A SAÚDE INDÍGENA NA FORMAÇÃO MÉDICA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA OFICINA NO 17º CBMFC
Palavras-chave:
Saúde, populações, indígenas, Serviços, saúde, indígena, Educação, médicaResumo
Partindo de uma ideia em construir uma proposta de Reforma Sanitária como reforma da sociedade, não se pode deixar de lado as questões que sempre a impactaram, como a colonização, o genocídio de populações e o racismo. A I Conferência Nacional de Proteção à Saúde do Índio provocou a criação de comissões técnicas, entre as quais, destaca-se a Comissão Intersetorial de Saúde Indígena (Cisi), que fomentou os princípios e as diretrizes da atual Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI). Poucas escolas oferecem disciplina sobre saúde dos povos indígenas, no geral, optativas ou através de extensão universitária. A necessidade da inclusão de disciplinas ou discussões sobre saúde indígena nos currículos dos cursos da área da saúde foi identificada na 4ª Conferência Nacional de Saúde Indígena, em 2006. Deste modo, este trabalho objetiva relatar experiência de uma oficina no 17º CBMFC no que se refere a formação em Saúde Indígena, dada as consideráveis lacunas ainda existentes. Trata-se de um relato de experiência vivida por um estudante indígena da Universidade Federal do Pampa no 17º CBMFC em Fortaleza CE, no dia 21 de setembro de 2023. Pela necessidade de formação para esta área, e por compreender que a MFC é a especialidade mais adequada à assistência de populações especificas, o GT de de Saúde Indígena, realizou a oficina para aprofundamento dessas discussões, aproximação entre experiências realizadas nas instituições. Tendo como objetivos: discutir possibilidades de abordagem das questões relacionadas à saúde dos povos indígenas na graduação, residência e pós-graduação. Utilizando a metodologia de uma oficina com três momentos: 1) apresentação, orientações gerais, compartilhamento de vídeos com depoimentos de experiências relacionadas ao cuidado em saúde indígena; 2) roda de conversa sobre como abordar as questões relacionadas à saúde dos povos indígenas na graduação em medicina e construção de uma síntese; 3) compartilhamento das construções dos grupos e construção de síntese geral com recomendações sobre a abordagem do tema na graduação de Medicina. A Oficina reuniu participantes de todo o país, incluindo representantes de diversas etnias e regiões do Brasil. Durante a sessão de apresentação, teve-se a oportunidade de conhecer os participantes. Entre os relatos da população indígena, pode-se destacar o sentimento de deslocamento e desconexão, quando referido que sentir-se estrangeiro no próprio país, devido ao abandono desta população. Além disso, a falta de experiência com a saúde indígena durante a graduação foi identificada como uma barreira significativa. Trouxeram expectativas em relação à inclusão do tema da saúde indígena no currículo médico, reconhecendo a importância de formar profissionais de saúde mais conscientes e capacitados nessa área. Algumas histórias pessoais também foram compartilhadas, como o contato com a saúde indígena durante a residência de Medicina de Família e Comunidade, a experiência de trabalhar com a população quilombola, que despertou o interesse em saber mais sobre a saúde indígena e o compromisso em aprender e contribuir para a melhoria da saúde nas comunidades indígenas. Mencionaram envolvimento em projetos de extensão, como o projeto Xingu e o contato com colegas indígenas que ingressaram no curso de medicina por meio do vestibular indígena, trazendo consigo valiosas experiências e perspectivas sobre o tema. Partiu-se de um contexto de nenhuma ou pouca experiência na formação profissional com o tema da saúde indígena. As poucas experiências aconteceram por meio da presença de estudantes indígenas na universidade, nos cursos de medicina e nos programas de residência em MFC. Foi mencionado o contato somente a partir da necessidade de lidar com a temática dentro dos programas de provimento de médicos do Ministério da Saúde, dada as particularidades do subsistema de atenção à saúde dos povos indígenas e do trabalho em área indígena. Além disso, houve interesse de conhecer como essa temática é avaliada na prova de títulos de especialista em MFC. Há inúmeros desafios colocados para a formação profissional em saúde devido à grande diversidade de línguas, etnias, recursos e cosmovisões (dois mundos), levando a dificuldades de compreensão do mundo do outro e interpretações preconceituosas. Por fim, enfatizamos que é preciso respeitar a diversidade e garantir a liberdade e autonomia dos povos indígenas no cuidado à saúde, incentivar espaços de escuta e discussão que poderão ser em eventos, congressos, especializações, na extensão universitária e aproximação com os territórios e saber dos povos indígenas, integrando a formação teórica com a prática nos cursos de medicina. Para o indígena que participou do grupo as dimensões de território, saúde, educação, cultura estão interligadas. A promoção da saúde indígena não só beneficia as comunidades indígenas, mas também enriquece a diversidade e a integridade do panorama da saúde global.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A SAÚDE INDÍGENA NA FORMAÇÃO MÉDICA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA OFICINA NO 17º CBMFC. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116521. Acesso em: 17 abr. 2026.