(RE)CONHECER E VISIBILIZAR A LUTA DE MULHERES NA FRONTEIRA OESTE: LEGADO DE MARIA MEDIANEIRA

Autores

  • Camile da Silva Martins
  • Maria Fernanda Bayon Dinis
  • Mariana Elizabete Missio Saldanha
  • Raquel Cristina Braun da Silva
  • Lisie Alende Prates
  • Ana Paula Pesarico

Palavras-chave:

Invisibilidade, feminina, Papel, mulher, Equidade, gênero

Resumo

A edição atual do Programa de Educação pelo Trabalho (PET) emergiu das Políticas de Promoção da Equidade em Saúde, com o intuito de promover práticas, pesquisas e discussões referentes ao tema da equidade, considerando a complexidade dos marcadores de diferenças, violências e saúde mental no âmbito do trabalho no Sistema Único de Saúde (SUS). A UNIPAMPA, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do município de Uruguaiana, teve aprovada a proposta intitulada Interseccionalidade e Equidade no Trabalho do SUS: Questões de Gênero, Saúde Mental e Contexto Sociocultural, desenvolvida por dois grupos tutoriais compostos por discentes e docentes dos cursos da área da Saúde e das Ciências Humanas dos Campus Uruguaiana e São Borja, além de profissionais da área da saúde pública. Com o início das atividades do Programa, foi proposta uma pesquisa voltada para mulheres que possuam representatividade na sociedade, nas áreas da saúde, educação e/ou cultura, com maior ênfase para aquelas com pouca visibilidade. Após a pesquisa e a reflexão sobre as histórias dessas mulheres apresentadas, dois nomes foram escolhidos para nomear cada grupo de trabalho. Nesse sentido, este estudo descritivo, do tipo relato de experiência, tem como objetivo relatar os itinerários percorridos por discentes vinculados ao PET-Saúde Equidade na pesquisa e proposição de um nome feminino representativo dos objetivos do Programa para nomear um dos grupos de trabalho. O itinerário relatado neste trabalho se deu a partir de pesquisas por nomes de figuras locais e desenvolvido por três discentes sob auxílio de uma preceptora. A pessoa escolhida para representar o grupo tutorial, devido sua representatividade e contribuições sociais, foi a professora Maria Medianeira Ibanez Alberto. Apesar de seus inúmeros feitos sociais em Uruguaiana, sua figura é pouco conhecida, dificultando o levantamento de informações apenas por meio digital. Dessa forma, as discentes realizaram contato e desenvolveram uma entrevista com a própria Maria Medianeira para conhecer sua história de vida e trajetória de lutas no âmbito social. A professora possui 78 anos, é natural de Uruguaiana-RS e filha de peão da estância. Iniciou as atividades laborais na infância, como babá e empregada doméstica. Estudou em escolas públicas estaduais, ganhou uma bolsa de estudos para cursar Contabilidade, em Passo Fundo/RS e fez Pedagogia na Pontifícia Universidade Católica, em Uruguaiana. Relatou que, desde muito nova, se sentia incomodada com as iniquidades sociais e, quando contratada pela Rede Pública Estadual, abordava temáticas, como discriminação, segurança, transporte, trabalho e saúde, em sala de aula. Ao longo da vida, participou de inúmeras manifestações estudantis e organizações sociais, que a levaram a sofrer perseguição política e repressão do poder municipal. Atualmente, faz parte do Movimento Nacional de Luta por Moradia em Porto Alegre, da Associação das Pessoas com Deficiência e do Sindicato de Trabalhadores/as de Uruguaiana-RS, e ainda luta pela educação local e implementação do Hospital Universitário Federal do Pampa, além de participar em diversos conselhos. Ao refletir sobre a sua história de vida, reconhece-se que o papel da mulher na sociedade ampliou-se significativamente nas últimas décadas, com maior participação em espaços políticos, econômicos e sociais. Contudo, apesar das novas atribuições, a desigualdade racial e de gênero ainda é presente em diversos contextos de vida femininos, com a utilização de estratégias que buscam controlar e cercear suas possibilidades de existência. Sob essa perspectiva, cabe salientar que a Medianeira é uma mulher preta, professora e manifestante, características que, muitas vezes, geram estigmatização, preconceito e falta de reconhecimento quanto a sua relevância social. Diante disso, a trajetória da Medianeira demonstra resistência e empoderamento feminino, destacando a necessidade de dar visibilidade às mulheres que atuam ativamente na ciência, educação e gestão, cujas contribuições são frequentemente invisibilizadas. A escolha também demonstra o compromisso do grupo tutorial em promover a equidade de gênero e a participação ativa das mulheres na produção de conhecimento e na tomada de decisões políticas. Portanto, ao escolher Maria Medianeira como um nome representativo do grupo tutorial, reforça-se o compromisso com a valorização das mulheres que enfrentam imensos desafios em suas trajetórias profissionais e sociais. Por fim, após o levantamento de informações sobre as mulheres selecionadas, os subgrupos realizaram apresentações orais, complementadas por material digital, para explanação das pesquisas e defesa de cada nome. Entende-se que essa atividade foi relevante para promover o exercício da valorização às mulheres que lutam pelo progresso social, dando maior visibilidade para suas lutas diárias, conquistas e superações, pois, parafraseando a própria Maria Medianeira, a nossa defesa tem sido a defesa da vida.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

(RE)CONHECER E VISIBILIZAR A LUTA DE MULHERES NA FRONTEIRA OESTE: LEGADO DE MARIA MEDIANEIRA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118625. Acesso em: 18 abr. 2026.