MAPEAMENTOS SOBRE SAÚDE DO TRABALHADOR EM TERRITÓRIOS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Palavras-chave:
Trabalhadores, Setor, Terciário, Estratégia, Saúde, Família, Inclusão, SocialResumo
A saúde do trabalhador constitui-se em uma área técnica especializada, cujas ações são promovidas em articulação com os diversos setores da sociedade. Entre suas ações destacam-se as voltadas para a educação em saúde que perpassa por bem mais do que discorrer sobre estatísticas de morbimortalidade dos trabalhadores, da natureza dos riscos e sua relação com a Classificação Brasileira de Ocupações no estabelecimento do nexo causal. Ela congrega um conjunto das mais variadas informações de como se prevenir contra os agravos, doenças e acidentes de trabalho, bem como de quais os fluxos a percorrer para se garantir os direitos trabalhistas. A assistência à saúde também caracteriza-se como direito fundamental dos trabalhadores e o atendimento dessas necessidades se dá por meio da articulação com demais os serviços de uma região. Isto porque a saúde do trabalhador operacionaliza-se junto ao modelo de vigilância instituído no Sistema Único de Saúde. Logo, as Estratégias de Saúde da Família configuram-se em portas de entrada e elos de ligação mais próximos das pessoas de uma comunidade. Possibilitando a seus trabalhadores identificarem e intervirem sobre os riscos, doenças e acidentes ocorridos na ambiência de seus territórios de adscrição. Nesta perspectiva, elaborou-se este estudo com o objetivo de destacar singularidades inerentes à inclusão social de trabalhadores do setor terciário inseridos em territórios adscritos a Estratégias de Saúde da Família. Trata-se de um relato de experiência, emergido das ações de extensão do projeto intitulado Saúde do Trabalhador: mapeamento em territórios da Atenção Primária à Saúde, vinculado ao Laboratório de Investigação e Inovação em Saúde de Populações Específicas. Elas foram realizadas a partir da articulação de docentes e discentes do Curso de Enfermagem de uma instituição de ensino superior, pública e gratuita, com os profissionais de saúde atuantes em uma Estratégia de Saúde da Família, no período de março a julho de 2024. Os resultados estão apresentados nas seguintes categorias teórico-reflexivas: insustentabilidade da saúde, naturalidade da contenção e esconderijo do medo. Na primeira, destacam-se as falas de trabalhadores quanto à impossibilidade de conciliar o horário de trabalho com o de funcionamento dos serviços de saúde comunitários, em especial da Estratégia de Saúde da Família. Somam-se a essas outras que revelam desconfiança e nos momentos de busca por atenção à saúde nos referidos serviços. Esse conjunto de fatos faz com que os trabalhadores negligenciam-se em suas necessidades biopsicossociais, o que contribuiu em paralelo para o agravamento dos processos de adoecimento previamente as possibilidades de prevenção. Na segunda, tem-se a condensação de diálogos e observações emergidas do contato dos extensionistas com os trabalhadores do setor terciário em seus próprios estabelecimentos comerciais, durante a execução de suas atividades de trabalho. Com as grades fechadas, muitas informações foram compartilhadas com o extensionista ou trabalhador da saúde mantidos do lado de fora, principalmente naqueles estabelecimentos comerciais domiciliares. Destaca-se que todos os extensionistas estavam devidamente identificados e em companhia de agente comunitário de saúde da Estratégia de Saúde da Família daquela comunidade. Em uma experiência, ao solicitar-se a verificação dos sinais vitais, o trabalhador olha para as barras de ferro e comenta, desconcertado: "Eu nem percebi que a grade estava aí". Essa fala ressoou como uma metáfora clara do isolamento que muitos trabalhadores experimentam. As grades, que eram supostamente uma proteção física, também simbolizavam uma barreira que os impedia de reconhecerem a importância de cuidarem de si. Elas também guardam a distância dos serviços de saúde, nos quais eles podem ter orientações ou informações contrárias à manutenção de sua rotina e de seus desejos. A terceira compõem-se pela transgressão ao uso racional e prescrito de fármacos ou seu negligenciamento, pela manutenção de hábitos não saudáveis por parte dos trabalhadores e entre outras questões que têm no exercício e no ambiente do trabalho sua justificativa e oportunidade. De modo geral, as singularidades destacadas indicam a baixa participação social desses trabalhadores na busca pela manutenção e melhora de suas condições de saúde. O movimento de busca provocado pelas ações de extensão os deixou surpreendidos ao identificarem que existe o interesse em auxiliá-los. Isto vai de encontro ao desgaste físico e mental que muitos apresentam e as próprias condições de trabalho flexibilizado e precário identificadas como possíveis causas de seus adoecimentos. Salienta-se ainda que a maioria dos vínculos empregatícios são informais e as atividades de trabalho são realizadas na ambiência domiciliar, o que muitas vezes pode limitar o convívio familiar e social.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
MAPEAMENTOS SOBRE SAÚDE DO TRABALHADOR EM TERRITÓRIOS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118659. Acesso em: 17 abr. 2026.