FOCOS DE DENGUE EM ROSÁRIO DO SUL EM 2023 E AÇÕES EDUCATIVAS EM VIGILANCIA SANITÁRIA

Autores

  • Gabriele Doyle Cezar
  • Maria Eduarda de Andrades de Campos
  • Bruna Bairros Santiago
  • Marlise Pacheco Maicá
  • Rodrigo Retamar
  • Cassia Regina Nespolo

Palavras-chave:

Aedes, aegypti, Vigilância, Sanitária, Ambiental, Saúde, Pública

Resumo

A dengue é a arbovirose urbana predominante nas Américas, principalmente no Brasil, e com o mosquito Aedes aegypti como transmissor. Para combater o mosquito, é essencial evitar acúmulo de água parada e fazer o descarte correto de lixo para impedir que estes locais sejam reservatórios. Os primeiros casos de dengue em Rosário do Sul aconteceram em março de 2022, com 21 casos confirmados até maio de 2022, 19 autóctones e 2 importados. Estes elementos fizeram com que o município entrasse em estado de calamidade, com necessidade de contratação emergencial de agentes de combate a endemias para atuar intensamente e com precisão neste grave problema de saúde pública. Uma das funções dos agentes é realizar o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), uma metodologia rápida para avaliar, por amostragem, a quantidade de imóveis com a presença de recipientes com larvas de Aedes aegypti. O presente trabalho faz parte do projeto de extensão Ações de Extensão de Rosário do Sul, realizado com a Prefeitura Municipal. O objetivo foi verificar os focos de dengue em Rosário do Sul ao longo do primeiro semestre de 2023 e fazer o comparativo espacial usando os dados do LIRAa. O levantamento foi realizado em imóveis com diferentes localizações, buscando pontos de acúmulo de água e coletando amostras de acordo com a metodologia proposta pelo Ministério da Saúde. A equipe da Vigilância Sanitária realizou visitas aos imóveis de janeiro a agosto de 2023, que corresponderam ao LIRAa 1, 2 e 3 do ano, nas quais foram coletadas amostras de recipientes com presença de larvas. As amostras foram enviadas para o Laboratório da Coordenadoria Regional de Saúde para confirmação da presença do Aedes aegypti. Estas informações foram utilizadas para elaborar tabelas contendo os endereços dos imóveis, coletas realizadas, pontos onde foram encontradas larvas e/ou pupas, confirmação da presença e quantitativos. O Índice de Infestação Predial (IIP) foi calculado para obter o percentual de imóveis positivos, sendo que o valor abaixo de 1,0 indica resultado satisfatório, entre 1 a 3,9 sinaliza alerta e acima de 3,9 representa risco. Estes dados foram inseridos no Excel e no programa Google Earth para mapear os focos e possibilitar o comparativo espacial entre os ciclos. Os resultados indicaram que no LIRAa 1/2023 (janeiro) foram visitados 898 imóveis, coletadas 38 amostras, com 19 positivas e IIP de 1,93%, que indicou alerta. Já no LIRAa 2/2023 (maio/março), foram 868 imóveis visitados, 17 amostras coletadas, 7 positivas e IIP satisfatório de 0,81%. O ciclo LIRAa 3/2023 (agosto) incluiu 849 imóveis visitados, 54 amostras coletadas, 45 positivas e IIP de 5,30%, que sinalizou risco. O mapa permitiu a visualização espacial da distribuição dos focos de dengue durante o período avaliado e a identificação dos pontos mais críticos. Estas informações foram utilizadas pelo Comitê Municipal de Enfrentamento ao Aedes, impulsionaram iniciativas voltadas à divulgação sobre a gravidade da situação e intensificaram fiscalizações e ações de combate à dengue nas áreas com maior risco sanitário. A equipe do projeto de extensão realizou atividades educativas, elaborou materiais informativos sobre medidas preventivas e para eliminação dos focos do Aedes aegypti. Foram realizadas palestras e atividades práticas nos bairros e nas escolas, que abrangeram mais de 3.000 crianças até o momento. A partir do trabalho deflagrado, observou-se maior consciência da população quanto à gravidade da doença e que esta forma didática e informativa pode ter resultado para manter a atenção ao longo do ano. Rosário do Sul é uma das cidades gaúchas com altos índices de infestação e, mesmo com tudo o que foi realizado, os focos podem se intensificar com o início da primavera, quando as condições ambientais voltarão a ser favoráveis para a proliferação. A continuidade no monitoramento dos focos, o mapeamento do LIRAa 4/2023 em outubro, as campanhas de prevenção e a elaboração de materiais para conscientização fazem parte do planejamento. É necessário fortalecer o trabalho da vigilância sanitária e ambiental e continuar as parcerias entre poder público e universidade para contribuir com a saúde pública, a qualidade de vida e o controle da doença.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

FOCOS DE DENGUE EM ROSÁRIO DO SUL EM 2023 E AÇÕES EDUCATIVAS EM VIGILANCIA SANITÁRIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116625. Acesso em: 18 abr. 2026.