PRÁTICAS E AVALIAÇÃO DO COMPONENTE DE EXTENSÃO I: METODOLOGIA, CONCEPÇÕES E FORMAÇÕES INTERCULTURAIS.
Palavras-chave:
Extensão, Cultura, SaberesResumo
Esta comunicação tem como tema uma experiência de curricularização da Extensão no curso de Letras Português e Literaturas de Língua Portuguesa (LLP) da Universidade Federal do Pampa, campus Bagé. Especificamente trata do componente Extensão I Comunidade, ofertado pela primeira vez em 2023/1, tendo como público principal a turma de ingressantes neste ano. O componente pretendeu promover encontros com diferentes atores sociais, identificados, pelos estudantes, como portadoras/es de conhecimentos significativos em sua comunidade. Esse formato toma como ponto de partida uma iniciativa em andamento em outras universidades desde o ano de 2010, quando surge na UNB projeto em que mestres e mestras tradicionais assumem a docência em aulas de efetivo diálogo intercultural. Mais adiante instituições como UFMG, UFF e UFRGS promovem projetos e disciplinas de graduação destinadas à promoção desses Encontro de saberes. A inclusão do componente EXTENSÃO I COMUNIDADE no Projeto Político Pedagógico do curso LLP se deu no contexto da implantação da Extensão nos currículos dos cursos universitários por meio da Resolução N. 07, de 18 de dezembro de 2018, do Ministério da Educação. Além desse, a inserção da Extensão no currículo dos cursos de graduação é orientada, na Unipampa, por diretrizes internas que definem a política institucional de Extensão e ecoam os princípios regulados pelo Fórum de Pró-reitores de Extensão (Forproex). Toda essa movimentação em prol do compromisso oficial da universidade com a Extensão aponta para a necessidade de a universidade abrir-se para a comunidade externa e protagonizar ações dialógicas com todos os segmentos sociais, com destaque para setores e sujeitos historicamente afastados do espaço acadêmico, assim revigorando concepções de Educação que nos remetem ao trabalho de Paulo Freire. Por outro lado, as discussões travadas para decidir como tornar 10% da carga horária de cursos de graduação em ações extensionistas mobilizam questões que remetem a debates travados no campo das epistemologias decoloniais ou contra-coloniais. O referencial teórico utilizado para a formulação do componente e também como referência para os discentes do curso coloca os conteúdos programáticos abordados em uma perspectiva que colocava o sujeito como detentor de seu saber e que detinha o domínio da sua própria voz. O desafio, então, foi propor ferramentas e textos teóricos, unidos a discussões, pertinentes para o desenvolvimento de pesquisas de campos para pautar os mestres que seriam escolhidos como detentores do saber pelos discentes. Um exemplo de materiais adotados como referência foram os sites online de projetos já citados anteriormente e que pautaram o Encontro de Saberes já institucionalizados nas redes de divulgação de universidades como a UFRGS e a UNB. A pesquisa nos sites foi o primeiro exercício de identificação e escolha de mestres dos saberes populares e tradicionais e antecedeu a atuação prática em campo para buscar mestres do saberes das cenas culturais e das comunidades que compõem a cidade de Bagé e com quem, a priori, os discentes já convivem. Isto posto, o objetivo desta comunicação é de descrever a experiência vivenciada por uma docente do curso e um grupo de discentes ingressantes e refletir se a metodologia adotada para o desenvolvimento do componente e os resultados alcançados, na perspectiva do grupo, promoveram de fato o encontro de saberes entre membros da comunidade acadêmica e externa. Para alcançar este objetivo, adota-se como metodologia a análise documental, centrada no estudo do plano de ensino do componente e dos portfólios produzidos pelos discentes matriculados como trabalho final. Como resultado dessa análise e desta comunicação, espera-se contribuir para qualificar as formas de curricularização da extensão na universidade e, principalmente, para estimular a percepção dos vários e diversos saberes que formam a sociedade em que estamos inseridos, dando-os visibilidade para tratar dos seus saberes com autonomia de voz e espaço.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
PRÁTICAS E AVALIAÇÃO DO COMPONENTE DE EXTENSÃO I: METODOLOGIA, CONCEPÇÕES E FORMAÇÕES INTERCULTURAIS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116559. Acesso em: 18 abr. 2026.