TOXOPLASMOSE EM BUGIO RUIVO ( ALOUATTA GUARIBA)
Palavras-chave:
Toxoplasma, gondii, zoonótica, felinosResumo
O Bugio-ruivo (Alouatta guariba) pertence à classe Mammalia, ordem Primates, família Atelidae, conhecido popularmente como Barbado e Guariba. Esta espécie é nativa do extremo norte da Argentina, na região da Província de Misiones. No Brasil, sua ocorrência é predominante nas regiões de Mata Atlântica, nos estados de Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O ICMBIO/CPB (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade/Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros), demonstrou a partir dos resultados da avaliação do Risco de Extinção do Alouatta guariba, atualizada em 2022, que a urbanização, o desmatamento, as atividades agropecuárias, a caça e as epizootias são fatores ameaçadores. A toxoplasmose é uma doença infecciosa, cosmopolita e zoonótica, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, parasita intracelular obrigatório, pertencente à família Sarcocystidae. Os felinos são os hospedeiros definitivos, sendo acometidos pelos dois tipos de ciclos evolutivos do parasita, o ciclo enteroepitelial, onde há reprodução sexuada que resulta na produção de cistos. E o ciclo extra-intestinal, assexuado, que ocorre a partir da ingestão de oocistos. A partir disso, o Toxoplasma pode acometer outras espécies como os humanos, aves e outros mamíferos, os quais são considerados hospedeiros intermediários sendo acometidos apenas pelo ciclo extra-intestinal. A transmissão acontece pela ingestão de água e alimentos contaminados com o oocisto, ingestão de cistos teciduais e via transplacentária. Baratas, moscas e minhocas atuam como hospedeiros paratênicos. Em primatas neotropicais, como o Bugio, a doença é descrita de caráter agudo com prognóstico desfavorável, levando a alta mortalidade. Os sinais clínicos são variáveis e difíceis de estabelecer um padrão, os relatos mais comuns são anorexia, apatia, desidratação e sinais relacionados ao sistema respiratório como descarga nasal, dispneia e tosse. O presente trabalho objetiva relatar um caso de toxoplasmose em Bugio vermelho (Alouatta guariba). O bugio, macho, fértil, de 4 anos de idade, pesando 7,7kg vivia em cativeiro com outros 5 da mesma espécie no zoológico São Brás, localizado na cidade de Santa Maria - Rio Grande do Sul. No dia 05/08/2024 o espécime foi observado no recinto com um comportamento incomum, apresentando apatia, secreção nasal e dificuldade respiratória. Outros exemplares deste recinto positivos para Toxoplasmose vieram a óbito em janeiro de 2024, por isso, iniciou-se a suspeita para esta enfermidade. Para o diagnóstico foi realizado coleta de amostra de sangue, sob sedação com Cetamina 10 mg/kg e Midazolam 0,1 mg/kg para envio ao laboratório, onde foi solicitado PCR para Toxoplasmose. No dia 17/08/2024 a partir dos resultados do hemograma completo, constatou-se que havia anemia, tendo os seguintes parâmetros: Hemácias 2,95/µL, Hemoglobina 7,2 g/dL, Hematócrito 23%, V.G.M 77,97 fL, C.H.G.M 31,30 e Hipoproteinemia, proteína plasmática total 5,2 g/dL. Trombocitopenia, plaquetas 19.000//µL e Linfopenia, Linfócitos 1.900//µL. Em relação ao achados do bioquímico, constatou-se aumento de AST, 176,3 U/L, e azotemia, Uréia 135,7 mg/dL, Creatinina 1,80 mg/dL. O resultado do PCR apontou a amostra como positiva para Toxoplasma gondii. Após a suspeita, o animal foi tratado uma vez ao dia durante 5 dias com os seguintes fármacos e suas respectivas doses: Enrofloxacino 5 mg/kg, Prednisolona 0,5 mg/kg, Bromexina 0,1 ml/kg, e nebulização com Acetilcisteína, 20 mg/ml. A apresentação clínica durou 5 dias, compreendendo o período de 05/08/2024 a 09/08/20024, tendo vindo a óbito na manhã do dia 10/08/2024, onde o Bugio estava inconsciente e apresentou epistaxe. No dia 14/08/2024 a equipe técnica da Vigilância Sanitária compareceu ao Zoológico para realizar a necropsia. Macroscopicamente não foi visualizada nenhuma alteração digna de nota, mas não foi possível estabelecer afirmações devido ao estado do cadáver que se encontrava refrigerado/congelado. Amostras de tecidos foram coletadas, dentre as quais as amostras de pulmão e baço deram positivas para Toxoplasmose. Os achados histológicos mais comuns já relatados nestes casos são hepatite, linfadenite, pneumonia intersticial, e esplenite. O impacto direto na saúde pública denota a importância da notificação destes casos, uma vez que permite criar um mapeamento que servirá de base para estabelecer estratégias de controle e prevenção. Bem como, o estabelecimento de protocolos de biossegurança em Zoológicos, mantenedores, e outras instituições afins para que seja possível diminuir um dos fatores ameaçadores que torna estes exemplares vulneráveis à extinção.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
TOXOPLASMOSE EM BUGIO RUIVO ( ALOUATTA GUARIBA). Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118604. Acesso em: 17 abr. 2026.