FUTURO DESMANCHADO
Palavras-chave:
Faixa, Gaza, Escultura, Porcelana, FriaResumo
Com a temática: "Faixa de Gaza - Reflexões e impressões sobre o conflito, a tragédia humanitária e seus desdobramentos aos olhos do mundo", minha proposta para a PROARTE 2025 é intitulada Futuro Desmanchado. Ela compreende a elaboração e entrega de uma escultura modelada à mão, com o auxílio de ferramentas como estecas e pincéis de silicone, utilizando base, aramagem, cola e verniz, tendo como material principal o biscuit, também chamado de porcelana fria. A modelagem manual se enquadra na Atividade Cultural/Criativa Principal de Expressões Culturais, mais especificamente nas artes plásticas, realizada de forma artesanal, sendo uma forma de expressão artística que remonta ao período paleolítico, acompanhando a evolução humana ao longo da história mundial, com características próprias de cada um dos povos que as desenvolveram, ao longo dos séculos. Ela não se descaracteriza pela utilização de ferramentas de apoio, como as estecas e pincéis, pois estas somente auxiliam no detalhamento dos elementos, não sendo empregado o uso de moldes para a confecção das peças da escultura. Elaborado à partir de amido e cola, a porcelana fria é uma massa maleável e de fácil tingimento, que apresenta rigidez após o tempo de secagem, permitindo que as peças confeccionadas com esse material sejam expostas ou utilizadas para fins diversos. Este material foi desenvolvido como uma alternativa à porcelana chinesa tradicional, que além de ser bastante cara, demanda tempo de forno, por longo período e sob altas temperaturas, para que a peça alcance a dureza necessária para sua utilização; enquanto que uma peça confeccionada em porcelana fria não precisa de aquecimento, nem possui matéria-prima tão encarecida. Mesmo não possuindo a mesma gama de utilidade, a porcelana fria encontrou sua faixa de mercado, sendo amplamente utilizada com sucesso, por artesãos do Brasil e do mundo. A base fornece alicerce à escultura, enquanto que a aramagem interna dos elementos e a cola promovem sua estruturação. O verniz envolve a peça em uma camada de proteção contra poeira, sujidades, e principalmente contra a umidade, bem característica do clima do Rio Grande do Sul, assegurando que a escultura não manche ou mofe, e também facilitando sua limpeza, posteriormente. A seleção do material, a montagem da escultura, e a correta secagem e envernizamento das peças permitirão que a arte finalizada seja exposta sem ocorrência de desmanche, quebra de elementos ou desestruturação dos elementos. Com cor predominante branca, em contraste principal com o vermelho, a escultura pretende ilustrar ao público o impacto deste conflito humanitário tão longo, em uma das regiões mais densamente povoadas do mundo, nas camadas sociais mais afetadas pelo confronto: crianças, idosos, mulheres, gestantes e pessoas com deficiência. Independente do grupamento étnico, a população civil que sobrevive em meio ao combate se vê cada vez mais desestruturada e sem esperanças de que um futuro melhor se torne realidade. Estas pessoas veem, a cada dia que passa, que tudo ao seu redor se fragmenta: tanto os espaços físicos, como suas casas, bairros, escolas, hospitais, mercados, cidades; quanto suas estruturas psicossociais, como suas famílias, sua saúde, sua alimentação, seus estudos, e tudo aquilo que engloba o seu futuro, como se este também estivesse fadado a virar pó e escombros. Ao retratar como o futuro destas pessoas se fragmenta e se desmancha, a escultura convida o observador a refletir sobre como as camadas mais frágeis da população são as mais afetadas por conflitos armados longos, sem previsão de encerramento e paz.Downloads
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Publicado
2025-11-03
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
FUTURO DESMANCHADO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120367. Acesso em: 14 abr. 2026.