DESAFIOS DA INCLUSÃO DA CRIANÇA COM TEA NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO

Autores

  • Ketlen Ramires
  • Rafael Faria Oliveira
  • Lisiane Costa Claro

Palavras-chave:

Educação, Neurodiversidade, comunicação

Resumo

O presente trabalho, faz parte dos estudos do Programa de Educação Tutorial PET Pedagogia do campus de Jaguarão na Unipampa e tem como objetivo apresentar um projeto que visa promover a alfabetização de um aluno não falante com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista, com nível de suporte 3, utilizando abordagens personalizadas que atendem às suas necessidades específicas. A intervenção nos processos de ensino junto a este aluno, busca criar um ambiente de aprendizagem que facilite a aquisição de habilidades, reconhecimento das letras do seu nome e escrita, respeitando e aproveitando as características únicas do aluno. Os alunos com diagnóstico de autismo nas escolas, enfrentam desafios e oportunidades únicas. O autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma condição neurobiológica que afeta a comunicação, o comportamento e a interação social. No ambiente escolar, esses alunos podem apresentar variadas características e necessidades, desde dificuldades com a comunicação verbal até comportamentos repetitivos e uma sensibilidade sensorial aumentada. Para garantir uma inclusão efetiva, é essencial que as escolas adaptem seus métodos de ensino e ofereçam suporte personalizado. Isso pode incluir a implementação de estratégias de ensino diferenciadas, como o uso de recursos visuais, e a adaptação do currículo para atender às necessidades individuais. A formação contínua de professores é fundamental para que eles possam reconhecer e responder às necessidades específicas desses alunos, promovendo um ambiente de aprendizado mais inclusivo. Além disso, o envolvimento da família e dos profissionais especializados, como terapeutas ocupacionais e psicólogos, é crucial. Esses especialistas podem ajudar a desenvolver planos educacionais individualizados e estratégias para lidar com desafios específicos. O sucesso dos alunos com autismo nas escolas depende de um esforço colaborativo que inclui adaptações curriculares, suporte especializado e um ambiente escolar inclusivo. Para a realização da ação de ensino, o trabalho foi dividido em três partes que são elas: o reconhecimento das necessidades deste aluno, a elaboração de atividades personalizadas para o aluno e a aplicação e os resultados. O reconhecimento das necessidades do aluno se deu através de uma conversa/ entrevista com a psicóloga do aluno e com a professora titular para conhecê- lo e saber suas particularidades. Após, foi entendido que não seria possível nesse momento fazer atividades que envolvessem lápis ou canetas pois o aluno não aceitava ainda e é um pouco rígido quanto a isso e a insistência poderia desestabilizá- lo, foi entendido que não é o momento. Com essas informações se deu início a elaboração das atividades personalizadas: o primeiro passo foi levar um Hand spinner objeto que foi usado para alcançar o foco e concentração desse aluno pois o movimento repetitivo pode ajudar a reduzir distrações externas, permitindo que a criança mantenha o foco em atividades específicas.Logo após foi dado início a aplicação da atividade com o quebra cabeça do alfabeto em e.v.a formando o nome dele. Essa atividade foi escolhida, pois ela pode estimular o reconhecimento e a nomeação das letras, a coordenação motora, a atenção e concentração e o reconhecimento das letras do seu nome. Nas primeiras tentativas, o aluno realizou por comandos e poucas vezes foi preciso apontar com os dedos para onde ele deveria encaixar; quando ele pegava uma letra a pessoa que estava aplicando a atividade nomeava com clareza qual letra era aquela. A atividade foi aplicada por duas semanas, intercalando com outros jogos para não ficar exaustivo. Na última semana o aluno já não precisava de ajuda com comandos. Quando encaixava no lugar errado, logo após corrigia sem precisar de auxílio. Sempre que aplicada a atividade, o aluno se manteve calmo e aceitou realizá-la algumas vezes precisando de pausa. Pode-se considerar um bom avanço, pois ele não costumava sentar para realizar as atividades. Durante o projeto, observou-se que o uso de abordagens personalizadas e inclusivas, como materiais visuais, rotinas estruturadas e atividades sensoriais, foram fundamentais para promover o desenvolvimento das habilidades do aluno. A adaptação das metodologias às necessidades individuais do aluno, aliada à paciência e à colaboração entre professores e profissionais de apoio, resultou em progressos significativos na alfabetização. Embora desafios tenham surgido ao longo do processo, o projeto evidenciou que, com o suporte adequado e a dedicação é possível alcançar resultados positivos. A evolução do aluno demonstra a importância de um ambiente de aprendizagem acolhedor e adaptado às particularidades do autismo. O projeto encerra-se com a certeza de que a continuidade dessas práticas inclusivas contribuirá para o crescimento contínuo do aluno, não apenas na alfabetização, mas em todas as áreas de sua vida escolar.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

DESAFIOS DA INCLUSÃO DA CRIANÇA COM TEA NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117787. Acesso em: 19 abr. 2026.