A DISPARIDADE DE GÊNERO NO JORNAL NACIONAL: UMA ANÁLISE SOBRE ESPAÇO DE PODER

Autores

  • Pâmela Anschau de Almeida
  • Eduardo Vieira Da Silva

Palavras-chave:

Visibilidade, Jornalismo, Poder

Resumo

O presente trabalho aborda o conceito de espaço de poder no telejornalismo, com base na análise de dez edições consecutivas do Jornal Nacional, principal telejornal da Rede Globo, uma das mais influentes emissoras de televisão no Brasil. A pesquisa parte da premissa de que o jornalismo representa não apenas um canal de comunicação, mas também um espaço de poder em que as dinâmicas de visibilidade e representação se manifestam de maneira explícita. Este poder é exercido, em grande parte, pela visibilidade de homens e mulheres nas reportagens e pela definição das pautas abordadas. O estudo justifica-se pela necessidade de compreender como esse poder é distribuído entre os gêneros, especialmente em um veículo de comunicação de grande alcance e influência como o Jornal Nacional, que molda a opinião pública e reflete as estruturas sociais. Entre os objetivos deste estudo estão analisar a disparidade de gênero nas reportagens e identificar padrões na disposição das pautas conforme o gênero dos repórteres. A pesquisa busca entender não apenas a quantidade de aparições de homens e mulheres, mas também a qualidade dessas aparições, ou seja, os tipos de pautas que cada gênero costuma abordar e como isso reflete ou perpetua determinadas construções de poder. O procedimento metodológico adotado envolveu uma análise tanto quantitativa quanto qualitativa das edições selecionadas. A análise quantitativa focou na identificação dos repórteres, registrando o número de vezes em que homens e mulheres aparecem como responsáveis pelas reportagens. Já a análise qualitativa envolveu a categorização das pautas escolhidas, buscando entender como o gênero dos repórteres influenciou a escolha e a abordagem dos temas. Foram considerados aspectos como a temática das reportagens, a complexidade dos assuntos tratados e a frequência da presença de homens e mulheres em diferentes editorias, como Política, Economia, Cultura, Saúde e Direitos Humanos. Os resultados parciais obtidos sugerem uma predominância masculina no telejornalismo do Jornal Nacional, com 61% das reportagens sendo apresentadas por homens, enquanto as mulheres ocupam apenas 39% das passagens. Essa disparidade é ainda mais pronunciada quando se analisa a natureza das pautas abordadas: as mulheres são predominantemente visíveis em reportagens relacionadas a temas de saúde, direitos humanos e cultura, áreas que, historicamente, têm sido associadas ao cuidado e à sensibilidade, reforçando estereótipos de gênero. Em contrapartida, os homens predominam em pautas de maior relevância e complexidade, como política e economia, que são frequentemente vistas como arenas de poder e influência. Esses dados indicam que, apesar dos avanços na inclusão de mulheres no telejornalismo ao longo dos anos, o espaço de poder ainda é majoritariamente ocupado por profissionais masculinos. Além disso, a segmentação das pautas por gênero reflete e reforça desigualdades no exercício do poder dentro do telejornalismo, contribuindo para a perpetuação de estereótipos de gênero que limitam as oportunidades das mulheres nesse campo. A partir dessa investigação, conclui-se que é necessária uma reavaliação crítica das práticas jornalísticas, de modo a promover uma maior equidade de gênero na distribuição de poder e na representação dentro dos meios de comunicação. A superação dessas desigualdades é essencial para a construção de um jornalismo mais inclusivo e representativo, capaz de refletir de forma mais justa a diversidade e a complexidade da sociedade brasileira.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

A DISPARIDADE DE GÊNERO NO JORNAL NACIONAL: UMA ANÁLISE SOBRE ESPAÇO DE PODER. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/118501. Acesso em: 26 maio. 2026.