CARDIOMIOPATIA FENÓTIPO RESTRITIVA EM UM GATO RELATO DE CASO

Autores

  • Daniela Machado Schuster
  • Gustavo Forlani Soares

Palavras-chave:

Insuficiência, cardíaca, ecocardiograma, ascite

Resumo

A cardiomiopatia fenótipo restritiva é uma cardiomiopatia que afeta principalmente gatos machos e não possui uma etiologia totalmente esclarecida, sendo considerada de origem idiopática. Os sinais clínicos mais comuns são de insuficiência cardíaca congestiva, como dificuldade respiratória, aumento de volume abdominal e paralisia de membros pélvicos devido tromboembolismo. O diagnóstico ocorre através do ecocardiograma, com ventrículo esquerdo sem espessamento, porém com função diastólica diminuída, assim como átrio esquerdo e direito dilatados. O tratamento varia de acordo com as alterações ecocardiográficas e sintomatologia do paciente, incluindo uso de diuréticos, inotrópico positivo e anticoagulantes. O prognóstico de vida varia de 14 dias até mais de 2 anos após o diagnóstico. Um gato, macho, de 14 anos, sem raça definida e FIV e FeLV negativo foi atendido no Centro Veterinário Welpen, com queixa de perda de peso, fraqueza, aumento de volume abdominal e perda de apetite. Os tutores já estavam em acompanhamento em outra clinica há 2 meses, onde estava sendo drenado efusão abdominal a cada 30 dias, porém sem um tratamento e diagnóstico definitivo. Havia sido feito análise do líquido cavitário com amostra compatível com transudato modificado. Em exame físico, paciente apresentava sopro cardíaco em foco mitral e tricúspide, frequência cardíaca dentro da normalidade, ausculta pulmonar sem alteração, membros extremamente edemaciados (sendo um membro com lesão com secreção purulenta em decorrência de fissura de pele contaminada), aumento significativo de volume abdominal e caquexia. Foi solicitado ecocardiograma que evidenciou hipertrofia excêntrica de átrio direito e esquerdo, válvulas mitral e tricúspide insuficientes, ventrículos sem espessamento de parede, relação átrio esquerdo/aorta: 2,46 e alta probabilidade de formação de trombo. Exame de sangue apresentou leucocitose neutrofílica, concentração sérica de albumina dentro da normalidade e alanina aminotransferase (ALT) 260 UI/L O aumento da ALT pode ser justificado por dano celular causado pela congestão hepática e a leucocitose em decorrência da lesão contaminada em um dos membros. Ultrassonografia abdominal sem alterações significativas. Foi realizado drenagem de ascite (cerca de 900 ml de líquido translúcido amarelo claro). Instituído tratamento com pimobendan 0,3 mg/kg BID, clopidogrel 19 mg SID e furosemida 1 mg/kg BID. Após o início do tratamento, paciente voltou a se alimentar melhor e teve alta da internação. Paciente retornou após 11 dias para reavaliação, onde foi informado pelo tutor que não estava mais medicando o felino , pois o mesmo era reativo a manipulação e não aceitava a administração de comprimidos facilmente. Foi instituído então tratamento paliativo, com drenagens da ascite na clínica quando necessário e massagem dos membros com óleo de girassol cicatrizante, auxiliando a drenagem e hidratação, a fim de evitar fissuras de pele devido ao edema. O paciente foi acompanhado por mais 1 mês realizando drenagem de ascite e não retornou mais a clínica . As cardiomiopatias felinas tendem a ter um caráter progressivo, podendo cursar com sinais de ICC esquerda e/ou direita, assim como tromboembolismo. No presente relato, o felino apresentou sinais de ICC direita e não foi possível avaliar a eficácia do tratamento devido sua interrupção. O ecocardiograma foi essencial para o diagnóstico e o prognóstico é desfavorável, especialmente em pacientes que já estão sintomáticos.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

CARDIOMIOPATIA FENÓTIPO RESTRITIVA EM UM GATO – RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118605. Acesso em: 18 abr. 2026.