MONITORIA ESPECÍFICA: ESTRATÉGIA PARA PERMANÊNCIA E FORTALECIMENTO CULTURAL DE ESTUDANTES INDÍGENAS E QUILOMBOLAS

Autores

  • Maria Fernanda Alves Feitosa Diniz
  • Maria Alexsandra do Nascimento Silva
  • Marilia Floor Kosby

Palavras-chave:

Ações, afirmativas, inclusão, cultura

Resumo

O ingresso de estudantes indígenas e quilombolas nas universidades públicas vem crescendo gradualmente, impulsionado pela implementação de políticas públicas e de ações afirmativas. Essas políticas visam aumentar a presença de grupos socialmente desfavorecidos, como indígenas e quilombolas. Diante disso, o presente texto tem como objetivo abordar a importância da monitoria específica para discentes indígenas e quilombolas no Campus Uruguaiana no período do 1º semestre de 2024. A monitoria, realizada por dois discentes monitores bolsistas, ambos indígenas, e um docente orientador, visa auxiliar os ingressantes no processo seletivo de ingresso específico em suas atividades acadêmicas, viabilizando a política de apoio aos estudantes indígenas e quilombolas, e garantindo sua permanência e seu sucesso acadêmico. Este trabalho descreve as atividades desenvolvidas através da monitoria específica, que incluem orientação sobre a rotina acadêmica, apoio para realizar inscrição nos editais de auxílio permanência, e suporte contínuo por meio de encontros presenciais em roda de conversa no Campus, eventos culturais e institucionais, reuniões por meio da plataforma Google Meet, contato via grupos de WhatsApp e acompanhamento diário do desempenho acadêmico. Essas ações não apenas promovem a inclusão e adaptação dos alunos ao ambiente universitário, mas também valorizam e preservam as culturas indígenas e quilombolas. A Universidade Federal do Pampa (Unipampa), particularmente no Campus Uruguaiana, destaca-se pela diversidade de cursos e pela recepção de discentes indígenas e quilombolas de vários estados do país, incluindo Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Goiás, com predominância região Nordeste. Essa mobilidade pode estar relacionada à ausência de políticas de ações afirmativas na região de origem, levando os estudantes a abrir mão das suas raízes para buscar o diploma de nível superior em outro estado. Atualmente, nove alunos são assistidos pela monitoria no semestre vigente. Esses dados refletem sobre a multiculturalidade presente no Campus, pela diversidade regional, cultural e étnica, que permite a troca de conhecimentos tradicionais e científicos ao longo do processo de graduação. No entanto, esses estudantes frequentemente enfrentam desafios expressivos ao se adaptarem ao novo ambiente acadêmico e cultural. Diferenças climáticas, barreiras linguísticas e contrastes culturais impactam diretamente a integração e o desempenho desses alunos, tornando a transição para a vida universitária ainda mais complexa. Nesse contexto, a monitoria específica para discentes indígenas e quilombolas surge como uma ferramenta crucial para garantir a permanência e o pertencimento desses estudantes na universidade pública. A monitoria é fundamental não apenas para o progresso acadêmico, mas também para dar visibilidade e fortalecer as pesquisas que, por anos, foram fragilizadas. Além disso, a monitoria garante um suporte contínuo que vai além do acadêmico, abrangendo também aspectos emocionais e culturais. Observa-se um aumento significativo na participação ativa dos estudantes indígenas e quilombolas nas atividades acadêmicas, bem como uma melhora notável na segurança e autonomia ao longo de suas trajetórias educacionais. As intervenções realizadas durante as atividades de monitoria têm contribuído para reduzir a evasão, fortalecer o vínculo dos estudantes com a universidade e promover um ambiente mais inclusivo e acolhedor. Outrossim, a monitoria aulia também no uso de ferramentas e ambientes virtuais de aprendizagem disponibilizados pela instituição. Desse modo, o sentimento de pertencimento desses alunos à comunidade acadêmica foi intensificado, resultando em uma maior valorização e respeito por suas identidades culturais dentro do espaço universitário. A monitoria também incentivou a troca de saberes entre os discentes, promovendo a integração de conhecimentos tradicionais com a ciência acadêmica, enriquecendo o processo educativo e contribuindo para a preservação das culturas indígenas e quilombolas. A interação entre essas culturas, apesar das diferenças, tem sido uma fonte de enriquecimento mútuo, fortalecendo o sentimento de comunidade e criando um espaço onde essas identidades culturais podem florescer e contribuir para o ambiente acadêmico. Em suma, observa-se que a monitoria tem sido um fator determinante para o sucesso acadêmico e pessoal dos estudantes atendidos, refletindo diretamente na sua permanência e no fortalecimento das suas identidades dentro da universidade. A monitoria vai além de um simples apoio acadêmico; ela atua como um pilar de sustentação para a construção de trajetórias educacionais bem-sucedidas, contribuindo para que os estudantes indígenas e quilombolas possam não apenas permanecer na universidade, mas também prosperar em um ambiente que respeita e valoriza suas identidades culturais, garantindo que a diversidade cultural de mantenha viva e integrada ao contexto educacional.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2024-10-16

Como Citar

MONITORIA ESPECÍFICA: ESTRATÉGIA PARA PERMANÊNCIA E FORTALECIMENTO CULTURAL DE ESTUDANTES INDÍGENAS E QUILOMBOLAS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117728. Acesso em: 17 abr. 2026.