DIMENSÕES FRAGMENTADAS DA DUALIDADE NA ESCULTURA: CONFRONTO ENTRE O INDUSTRIAL E O NATURAL
Palavras-chave:
Dualidade, Natural, Industrial, Sustentabilidade, ReciclagemResumo
Esta obra explora a dualidade e o contraste entre o acabamento e o inacabado, o polido e o bruto. A escolha de um crânio de alumínio fundido, dividido entre uma face polida e outra bruta, simboliza a tensão entre a perfeição e a imperfeição, ou entre o controle e a natureza inalterada. A máscara é fixada em uma moldura feita de ripas de madeira reciclada, reforçando o tema da dualidade ao contrastar o material industrializado alumínio, com elementos naturais e reutilizados da madeira. Reutilizando uma máscara, resultado de uma avaliação laboratorial em uma aula do curso de engenharia mecânica foi usada no reaproveitamento para a construção da obra, optamos por fundir o alumínio no formato do crânio para completar a composição. O alumínio, um material leve e durável, é muito utilizado na indústria e simboliza progresso e inovação tecnológica. A moldura de madeira reciclada, retirada de caixa de frutaria, adiciona uma estética sustentável e natural, conectando a obra à responsabilidade ambiental e ao uso consciente dos recursos. O significado da moldura dentro da obra não é apenas como suporte, mas também contribui para a narrativa da obra. A escolha de materiais reutilizados carrega uma forte conotação ecológica e de sustentabilidade, ressaltando a importância do reaproveitamento. O contraste entre a madeira orgânica e o alumínio industrial representa a tensão entre o natural e o tecnológico, um diálogo constante entre natureza e criação humana. A amarração e simbologia matemática consiste na moldura presa por arames nas extremidades, formando os símbolos de X, Y e Z, que aludem ao conceito de espaço tridimensional na matemática. Isso liga a obra ao contexto geométrico e racional, sugerindo que a identidade, simbolizada pelo crânio, existe num espaço tridimensional complexo, onde planos e perspectivas se cruzam e interagem. A dualidade do crânio, onde metade polida do crânio, suave e brilhante, reflete a perfeição e o controle técnico, enquanto a metade bruta, áspera e inacabada, expressa a tensão entre o bruto e o poder da engenharia em transformar materiais. O crânio remete à mortalidade e à vida, criando um contraste potente no contexto acadêmico, onde a criação de tecnologias pode parecer imortal, mas a realidade da matéria impõe limites. Estruturalmente, a moldura posiciona o crânio em um espaço definido, simbolizando a tentativa de conter algo vasto, como a identidade ou a mortalidade. Esteticamente, a madeira reciclada traz uma rusticidade orgânica que contrasta com o metal frio e brilhante, criando uma harmonia entre o natural e o fabricado. A madeira reciclada, com suas marcas de uso e desgaste, sugere uma dimensão temporal, onde o passado do material influencia o presente. Essa camada narrativa insere a obra no ciclo de vida dos materiais, onde o novo e o velho se encontram. Em uma universidade na área de exatas, com o campus voltado para ciências e tecnologias, a moldura de madeira reciclada pode representar a ponte entre o conhecimento científico e o prático. A obra valoriza a tradição e a inovação, demonstrando que progresso e sustentabilidade não precisam ser conflitantes. Em contraste, a superfície polida do crânio, suave e reflexiva, simboliza a perfeição e o controle técnico, enquanto a superfície bruta representa o lado orgânico e inexplorado da humanidade. A coexistência das duas texturas reflete a dualidade da experiência humana: o civilizado contra o instintivo, o racional contra o emocional. Filosoficamente, o crânio polido pode ser visto como uma metáfora da face pública, cuidadosamente moldada e apresentada, enquanto o lado bruto reflete a essência natural e inalterada. Esse contraste evoca o processo de criação e destruição, onde o refinado é o resultado de intervenção humana, enquanto o bruto simboliza a resistência à mudança. As texturas contrastantes convidam o espectador a uma exploração sensorial mais rica. A parte polida reflete o observador e o ambiente, criando uma relação dinâmica, enquanto a parte bruta evoca introspecção sobre o que está além da aparência superficial. A obra integra elementos de arte, ciência e matemática, demonstrando que a criatividade e a inovação tecnológica são complementares. Ela desafia a ideia de que a arte e a ciência estão em oposição, sugerindo que ambas buscam entender e expressar a realidade em suas diversas dimensões. Por tanto, o impacto esperado pela obra é uma reflexão sobre a condição humana e a interação entre o natural e o artificial. A obra provoca o espectador a questionar as aparências, a explorar o que está além da superfície e a pensar sobre o equilíbrio entre arte, ciência e ecologia. Assim, a obra pode ser vista como uma meditação sobre a identidade humana, a interação entre o natural e o artificial, e como ocupamos e percebemos o espaço. A composição, também reflete uma preocupação com a sustentabilidade e a interseção entre arte, ciência e ecologia.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
DIMENSÕES FRAGMENTADAS DA DUALIDADE NA ESCULTURA: CONFRONTO ENTRE O INDUSTRIAL E O NATURAL. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118934. Acesso em: 17 abr. 2026.