TEATRO CEGO

Autores

  • Leticia Carneiro
  • Cheisa Rodrigues Goulart
  • Rógerli Martins de Oliveira
  • Amélia Rota Borges de Bastos

Palavras-chave:

Arte, inclusão, pessoa, deficiência

Resumo

O Projeto Teatro Cego é uma atividade de ensino e extensão com foco na comunidade acadêmica do campus Bagé e comunidade externa. A proposta, apoiada pelo edital de Ações sociais, culturais e de atenção à diversidade no âmbito da comunidade acadêmica, visou a construção de um roteiro teatral sensorial para a história infantil O Segredo das Perucas das Princesas, com estudantes do campus Bagé e alunos da Classe de Teatro do Projeto Social Piano Forte, ligados a Escola de Piano Cheisa Goulart. A obra resultado do Projeto de Voluntariado Fios Mágicos, que confecciona perucas inspiradas nas princesas da Disney para crianças com câncer, tem como enredo a descoberta da personagem Lelê de que as princesas usam perucas, assim como as crianças que enfrentam o câncer infantil. No enredo, a mãe, em sua sala de costura, conta para a filha os segredos das princesas, como o remédio para gases que Branca de Neve usa em baixo da sua peruca, o que garante que, após comer a comida gordurosa dos anões, não solte puns e, a escada articulada de Rapuznel, que permite ao príncipe ter acesso a torre do castelo, mesmo a bruxa tendo cortado as tranças da princesa. Dentre os objetivos da atividade, destacam-se a integração dos estudantes ingressantes com as atividades desenvolvidas pelo Núcleo de Estudos em Inclusão do campus Bagé; a sensibilização dos futuros profissionais formados pelo campus para as temáticas da inclusão, da acessibilidade e das inúmeras potencialidades das pessoas com deficiência; a integração dos estudantes do campus pela arte; a ampliação da oferta de atividades culturais para o público com deficiência visual. A produção do roteiro deu-se de forma coletiva e colaborativa entre estudantes da Unipampa e a classe de teatro do Projeto Social Piano Forte. Colaboraram ainda, professores, discente e egresso do curso de música que executaram peças musicais relacionadas ao enredo e a tradução para a Língua Brasileira de Sinais do espetáculo. Para a construção do roteiro sensorial foram realizadas rodas de conversa criativas; análise de filmes, documentários e experiências sensoriais disponíveis na web; entrevistas com pessoas cegas, dentre outras atividades. No roteiro sensorial, o público interagiu com a história através dos seguintes recursos: história falada e com áudio-descrição; mobilização de sentidos não visuais, como a audição (sons de pássaros, cachorro, ronco, pum, máquina de costura, peças executadas em piano, voz, violão e acordeom, risada da bruxa, d entre outros); tato (toque nos elementos da história perucas, tecido de chita, pedras preciosas, dentre outros); paladar (os participantes receberam sorvete); olfato (cheiro de bolo de chocolate). A mobilização de tais sentidos, entendidos a partir da teoria histórico-cultural como vias alternativas que possibilitam o desenvolvimento da pessoa com deficiência é condição para a apropriação do mundo por parte de pessoas com deficiência visual e, no público em geral buscou incitar a reflexão de. que, apesar da ausência de visão, a mobilização de outros sentidos colabora para com a compreensão das informações. A implementação da atividade foi realizada durante a atividade de extensão Dia da Criança para Todos. Na ocasião tiveram presentes pessoas cegas, que, após a apresentação do teatro auxiliaram na avaliação técnica da atividade realizada. E com os presentes, realizaram a avaliação da experiência, tomando-a como extremamente positiva para a reflexão sobre as inúmeras possibilidades de participação das pessoas com deficiência quando tem acesso a espaços inclusivos como demonstrou-se o teatro cego.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

TEATRO CEGO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116600. Acesso em: 17 abr. 2026.