O Som da Unipampa: Paisagens Sonoras e Música Concreta na Produção Universitária

Autores

  • Willian da Fonseca Ferreira
  • Joao Francisco De Souza Correa

Palavras-chave:

Produção, musical, Paisagem, sonora, Música, concreta

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de criação e produção do EP "O Som da Unipampa - Experimentos com a Paisagem sonora do campus Bagé", contemplado pelo edital PROARTE da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC) da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) em 2025. A proposta consistiu na elaboração de um EP (Extended Play) autoral composto por cinco faixas sonoras, criadas a partir da exploração dos sons característicos dos blocos do campus Bagé. A fundamentação teórica articula os conceitos de paisagem sonora, de Raymond Murray Schafer, e de música concreta, de Pierre Schaeffer. Em Afinação do Mundo (1977), Schafer defende que a escuta crítica constitui prática estética, pedagógica e política, ao revelar como os sons estruturam relações sociais e culturais. Já em O Ouvido Pensante (1991), o autor enfatiza a escuta como experiência formativa e de conscientização acústica. Por sua vez, Schaeffer (1966), em seu Tratado dos Objetos Musicais, propõe a escuta acusmática, em que o som é deslocado de sua fonte, ampliando suas possibilidades de significação artística. Neste sentido, o projeto busca transpor o cotidiano universitário para o campo da arte sonora, revelando dimensões estéticas e poéticas dos ambientes acadêmicos. O processo criativo iniciou-se com a realização de gravações de campo (field recordings) no dia 29 de agosto de 2025, no período da tarde. As captações foram feitas por meio de dispositivo móvel, de forma contínua, em diferentes pontos dos blocos universitários. No Bloco 1, registraram-se sons de laboratórios e corredores, marcados por movimentação moderada de estudantes. No Bloco 2, a presença da Feira de Ciências no primeiro andar proporcionou ambiente intenso e repleto de vozes, contrastando com o silêncio relativo dos andares superiores. O Bloco 3, ocupado pela biblioteca e por salas de docentes, revelou-se majoritariamente silencioso . Já no Bloco 4, onde se concentram atividades do curso de Música, destacaram-se práticas instrumentais em volume elevado, perceptíveis à medida da aproximação das salas. No recém-inaugurado Bloco 5, destinado a laboratórios de cursos de exatas, predominaram sons de passos e reverberações arquitetônicas, dada a ausência de atividades regulares no momento da gravação. Após a coleta, os registros sonoros passaram por edição digital, utilizando softwares como Pro Tools, Reaper e instrumentos virtuais como synths. Inspirados nos princípios da música concreta, os sons captados foram transformados por meio de cortes, colagens, sobreposições e processamento eletrônico, criando camadas texturais. A etapa seguinte, com o apoio do projeto de extensão Laboratório de Produção Musical, envolveu mixagem e masterização, com a finalidade de equilibrar os níveis sonoros, aplicar efeitos adicionais e organizar a espacialização das faixas. Por fim, o material foi disponibilizado na plataforma de streaming YouTube, garantindo acesso público e difusão acadêmico-artística. O EP resultante apresenta cinco composições, cada qual representando a identidade acústica de um bloco. O dinamismo ruidoso do Bloco 2 contrasta com o silêncio contemplativo do Bloco 3. O caráter musical do Bloco 4 tensiona com a neutralidade acústica do Bloco 5. O Bloco 1, por sua vez, ocupa posição intermediária, refletindo a circulação cotidiana. Essa construção permitiu criar uma narrativa sonora do campus, evidenciando a universidade como espaço vivo, dinâmico e esteticamente expressivo. O trabalho resultou em material artístico que une documentação acústica e transformação criativa. A experiência deixa em evidência a relevância da paisagem sonora como recurso artístico e também pedagógico, conforme defendido por Schafer (1977; 1991). Ao valorizar a escuta crítica do ambiente, foi possível destacar dimensões estéticas invisibilizadas no cotidiano acadêmico. Simultaneamente, a música concreta de Schaeffer (1966) possibilitou manipular os registros de modo inventivo, explorando sua plasticidade sonora. O EP O Som da Unipampa não apenas documenta, mas também ressignifica os sons do campus, ampliando seu alcance cultural e simbólico. O trabalho reforça a importância da extensão universitária como espaço de criação, experimentação e reflexão, promovendo diálogo entre comunidade, arte e conhecimento.

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Publicado

2025-11-03

Como Citar

O Som da Unipampa: Paisagens Sonoras e Música Concreta na Produção Universitária. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120381. Acesso em: 14 abr. 2026.