PERCEPÇÕES DISCENTES SOBRE ENSINO-APRENDIZAGEM EM CURSO TÉCNICO EM INFORMÁTICA INTEGRADO AO ENSINO MÉDIO
Palavras-chave:
Dificuldades, aprendizagem, Educação, tecnológica, Ensino, tecnologiaResumo
Este trabalho foi realizado para embasar pesquisa de mestrado do Programa de Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica (PROFEPT) intitulada Computação Desplugada: estimulando a aprendizagem em cursos de tecnologia da informação. O contexto escolhido foi o do Curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio, em um campus do Instituto Federal Farroupilha (IFFar). Definiu-se tal objeto de pesquisa, dado que é um dos cursos de tecnologia ofertados gratuitamente e, dessa forma, sendo alternativa para estudantes de baixa renda ou com dificuldades econômicas e sociais. O problema abordado foi da identificação de elementos contribuintes de um cenário complexo e desafiador em que componentes curriculares relacionados à lógica de programação apresentam elevado quantitativo de evasões e repetências, logo nos primeiros semestres em cursos de tecnologia. Autores como Deters et al. (2008) indicam nominalmente componentes curriculares como Algoritmos e Programação como sendo os mais desafiadores entre ingressantes desses cursos, com índices de reprovação de 60% já nos primeiros meses. Silva et al. (2018) apontam altas taxas de reprovação, acarretando desistências, independentemente da linguagem de programação utilizada em auxílio didático. Gomes, Henrique e Mendes (2008) corroboram mencionando altos níveis de insucesso nos mesmos componentes, independentemente de nível de escolaridade da formação em analise, e que apesar de ser objeto de várias pesquisas, a evasão e repetência seguem sendo problemas de difícil solução. Entende-se que a problemática não deve ser vista apenas sob uma perspectiva, mas sim sob o construto de múltiplas perspectivas, considerando a participação de diferentes atores e elementos no processo de ensino-aprendizagem. Para conhecer melhor uma dessas perspectivas, a dos alunos, foi delineada essa pesquisa durante período 2023/2, na forma quali-quantitativa, com abordagem exploratória e descritiva. Nela, foram usados questionários online contendo perguntas abertas e fechadas, e divididos em três sessões que buscaram dados demográficos, vivências anteriores e externas à instituição, além das percepções sobre os próprios conhecimentos de programação. Foram entrevistados alunos do primeiro ano, todos matriculados no componente curricular de Programação I. Os dados foram submetidos a análises estatísticas e de conteúdo por meio das quais se apurou o perfil e o grau de identificação dos alunos com o conteúdo trabalhado, bem como os principais problemas tidos como dificultadores para seus processos de aprendizagem. Dos dados demográficos, os resultados demonstram que as idades se distribuem da seguinte forma: 3,4% dos alunos têm 14 anos (1 aluno), 65,5% têm 15 anos (19 alunos), 20,7% têm 16 anos (6 alunos), 3,4% têm 17 anos (1 aluno) e 3,4% têm 18 anos (1 aluno). Houve 3,4% de abstenções (1 aluno). A distribuição entre os gêneros indica que 58,6% da amostra (17 alunos) se identificam como Masculino; 34,5% da amostra (16 alunos) se identificam como Feminino; e 6,9% da amostra (2 alunos) preferiram não responder. Com relação a indicação explícita sobre frequência na Educação Infantil, 42,9% indicaram o Maternal; 60,7% indicaram o Jardim de Infância; 82,1% indicaram a Pré-Escola. Sobre conhecimentos prévios de programação, 13,8% indicaram possuí-los por meio de espaços não formais, enquanto os 86,2% restantes indicaram obtê-los por meio das aulas regulares no IFFar. Sobre termos específicos da lógica de programação, as respostas foram variadas e indicaram uma maior tendência à autoconfiança no tema questionado, com maior ênfase nos entrevistados masculinos, o que implicou em maior incidência de respostas difusas. Concluiu-se sobre a existência de repetentes em cursos de tecnologia, dadas as idades incompatíveis com a turma em estudo, o que aproximava o cenário da instituição pesquisada ao de outras pesquisas; a oposição aos dados de representatividade de gênero média no país para cursos desse tipo, que se mostrou mais favorável ao gênero feminino e destaque a integrantes que escolheram explicitamente não designar um gênero para si; um potencial indicativo de correlação entre facilidades no curso em Ensino Médio e a frequência na educação infantil, o que também pode indicar a viabilidade de metodologias de ensino alternativas e mais lúdicas; e a escolha por espaços não formais entre os que se qualificam para uma maior facilidade de aprendizagem. Por fim, os entrevistados indicam possuir dificuldades com programação, mesmo julgando-se bons programadores. Isso evidencia o potencial de ocorrência de efeito denominado Dunning-Krueger, que se caracteriza por uma percepção exagerada da própria compreensão sobre assuntos em que o sujeito detenha pouca expertise. Essa característica só poderia ser constatada com o passar do tempo, quando se comprovaria uma melhoria nos processos de aprendizagem ou uma supervalorização do atual conhecimento.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
PERCEPÇÕES DISCENTES SOBRE ENSINO-APRENDIZAGEM EM CURSO TÉCNICO EM INFORMÁTICA INTEGRADO AO ENSINO MÉDIO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117840. Acesso em: 17 abr. 2026.