POR UMA EDUCAÇÃO LÚDICA E ANTIRRACISTA: A PRODUÇÃO DE JOGOS DIDÁTICOS PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA

Autores

  • Edson Leandro
  • Nola Patricia Gamalho
  • Denise Aristimunha de Lima

Palavras-chave:

Étnico-Raciais, Educação, Cultura, Povos, Antirracista

Resumo

Há vinte e um anos que a Educação Básica conta com uma legislação específica para a educação das relações étnico-raciais. A lei 10.639/03 inclui no currículo escolar o ensino das temáticas afro-brasileira e africana. Em 2008, tem-se a 11.645/08 que acrescenta a temática dos povos originários. Essas leis atuam no rompimento da narrativa histórica centrada no homem branco, cristão e heterossexual. É um grande desafio da sociedade contemporânea o combate a todo tipo de preconceito. Nesse sentido, é consenso que o racismo é estrutural no Brasil e para combatê-lo, é necessário compreender nossas origens e como elas foram e ainda são marcadas pelo apagamento dos povos negros e indígenas e pela ideologia do branqueamento. É preciso re(conquistar) o pertencimento étnico-racial. Nessa perspectiva, a utilização de jogos pedagógicos, como recurso educativo no ensino básico, pode constituir para o desenvolvimento da aprendizagem, estimulando as habilidades sociais, o desenvolvimento cognitivo e as competências socioemocionais de empatia e respeito à diversidade. A inclusão desses recursos na educação básica é fundamental, uma vez que abordam os conteúdos por um viés e práticas decoloniais. Jogos, como o Mancala, de cultura africana, contribuem ao apresentar diferentes contextos sociais e desigualdades, além de auxiliar os alunos a refletirem criticamente sobre a realidade social. Da mesma forma, o Jogo da Onça, de origem indígena brasileira, proporciona o desenvolvimento do raciocínio lógico para a resolução de problemas, aproximando a sociedade atual dos povos nativos do país e contribuindo para uma educação antirracista e para a ampliação das questões afro-brasileiras e indígenas. Logo, observa-se a relevância de incorporar jogos pedagógicos com temáticas africanas, afro-brasileiras e indígenas na formação de um corpo social crítico e reflexivo. Este trabalho visa apresentar as ações desenvolvidas no projeto de extensão, através da produção de material didático para uso dos docentes na região de abrangência da UNIPAMPA. Compreendemos que a formação docente sobre a temática é deficitária, tendo implicações na promoção do pertencimento étnico-racial. Desta forma, foi feita a construção de dois jogos de cartas para uso pedagógico: um sobre o continente africano, chamado PAPED (População Total, estimativa de vida, PIB per captar, acesso à internet e densidade demográfica), no qual são apresentados seus países, bandeiras e informações como estimativa de vida; e o segundo, Memórias Indígenas, sobre os povos indígenas presentes em território brasileiro e seus grupos linguísticos. A produção desses materiais é uma etapa das ações de extensão, sendo que na sequência tem-se a previsão de formação nas escolas e disponibilização dos jogos nas redes sociais. Como metodologia para elaboração dos produtos didáticos, foi realizada uma pesquisa bibliográfica em sites de educação e outros espaços de publicização de práticas pedagógicas. Foi utilizado também o site do IBGE Países para obter os dados sociais e econômicos dos países africanos. Com base nessa pesquisa, realizou-se a produção desses materiais educativos: o PAPED e o Memórias Indígenas. Assim, destacamos a importância de uma postura educacional antirracista para a construção de uma conscientização cultural, desde a infância. Intenciona-se que a articulação promovida pela extensão constitua subsídios para os docentes da rede de ensino no sentido de promover a educação cidadã para todos os pertencimentos étnico-raciais. Ao criar, já no ambiente escolar, uma identificação e pertencimento, essenciais na educação, promovemos uma formação mais consciente, inclusiva e enriquecedora. Trabalhar com jogos é valioso para os estudantes, considerando as diversas perspectivas culturais étnicas. Ao explorar esses jogos, os alunos têm a oportunidade de ampliar, de maneira lúdica e significativa, a compreensão da diversidade no Brasil e no mundo.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

POR UMA EDUCAÇÃO LÚDICA E ANTIRRACISTA: A PRODUÇÃO DE JOGOS DIDÁTICOS PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118679. Acesso em: 17 abr. 2026.