A Cultura Negra em Movimento: a Capoeira Como Projeto Educativo
Palavras-chave:
Capoeira, Resgate, MúsicaResumo
Este trabalho busca enfatizar uma experiência em desenvolvimento: o projeto Gingando com a Comunidade: Capoeira e Cultura Negra em Movimento em Itaqui/RS, uma iniciativa com recursos via programa Residência Cultural UNIPAMPA 2025, tendo como parceiros a Associação 3 de Copas e o Grupo de Capoeira Liberdade, e o NEABI Diva Rodriques. O projeto, através de oficinas teóricas que resgatam o conhecimento sobre a capoeira e sua relevância histórico-cultural, aulas práticas e rodas de capoeira, visa a sensibilização da comunidade local para a importância da cultura afro-brasileira e o fortalecimento de laços sociais, com resultados esperados de expansão da iniciativa em escolas e outras instituições locais. Sua localização no Rio Grande do Sul demonstra como a capoeira, reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN em 2008 e como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2014, tornou-se um vetor pedagógico para o cumprimento da Lei Federal 10.639/03, a qual tornou obrigatório o estudo da história e cultura africana e afro-brasileira na educação básica. O objetivo deste trabalho é refletir sobre a Capoeira como herança cultural do povo negro no Brasil e sua função pedagógica, aproximando a Universidade de espaços sociais periféricos. A capoeira amalgama luta, dança e musicalidade em um fenômeno global, com 1393 grupos no mundo, sendo 1185 no Brasil. Sua disseminação, inclusive no Sul (85 grupos), resultou da superação da marginalidade e da visão de mestres. Mestre Bimba, criador da Capoeira Regional, sistematizou a luta com sequências, rituais (batizado) e toques específicos, tirando-a da clandestinidade. Mestre Pastinha dedicou-se à Capoeira Angola, fundando o primeiro centro de ensino, o CECA, e resgatando a musicalidade e o jogo cadenciado. Sua linhagem foi continuada por Mestre João Pequeno e Mestre João Grande, que divulgou a Angola no mundo. Mestre Suassuna, do Cordão de Ouro, trouxe inovações técnicas e acrobáticas, e Mestre Camisa fundou a ABADÁ-Capoeira, a maior do mundo, que unificou e expandiu a prática globalmente. A progressão do praticante é simbolizada pelas cordas e graduações, começando com a corda crua, que representa o iniciante. Em grupos como a ABADÁ, as cores representam elementos da natureza e minerais: amarelo (ouro), laranja (sol), azul (mar) e verde (floresta), com roxa, marrom, vermelha e branca indicando reflexão, adaptabilidade, justiça e o alicerce filosófico. Outros grupos, como o Grupo Liberdade e o Cordão de Ouro, têm sistemas distintos. As cantigas de capoeira funcionam como um arquivo vivo da oralidade: Calunga evoca a travessia nos navios negreiros , Dandara homenageia a guerreira quilombola , Adeus Besouro narra a história do lendário capoeirista , Paranauê carrega significados de resistência e deslocamento , Zum Zum Zum remete ao som do berimbau e à atmosfera do jogo , e Berimbau de Bimba é um tributo à inovação metodológica. A capoeira se transforma mais que outras artes marciais por sua dinâmica cultural viva, recriada por comunidades e mestres. O projeto em Itaqui trabalha com 12 participantes e tem recebido convites de escolas e associações, o que demonstra a demanda por esta iniciativa. Observou-se um desconhecimento e preconceitos, o que motivou o NEABI a planejar futuras ações educativas. Nas primeiras semanas (Julho-Setembro), o foco é no ensino de fundamentos como instrumentos, ginga e movimentos de perna. A divulgação é contínua, com a busca por aprofundar outros elementos, como musicalidade e jogos avançados, no próximo mês.Downloads
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Publicado
2025-11-03
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A Cultura Negra em Movimento: a Capoeira Como Projeto Educativo. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120370. Acesso em: 14 abr. 2026.