LEIOMIOSSARCOMA METASTÁTICO EM UM GATO

Autores

  • Cristina Minguet Cardoso
  • Leonel Félix Leão Neto
  • Luiza Eula Marques
  • Guilherme de Marchi
  • Bruno Leite dos Anjos
  • Gustavo Forlani Soares

Palavras-chave:

Felino, neoplasia, histopatologia

Resumo

Leiomiossarcoma é uma neoplasia mesenquimal maligna incomum em felinos, com potencial metastático moderado. Os focos mais comuns de metástase são o pulmão e fígado pela propensão de disseminação via hematógena. Foi atendido no Hospital Universitário Veterinário da Universidade Federal do Pampa, um felino, macho, SRD, com 4,5 kg, de 14 anos de idade e FIV/FeLV negativo. Durante a anamnese, foi relatado que o paciente se apresentava apático e cursava com anorexia há 4 dias, com redução de apetite a cerca de 10 dias, emagrecimento, urinando menos do que o habitual e com dificuldade respiratória desde o dia anterior à consulta, mas sem histórico de doenças respiratórias ou cardiovasculares. No exame clínico, o felino apresentava mucosas hipocoradas, comportamento apático e desidratação moderada e durante a palpação abdominal foi identificada uma massa de cerca de 6cmx6cmx6cm. A suspeita inicial foi de doença renal crônica ou neoplasia. A partir desses achados foram requisitados ultrassonografia abdominal, radiografia torácica e perfil hematológico completo. No laudo ultrassonográfico constavam achados sugestivos de coágulo sanguíneo na vesícula urinária, alterações renais indicativas de doença renal crônica e alterações em parênquima hepático sugestivas de hepatopatia. Foi sugerido uma tomografia computadorizada para melhor elucidação das alterações difusas observadas na cavidade abdominal do paciente. No leucograma, o felino apresentou leucocitose por neutrofilia, linfocitopenia e monocitose. No bioquímico, foi observado aumento de uréia, aumento de proteína total e globulina, hipercolesterolemia, hiperglicemia, aumento de GGT, diminuição de FA e hipofosfatemia. A suspeita de DRC foi descartada, pois a creatinina encontrava-se dentro dos parâmetros de referência. Eritrograma sem achados dignos de nota, porém como paciente apresentava 10% de desidratação, os valores provavelmente se encontravam superestimados. O soro estava discretamente lipêmico e ictérico. Os achados radiográficos foram de efusão pleural leve e hepatomegalia. Na toracocentese guiada foram drenados 30 ml de líquido amarelado e uma amostra foi encaminhada para análise microbiológica, a qual não apresentou crescimento microbiano. A partir dos exames realizados o diagnóstico presuntivo foi de neoplasia abdominal. Apesar do quadro clínico do paciente e prognóstico desfavorável, o tutor do animal optou pela internação e realização cirurgia exploratória. Durante a internação foram administrados dipirona (25mg/kg) e omeprazol (1mg/kg) via intravenosa, a cada 24 horas, cefalotina (20mg/kg), IV, a cada 8 horas, 450 ml de ringer com lactato IV em um equipo de microgotas,18 gotas/min a cada 24 horas e 15 ml de nutralife via sonda nasogástrica a cada 5 horas. Como o paciente apresentou episódios de êmese foram administrados 0,44 ml de metoclopramida IV e realizada a retirada da sonda. A partir desse ponto, houve tentativa de alimentação forçada sem sucesso. Foi administrado também cloreto de potássio (KCl 19,1 %) para suplementar potássio ao animal que apresentava ventroflexão cervical em detrimento da hipocalcemia, essa administração ocorreu de maneira empírica na dose de 0,5 mEq/kg/dia. Para a realização da celiotomia exploratória, o paciente foi induzido com propofol, lidocaína e cetamina e mantido durante a cirurgia com isoflurano e fentanil, lidocaína e cetamina. A cavidade abdominal foi acessada por celiotomia pré retro umbilical, inspecionada e observou-se uma massa em omento maior, implantações neoplásicas em diversos órgãos e presença de grande coleção de conteúdo seroso amarelado na cavidade. Dada a impossibilidade de ressecção da massa e do pobre prognóstico, o paciente foi eutanasiado ainda no transoperatório. O felino foi encaminhado para necropsia, onde foram visualizados incontáveis nódulos neoplásicos em omento maior e peritônio com metástase em vesícula urinária, diafragma, pâncreas, baço, intestinos e pulmão direito. O fígado apresentava degeneração gordurosa difusa moderada sem sinais de metástase. No exame histopatológico, as células eram alongadas, de núcleo alongado ou oval, e citoplasma escasso ou abundante e eosinofílico. O núcleo apresentava cromatina finamente pontilhada e raras mitoses foram observadas. Também havia áreas multifocais e extensas de necrose. Os achados microscópicos foram compatíveis com leiomiossarcoma metastático. A análise histopatológica foi indispensável para a elucidação do tipo tumoral que afetava o paciente, visto que essa neoplasia se assemelha macroscópicamente a qualquer sarcoma indiferenciado de tecidos moles. Além disso, o caso também ressaltou a necessidade de um exame de imagem mais avançado, considerando que nem sempre a ultrassonografia tem sensibilidade adequada ao diagnóstico de neoplasia e a importância do acompanhamento geriátrico do paciente felino pela capacidade que a espécie tem de ocultar sinais de dor, mesmo em afecções graves, levando ao diagnóstico tardio e prognóstico desfavorável.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

LEIOMIOSSARCOMA METASTÁTICO EM UM GATO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118764. Acesso em: 18 abr. 2026.