FORMAÇÃO MÉDICA: O IMPACTO DE UMA EXPERIÊNCIA EXTRACURRICULAR EM UMA UNIDADE DE PRONTO ATENDIMENTO PÚBLICA
Palavras-chave:
Formação, acadêmica, Medicina, emergência, Sistema, Único, SaúdeResumo
A formação em Medicina exige não apenas o domínio teórico do conteúdo, mas também a vivência prática e interdisciplinar, que se torna essencial para a construção de um profissional capaz de atuar de maneira eficaz e humanizada no Sistema Único de Saúde (SUS). As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) oferecem um ambiente dinâmico e desafiador, onde estudantes de medicina podem complementar sua formação por meio de atividades extracurriculares que envolvem a prática de anamnese e exame físico, habilidades necessárias para se chegar ao diagnóstico e manejo clínico e garantir o cuidado integral neste ponto da rede de saúde. Estudos que evidenciam a experiência acadêmica de Medicina em serviços de urgência e emergência ainda são poucos na literatura científica. Ademais, a participação em Ligas Acadêmicas e outras atividades extracurriculares pode enriquecer a formação, ao promover o trabalho em equipe e a integração multidisciplinar, preparando o estudante para os desafios do exercício da medicina, o que precisa avançar em graduações médicas. Com isso, o presente relato tem como objetivo compartilhar experiências extracurriculares na formação em Medicina em uma Unidade de Pronto Atendimento de Uruguaiana. Trata-se de um relato de experiência que se escreve a partir das contribuições de Jorge Larrosa Bondía, sobre o saber que decorre de uma vivência experiencial. Refere-se a experiência como estudante de Medicina, mediante projeto desenvolvido pela Liga Acadêmica de Trauma e Emergências Médicas (LATEM), coordenada por um docente vinculado ao curso de Medicina da Universidade Federal do Pampa UNIPAMPA, em Uruguaiana. A imersão ocorreu junto a Unidade de Pronto Atendimento de Uruguaiana, no período de janeiro de 2024 a agosto de 2024, perfazendo 140 horas de atividades extracurriculares. Logo no início do estágio, fui inserido no ambiente dinâmico da UPA, onde acompanhei o trabalho dos médicos durante as consultas. Essa atividade inicial foi essencial para a compreensão do fluxo de atendimento e gestão clínica aplicado na prática. Observando a interação médico-usuário, aprendi sobre a importância da comunicação evidente e empática, além de aprofundar meu conhecimento sobre anamnese e exame físico direcionados. Com o tempo, fui gradualmente assumindo maior autonomia, realizando consultas individuais sob supervisão. Essa transição representou um grande desafio, pois exigiu a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos ao longo do curso, desde o diagnóstico até a prescrição de tratamentos. Durante as consultas, tive a oportunidade de atender usuários com diversas queixas, desde casos mais simples, como síndromes gripais, até situações mais complexas, como parada cardiorrespiratória. A responsabilidade de tomar decisões clínicas, por vezes rápidas conforme o que exige cada situação, e elaborar a conduta terapêutica foi fundamental para o meu desenvolvimento como futuro médico. As discussões de casos clínicos foram momentos de aprendizado intenso. A troca de ideias com os profissionais médicos e com a equipe multidisciplinar que inclui enfermeiros, técnicos de enfermagem, técnicos de radiologia, paramédicos, entre outros, possibilitou uma visão ampla sobre cada pessoa atendida e respectiva situação de saúde, além de permitir a construção de um raciocínio clínico mais sólido e integrado. Nessas discussões, aprendi a importância da abordagem holística e da colaboração entre diferentes áreas para o cuidado integral do usuário. A UPA, sendo um ambiente de urgência e emergência, proporcionou-me experiências marcantes em situações críticas. Participei ativamente do atendimento a usuários com queimaduras graves, o que demandou a aplicação imediata de protocolos de tratamento e o manejo adequado da dor. Enfrentei também desafios em casos de paradas cardiorrespiratórias, onde pude atuar diretamente nas manobras de ressuscitação cardiopulmonar, vivenciando a pressão e a urgência que situações como essas impõem. Outro aspecto relevante foi o desenvolvimento de habilidades em procedimentos médicos, como suturas e procedimentos cirúrgicos ambulatoriais. Sob orientação, realizei suturas em ferimentos diversos, aprimorando minha destreza manual e entendimento anatômico. Além disso, participei da prescrição de medicamentos e na orientação dos usuários e seus familiares sobre o uso correto dos fármacos e cuidados a serem seguidos após a alta, bem como referenciando para a unidade básica de saúde a que estivesse vinculado, com vistas à continuidade do cuidado. Essa experiência impactou na consolidação de conhecimentos teóricos e desenvolveu habilidades fundamentais para a prática médica, evidenciando a importância das Ligas enquanto oferta de atividades extracurriculares e facilitou a tentativa de tecer linhas de cuidado, a qual acaba ficando a cargo do usuário. Enquanto sistema de saúde é preciso avançar na formação e na produção de redes de saúde mais cuidativas e solidárias, mesmo no contexto de uma UPA.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
FORMAÇÃO MÉDICA: O IMPACTO DE UMA EXPERIÊNCIA EXTRACURRICULAR EM UMA UNIDADE DE PRONTO ATENDIMENTO PÚBLICA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117766. Acesso em: 17 abr. 2026.