VIVÊNCIA DOCENTE NO CURSO DE MEDICINA NO CONTEXTO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

Autores

  • Jamille Louise Bortoni de Oliveira Collazzo
  • Sandra Beatris Diniz Ebling
  • Clarissa de Souza Cardoso

Palavras-chave:

Saúde, Coletiva, Educação, Medicina

Resumo

As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) de 2014 dão ênfase ao campo de Saúde Coletiva para o curso de Medicina, isso favoreceu a inserção dessa disciplina nos Projetos Pedagógicos de Curso (PPC) nas universidades brasileiras. Desta forma, a formação acadêmica no ensino público superior, deve ser pautada na preparação de um profissional generalista, com olhar holístico de forma crítica e reflexiva, com capacidade para atuar em diferentes níveis de atenção no Sistema Único de Saúde (SUS), com ações de promoção da saúde, prevenção de doenças, recuperação e reabilitação à saúde, no entendimento da integralidade da assistência e trabalho em equipe. Desta forma, o docente do componente de saúde coletiva tem um papel essencial para instigar a reflexão e mudança de comportamento aos acadêmicos de medicina utilizando de instrumentos metodológicos nas aulas teóricas e práticas dentro das aulas práticas na Atenção Primária à Saúde. Objetiva-se relatar as vivências de uma enfermeira docente no ensino superior com ênfase na supervisão das práticas de Saúde Coletiva II. Trata-se de um relato de experiência, embasado nas aulas práticas de uma docente do curso de medicina do componente de Saúde Coletiva II do primeiro semestre de 2024, na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), em Uruguaiana. O componente de saúde coletiva II é trabalhado com os alunos do segundo semestre, e propõe o primeiro contato dos discentes com o contexto de atendimentos aos usuários, famílias e comunidades no âmbito da APS. Desta forma ser docente enfermeira proporciona sentimentos de expectativa sobre como serão as percepções dos acadêmicos de medicina no contexto de práticas na Estratégia da Saúde da Família (ESF), fazendo com que os acadêmicos valorizem e auxiliem no desenvolvimento dos conhecimentos das questões sociais, biológicas, culturais e ambientais durante as práticas, o que torna desafiante uma vez que em um futuro não tão distante estes acadêmicos estarão atuando em diferentes serviços. Neste sentido, os acadêmicos atuarão em uma equipe multiprofissional, observando os processos de trabalhos e a importância da criação de vínculo, enquanto docente, espera-se que eles desenvolvam habilidades em suas ações na saúde coletiva, sustentada nos princípios do SUS, tais como: universalidade e integralidade. Foi estimulado a interação com a equipe e comunidade, de forma que os acadêmicos aperfeiçoem a comunicação, respeito, ética e a percepção do processo de trabalho de uma equipe multiprofissional. No primeiro momento, eles eram subdivididos nos diversos setores entre o acolhimento, consultório de enfermagem, consultório médico, odontológico e com os agentes comunitários de saúde. Nos dias subsequentes, realizaram visitas domiciliares e entenderam o conceito de territorialidade, desenvolvendo reflexão sobre determinantes e condicionantes em saúde, se envolveram nas atividades como pesagem das crianças do bolsa família, coleta de exames, vacinação em usuários acamados, cuidadores e pessoas com deficiência física que não conseguiam ir para a ESF. Durante as aulas práticas, procurava-se estimular a autonomia e proatividade discutindo casos e instigando a comunicação dos acadêmicos com os profissionais sobre as demandas das comunidades, no individual, no coletivo, bem como no contexto de vulnerabilidade e a inter relação entre a teoria e a prática, de modo que ao final dessas práticas eles elaborassem uma atividade de extensão como sala de espera, Programa de Saúde nas Escolas na forma de proporcionar um retorno a equipe e comunidade,na perspectiva da promoção da saúde. Um dos desafios observados foi a aplicação dos conhecimentos teóricos nas práticas, porém já é desenvolvido no início do semestre essa construção de conhecimentos, a partir da estratégia de autonomia, por meio de estímulo ativo dos acadêmicos, fomentando a aprendizagem com leitura anterior a aula, tempo para estudos independentes, seminários e rodas de conversa, colocando o acadêmico como o centro do seu próprio aprendizado. A partir desse cenário, conclui-se que o docente de saúde coletiva é responsável por promover a construção do conhecimento de maneira ativa, atrelando teoria e prática com didáticas que facilitem a assimilação dos novos profissionais de saúde no que diz respeito ao desenvolvimento do pensamento crítico, autonomia, saberes e fazeres do exercício da Medicina em saúde coletiva, bem como a importância do campo teórico/prático para a categoria.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

VIVÊNCIA DOCENTE NO CURSO DE MEDICINA NO CONTEXTO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117756. Acesso em: 17 abr. 2026.