorativas ou a propostas isoladas de sensibilização ecológica, frequentemente sem continuidade ou articulação com o território. Ademais, essa abordagem, de cunho tecnicista e comportamentalista, tende a responsabilizar individualmente os sujeitos pelas transformações ambientais almejadas, ao passo que silencia fatores estruturais que condicionam a realidade local apresentada. Portanto, ao dissociar as práticas ambientais das condições concretas de vida, esse modelo fragiliza o potencial emancipador da escola e limita a construção de uma consciência crítica capaz de problematizar as contradições entre desenvolvimento, território e justiça socioambiental. A análise evidenciou também possibilidades transformadoras. Alguns PPPs registram iniciativas como hortas escolares, projetos de reaproveitamento de resíduos sólidos e parcerias com instituições locais, que, quando articuladas de forma integrada, podem constituir experiências culturais significativas. Dessa forma, essas ações apresentam potencial para transformar a escola em espaço de diálogo, fortalecendo o protagonismo de estudantes e educadores, além de mobilizar famílias e comunidades em práticas coletivas de cuidado e pertencimento ao território. Embora ainda incipientes, tais iniciativas apontam caminhos para a construção de uma educação ambiental crítica e enraizada, que promova vivências formativas conectadas à realidade local e às memórias comunitárias. Os resultados parciais indicam, portanto, uma tensão entre a persistência de um modelo fragmentado e restritivo e a emergência de práticas com potencial emancipador, capazes de consolidar a escola pública como espaço de resistência, produção simbólica e transformação social. Nesse sentido, reconhecer a educação ambiental como prática cultural implica compreender que ela não se restringe a um campo de conhecimento específico, mas atravessa dimensões simbólicas, políticas e sociais que influenciam diretamente a forma como as comunidades se percebem e se projetam no mundo. Assim, a integração da educação ambiental aos PPPs deve representar uma inovação curricular como estratégia de fortalecimento da função social da escola. Conclui-se que, em territórios como Jaguarão, a escola pública se constitui como mediadora cultural e agente de democratização do conhecimento, articulando educação, cultura e justiça socioambiental. Ao incorporar a educação ambiental como dimensão constitutiva de sua prática pedagógica, contribui para a formação de cidadãos conscientes e críticos, aptos a enfrentar desigualdades históricas e a construir alternativas coletivas.Downloads
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Publicado
2025-11-03
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Educação ambiental como prática cultural em escolas públicas de Jaguarão: formação crítica, cidadania e pertencimento. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120399. Acesso em: 14 abr. 2026.