OTOCARÍASE EM UM FELINO DA RAÇA PERSA: RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Ácaros, Felinos, Otite, Externa, Otodectes, cynotis, Sarna, OtodécicaResumo
A otocaríase, ou também denominada como sarna otodéctica, é ocasionada pela infestação do ácaro psoróptico não escavador Otodectes Cynotis pertencente à classe Arachnida subclasse Acari, à ordem Sarcoptiformes, família Psoroptidae e gênero Otodectes, sendo um agente significativo para o aparecimento de otite externa em animais domésticos e silvestres, posto que, habitam a superfície cutânea e condutos auditivos. Ainda, essa é um parasita branco, grande e ativo, que apresenta estágios de ovo, larva, ninfa e adulto, sendo o seu ciclo evolutivo entre dezoito a vinte um dias. Entende-se que, esses estágios de vida ocorrem dentro do conduto auditivo do animal afetado. Nesse viés, alimentam-se de restos epidérmicos, fluidos teciduais, linfa ou sangue, expondo o hospedeiro ao seu antígeno salivar, tornando-os sensíveis, além de que, esse parasita lesiona o epitélio do conduto auditivo, ocasionando uma inflamação das glândulas ceruminosas, que resultam a formação e um aumento significativo de secreção otológica. Por consequência disso, qualquer mínima que seja a presença de ácaros, pode ser desencadeado quadros de prurido intenso nos ouvidos de animais sensibilizados. A transmissão pode acontecer via contato direto entre infectados ou por fômites. Ainda, os felinos que possuem doenças adjacentes responsáveis pela depressão do sistema imunológico, apresentam um maior desenvolvimento de ácaros no conduto auditivo. Nesse mister, os sinais clínicos são intenso prurido em orelhas, pápulas, eritema e fragmentos castanho-enegrecidos que possuem odor de tabaco. Além disso, quando essa afecção ocorre com frequência e por um extenso período, surgem outras evidências clínicas, como alopecia nas áreas de coceira, otohematoma decorrente ao reflexo otopodal, bem como, infecções fúngicas e bacterianas secundárias. O diagnóstico definitivo é através da associação de protocolos, como a inspeção indireta com o uso de otoscópio, bem como, a realização do exame complementar citológico. Ainda, existe a pesquisa do reflexo otopodal para ajudar na elucidação do caso, no entanto, essa técnica não pode ser considerada para diagnóstico definitivo, visto que, a literatura sugere que a positividade desse pode indicar a presença de uma doença pruriginosa, que não seja obrigatoriamente de caráter parasitário. No que refere-se ao tratamento, deve ser a realização da limpeza a base de soluções para lavagem auricular e terapêuticos tópicos, surfactantes e detergentes que ajudam a amolecer e degradar a camada de cerúmen e exsudato, assim facilitando a remoção dos detritos das secreções, enzimas e toxinas microbianas que fazem-se presentes no conduto auditivo afetado. Salienta-se ainda que, é de suma importância a limpeza completa e o tratamento inseticida do ambiente. Diante as informações expostas, o presente estudo possui como objetivo um relato de caso de um felino, macho não castrado, 1 ano 4 meses e 16 dias de vida, da raça persa, com pelagem coloração amarela, pesando 3,150kg de massa corporal, que foi para a realização de uma avaliação pré-operatória para Orquiectomia eletiva em um Centro de Práticas Universitário no Município de SantiagoRS. Na anamnese, a tutora relatou que a única anormalidade que o felino apresentava era intensa coceira e desconforto na região das orelhas. No exame clinico, frequência cardíaca (FC) 164bpm, frequência respiratória (FR) 128mpm, temperatura retal (TR) 39,9 tempo de preenchimento capilar (TPC) 2 segundos, mucosas normocoradas, todos dentro da normalidade. Ainda, durante a inspeção física geral, observou-se conteúdo enegrecido em ambos os canais auditivos. Tendo em vista os achados, foi solicitado a realização do exame complementar de citologia de ambos os pavilhões auriculares por swab, para a investigação de uma possível sarna otodécica. Assim, o resultado foi positivo para Otodectes cynotis, confirmando a otocaríase. A prescrição terapêutica para tratamento foi o uso de Revolution 6% (2,5 a 7,5kg) 1 pipeta, para administração tópica no dorso do pescoço, em dose única, bem como, a limpeza com solução otológica em suspensão, para administrar 3 gotas em ambos os condutos auditivos, massagear, limpar com gaze, efetuando esse procedimento 2 vezes ao dia por 10 dias até o retorno. Posterior a isso, para verificação da eficácia do tratamento, na consulta de retorno, foi realizado novamente o exame citológico dos pavilhões auriculares, com resultado negativo para o Otodectes cynotis. Conclui-se que, a inspeção dos condutos auditivos, apresentando ou não sinais clínicos característicos, é deveras importante durante a avaliação clínica, visto que, o animal em questão tratava-se somente de um paciente para cirurgia, no entanto, com a correta inspeção, foi identificada a sarna otodécica, assim sendo possível tratar de maneira correta e prevenir a disseminação para outros animais.Downloads
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Publicado
2024-10-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
OTOCARÍASE EM UM FELINO DA RAÇA PERSA: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 16, 2024. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/117629. Acesso em: 17 abr. 2026.