ESCOLA DA TERRA: EDUCAÇÃO DO CAMPO EM MOVIMENTO

Autores

  • José Guilherme Franco Gonzaga
  • Jonas Anderson Simões das Neves
  • Carla Valeria Leonini Crivellaro
  • Annie Mehes Maldonado Brito

Palavras-chave:

Educação, Campo, Escola, Formação, Professores, Alternância, Pedagógica, Cartografia, Social

Resumo

Este trabalho apresenta as experiências com formação continuada de professoras/es que atuam em escolas do campo no âmbito do Escola da Terra, um programa do MEC, desenvolvido com universidades públicas e escolas do campo das redes municipais e estaduais. O principal objetivo é promover a melhoria das condições de acesso, permanência e aprendizagem dos estudantes do campo em suas comunidades, por meio do apoio à formação de professores que atuam nas turmas dos anos iniciais do ensino fundamental. Assim, a ideia do programa é fortalecer a escola como espaço de vivência social e cultural e a produção de materiais que considerem essas realidades. Atendendo a 160 professores/as de escolas do campo, o curso, na modalidade de aperfeiçoamento, foi desenvolvido com a parceira entre Unipampa, MEC e as redes municipais de Dom Pedrito, Piratini e SantAna do Livramento, com Carga Horária Total de 180 horas, sendo 100 desenvolvidas com encontros com formadoras/es da Universidade e 80 desenvolvidas na própria escola e comunidades, nas quais trabalham os/as cursistas, valorizando o trabalho como princípio educativo, bem como a compreensão da reflexão crítica sobre a prática pedagógica, como uma forma de aprofundar as possibilidades de como aperfeiçoar o que já vem sendo feito. Compreendemos a formação continuada como um diálogo com as práticas e os conhecimentos de profissionais que atuam nas escolas, enfrentando os desafios, possibilidades e dilemas do cotidiano da escola e do chão da sala de aula. Por conseguinte, a proposta aqui apresentada, tem como princípio o acolhimento e a reflexão sobre essas práticas e conhecimentos de forma a valorizá-los e, a partir deles construir novas possibilidades. Essa relação prática-teoria-prática foi enfatizada pela metodologia da alternância pedagógica onde cursistas terão como lócus de estudos tanto a Universidade quanto a própria escola, compreendendo também o trabalho docente como uma atividade de autoformação. Desta forma, o curso foi organizado em dois tempos educativos: o Tempo Universidade, com encontros presenciais nos núcleos territoriais e o Tempo Escola/Comunidade, com atividades e encontros presenciais que acontecerão no lócus de trabalho das/dos cursistas, entendendo a escola como espaço de formação e produção de conhecimento docente. Estes tempos perpassaram três espirais, sendo a primeira espiral destinada ao estudo da formação social-histórico-cultural-econômica da sociedade brasileira e os efeitos na alfabetização e escolarização da diversidade dos povos do campo. Na segunda espiral estudamos o histórico, princípios e fundamentos teórico-metodológicos da Educação do Campo, com ênfase na alfabetização e escolarização e na terceira espiral abordamos as práticas pedagógicas interdisciplinares em alfabetização na perspectiva da Educação do Campo. A articulação entre as três espirais foi costurada a partir da interação entre os encontros teóricos, as práticas já desenvolvidas nas escolas e a construção de trabalhos a partir dos quais se materializaram as intersecções prática-teoria-prática. Neste sentido, a partir da primeira espiral teve início a construção de cartografias dos territórios de existência das escolas e de vida das comunidades escolares e transcorreu ao longo das três espirais, de forma que concomitantemente ao aprofundamento da compreensão teórico-prática da Educação do Campo se desvelam novas camadas de compreensão do tecido social no qual estão imersas as escolas. Ao iniciar a segunda espiral foi lançada o inventario as práticas pedagógicas da escola, tanto como forma de conhecer e reconhecer o trabalho desenvolvido nas escolas do campo quanto para permitir que os professores pudessem refletir e teorizar sobre suas próprias práticas. Ainda na segunda espiral, foram realizadas oficinas de Arpileras, a partir das quais os/as cursistas foram convidados a costurar retalhos de tecidos de modo a registrar as múltiplas formas do campo, das escolas e das gentes como espaço de vida. As espirais se encerraram em seu terceiro módulo, mas as sementes da Educação do Campo permaneceram vivas nas escolas, territórios e gentes que lhe dão vida no Campo, simbolizadas no quadro de sementes que foi construído como oficina deste momento da formação. Ao trabalhar com as sementes, propusemos refletir também sobre as formas agroecológicas de produção da vida, dos saberes e do mundo. Ao longo do processo de cartografar os territórios, inventariar as práticas, registrar as vidas e semear a Educação do Campo não deixamos de cuidar "das gentes" que fazem a Educação do Campo, ao definir o Tempo Cuidado - de si e dos outros - como ação transversal ao curso. Assim, ao cuidar de quem educa, reconhecemos a dimensão humana de quem faz a Educação e, ao propor o cuidado com os educandos, negamos a escola como simples formadora de mão de obra, para reafirmá-la como espaço onde educadoras e educandos produzem vida e saberes.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

ESCOLA DA TERRA: EDUCAÇÃO DO CAMPO EM MOVIMENTO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118681. Acesso em: 19 abr. 2026.