PROGRAMA DE EXTENSÃO LONGEVIVER: INTERVENÇÃO JUNTO A PESSOAS IDOSAS CAMPESINAS

Autores

  • Emilli Martins
  • Elisangela Maia Pessoa

Palavras-chave:

envelhecimento, êxodo, rural, agricultura, familiar

Resumo

Pesquisar temáticas que envolvem o envelhecimento enriquece não somente o conhecimento acadêmico no âmbito da gerontologia social, mas também contribui para o desenvolvimento de políticas públicas que atendam seus direitos. Dados da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (2021), indicam que dos 30 milhões de brasileiros/as com mais de 60 anos, cerca de 15% estão no meio rural. Embora possa não parecer um índice alto, a permanência das pessoas idosas em zonas rurais é de extrema importância, pois estudos indicam que os/as mesmos/as trazem consigo riqueza de conhecimentos em várias áreas da vida, como por exemplo, na convivência em comunidade, ensinamentos passados de geração para geração, saberes ancestrais que são vitais para a preservação da biodiversidade e para a sustentabilidade de cultivo à agricultura familiar. Diante da importância de temáticas, como acima apresentada, o programa de extensão LongeVIVER tem como objetivo geral promover ações dirigidas a aspectos que envolvam a longevidade, a fim de fomentar estratégias de proteção social para o envelhecimento. A partir do Edital n° 05/2023 voltado para ações junto a quilombolas, indígenas e campesinas/os o programa de extensão propôs uma aproximação com pessoas idosas campesinas por meio de encontros de convivência e fortalecimento de vínculos. As atividades desenvolvidas foram possibilitadas por meio da efetivação de parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social do município de São Borja, tendo apoio da Assistente Social do Centro de Referência em Assistência Social da Equipe Volante a qual desenvolve atividade junto a comunidades de difícil acesso como zonas rurais, quilombos, populações ribeirinhas, etc. Metodologicamente optou-se pela realização de uma roda de conversa após apresentação da equipe e palestra expositiva. Para exposição foram elaborados slides com vídeos que abordavam a importância da pessoa idosa no campesinato enquanto preservação cultural, familiar e de sobrevivência. Também foram apresentados resultados de diversas pesquisas que debatem quais são as vivências e dificuldades de uma pessoa idosa morando no campo. As atividades foram desenvolvidas junto a duas comunidades da zona rural do município denominadas Samburá e São Miguel. No primeiro encontro participaram 5 moradores da localidade de Samburá, sendo 3 mulheres, 2 homens, estando uma criança presente. Foi uma tarde de muitas trocas, sendo que foram levadas informações sobre estudos a respeito das dificuldades de acesso as localidades no interior, questões de precarização de diretos básicos como saúde e também fatores que podem estar associados à melhor adaptação de pessoas idosas em seu processo de envelhecimento no campesinato. Para além dos desafios também foram promovidas reflexões quanto aos benefícios de se morar na zona rural, como por exemplo o acesso a hábitos alimentares mais saudáveis entre outras questões. Embora estivéssemos em pouca quantidade de pessoas todos/as foram muito receptivos/as e nos trouxeram o quanto era importante abordar tais temas, uma vez que o campesinato vem se reduzindo ao longo dos anos devido ao êxodo rural principalmente dos jovens. No segundo encontro fomos na localidade de São Miguel, participaram da atividade 13 moradoras, todas mulheres de várias idades. Pautamos os mesmos temas da comunidade anterior, porém em uma realidade diferente. As rodas de conversas, em ambas comunidades, proporcionaram momento de fala aos/as participantes que puderam expor sua realidade e compará-la as pesquisas e informações que pontuamos. Analisando os impactos das atividades realizadas avaliamos que as mesmas foram muito positivas, sempre é muito importante para a comunidade acadêmica ter contato com pessoas que auxiliem de alguma forma a pensar sobre como cada pessoa ou comunidade tem suas vivências e características. A diversidade de realidades ficou nítida, uma vez que nem sempre o que as pesquisas apresentadas indicavam condizia com a realidade vivenciada pelas pessoas idosas presentes. Refletimos junto aos grupos o quanto questões geográficas, acesso a políticas públicas, etc. pode interferir na qualidade de vida das pessoas campesinas. A aproximação entre a comunidade acadêmica e a comunidade externa possibilita uma perspectiva prática e realista que complementa a teoria aprendida em sala de aula. Ao final das atividades conclui-se a importância e a necessidade de debates em torno do cotidiano das pessoas idosas no meio rural, tanto para levar informações aos/as mesmo/as quanto para busca de conhecimento e interação com a realidade para elaboração de futuras propostas de pesquisa e extensão. Constatou-se que se carece de estudos sobre pessoas idosas no campesinato no estado do Rio Grande do Sul, o que se torna preocupante uma vez que diversas regiões no estado têm como um dos principais meio de subsistência a agricultura.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2024-10-16

Como Citar

PROGRAMA DE EXTENSÃO LONGEVIVER: INTERVENÇÃO JUNTO A PESSOAS IDOSAS CAMPESINAS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118704. Acesso em: 17 abr. 2026.