O IMPACTO PSICOLÓGICO DO ENSINO NOTURNO: DESAFIOS E EFEITOS NA SAÚDE MENTAL DE JOVENS TRABALHADORES

Autores

  • Julia Pires
  • Nathan Soares
  • Patricia Becker Engers

Palavras-chave:

Estresse, Equilíbrio, Consequências

Resumo

O ensino noturno tem se tornado uma opção cada vez mais procurada por jovens que precisam conciliar trabalho e estudos, especialmente em contextos onde a jornada de trabalho durante o dia é intensa e exigente. No entanto, essa modalidade de ensino traz consigo desafios que podem afetar diretamente a saúde mental desses estudantes. Considerando essas premissas, o objetivo do presente estudo é relatar a experiência vivenciada por jovens trabalhadores que cursam o ensino superior noturno. Situado nos domínios de um relato de experiência, o estudo busca refletir sobre a realidade de jovens de um curso de Licenciatura noturno, da Universidade Federal do Pampa e o impacto dessa rotina na sua saúde mental. A realidade dos cursos noturnos abarca, em sua grande maioria, trabalhadores que atuam em jornadas de trabalho de 8 horas diárias, seja em comércio ou em escolas e, que vislumbram no curso noturno a sua única possibilidade de cursar o ensino superior e melhorar suas condições de vida. Dentre os desafios enfrentados por estes estudantes trabalhadores, destacam-se aqueles de ordem estrutural e os de ordem pessoal/organizacional. No que tange os desafios estruturais, destaca-se a acessibilidade ao transporte público nos horários ofertados até o Campus, que muitas vezes não contemplam o término da jornada de trabalho destes, precisando chegar todos os dias atrasados para o início das aulas. Já na ordem pessoal, um dos maiores desafios relatados pelos acadêmicos, é a difícil tarefa de administrar o tempo. Muitos desses jovens enfrentam uma rotina diária cansativa, conciliando longas horas de trabalho com os estudos à noite, o que pode levar a privação de sono já que muitos precisam ficar acordados até tarde para assistir às aulas e, ao chegar em casa, ainda precisam estudar e organizar as demandas para o dia seguinte. Além disso, os jovens trabalhadores muitas vezes têm horários e rotinas diferentes dos seus colegas que não trabalham, o que pode limitar suas oportunidades de vivenciar os espaços da Universidade fora da sala de aula, como momentos de socialização, participação em grupos de estudo e projetos em geral. Tal fato, torna a caminhada destes estudantes mais solitária. Neste contexto, tais fatores acima mencionados podem resultar em um cansaço físico e mental intenso. O estresse contínuo de equilibrar trabalho e estudo, combinado com a privação de sono e falta suporte social, pode levar a uma série de problemas psicológicos. A ansiedade é uma condição comum, intensificada pela pressão e preocupação em manter um bom desempenho tanto no trabalho, quanto nos estudos. Esse estado constante de alerta e sobrecarga pode aumentar o risco de transtornos de ansiedade e depressão. A privação de sono, resultante da rotina exigente, também tem efeitos adversos diretos na saúde mental, podendo levar a dificuldades de concentração, irritabilidade e um aumento na vulnerabilidade a doenças mentais, e para jovens trabalhadores, que já enfrentam o estresse do ambiente de trabalho, essas consequências são amplificadas, criando um ciclo de estresse e cansaço que pode ser difícil de romper. Além disso, o ensino noturno pode impactar negativamente a autoimagem e a autoestima, devido a frustração caso ambas atividades não sejam realizadas com êxito, assim como a falta de tempo para cuidados pessoais. A sensação de estar constantemente lutando para equilibrar as demandas do trabalho e do estudo pode levar a sentimentos de inadequação e frustração. Para amenizar esses impactos, é fundamental que instituições ensino e empregadores reconheçam os desafios enfrentados por esses jovens e ofereçam suporte, seja por programas de apoio psicológico e serviços de aconselhamento para ajudar os estudantes a lidar com o estresse e a ansiedade, ou por ações que fomentem estratégias de gestão do tempo e técnicas de relaxamento para auxiliar a equilibrar as demandas do trabalho e do estudo. O número de jovens trabalhadores estudantes tende a crescer cada vez mais, a partir disso, torna-se extremamente importante olhar para o impacto psicológico do ensino noturno com a devida atenção e empatia. Contudo, conclui-se que os desafios da modalidade de ensino noturno, podem ter consequências negativas para a saúde mental dos estudantes, por isso, é essencial implementar estratégias e recursos que forneçam suporte a esses jovens na superação das dificuldades que se apresentam nesta realidade, com uma abordagem sensível e planejada, é possível criar um ambiente que favoreça tanto o sucesso acadêmico quanto o bem-estar mental dos jovens trabalhadores.

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Publicado

2024-10-16

Como Citar

O IMPACTO PSICOLÓGICO DO ENSINO NOTURNO: DESAFIOS E EFEITOS NA SAÚDE MENTAL DE JOVENS TRABALHADORES. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117658. Acesso em: 17 abr. 2026.